Breakfast at Tiffanys


Janela da Alma
junho 28, 2010, 6:31 pm
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“Somos cegos de tudo o que faz de nós um ser agressivo, egoísta e violento, num mundo de desigualdades e sofrimentos….”Ter tudo em excesso significa que nada temos. A atual superabundância de imagens significa, basicamente, que somos incapazes de prestar atenção. Que somos incapazes de nos emocionarmos com as imagens”, José Saramago  – documentário Janela da Alma.



A Flor Mais Grande do Mundo
maio 26, 2009, 9:24 pm
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2260416723_284423f938Linda animação de um conto do queridíssimo escritor português José Saramago, narrada pelo próprio.

Se há alguém neste mundo que eu faria questão absoluta de conhecer pessoalmente é este senhor que nasceu com a maestria de embaralhar as palavras para torná-las música aos nossos ouvidos. E entende da natureza humana como poucos, transformando nossas mazelas em fábulas que não me canso de apreciar.
Vida longa ao meu escritor preferido.

Post em seu blog sobre a obra



Anjo de Quatro Patas
março 31, 2009, 9:16 pm
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21396150_4Meu último recado literário sobre animais é Anjo de Quatro Patas, de Walcyr Carrasco.

O livro do jornalista, escritor e roteirista de tv e teatro conta a vida de Uno, o husky que acompanhou o autor durante doze anos, seu grande amigo e figura fundamental na superação da perda de sua companheira.

É  uma daquelas histórias belas que mostram o que os cachorreiros sabem de cor: como um cão muda sua vida, como te ajuda, te inspira, se torna tudo o que de mais puro você poderá conhecer na vida.

cao01170808Uno foi tão importante que se tornou até alter ego do cronista para a evista Focinhos. Foi também o tema da crônica recordista de cartas da Veja São Paulo, quando Walcyr contou a agonia de saber da inevitável perda, quando Uno já estava com a saúde abalada.

Veja a crônica aqui.

Recomendo.

Terminei hoje a leitura e preciso passar algum tempo agora sem ler nada que tenha a morte no desfecho. Foi uma saga escolhida por mim a dedos. Com a clara intenção de me fazer chorar. Era para ser uma tentativa de aprendizado – para eu tentar aceitar o irritante ciclo da vida. Mas não adianta, como eu já sabia: não se aprende com dor.

E se tem algo que nunca saberei  lidar é com a perda. Especialmente de seres que passam tão pouco tempo conosco e que são tão melhores que nós.

Escrevo com medo. Como se a vida pudesse resolver me dar uma lição e me tirar alguém que muito amo só para me mostrar que eu não posso fazer nada contra. Mas isso eu já to cansada de saber.

O que realmente entendi com estas leituras é que não sou a única a ser assombrada pela perda. Quem tem animais e os ama, compartilha. E não importa como você encare a morte, se acredita em deus, em reencarnação, em paraíso, etc, a dor é igual. A separação será tão difícil quanto. As lembranças serão sempre acompanhadas de saudade.

Outra lição: você não tem o direito de ter saudade se não fez tudo o que podia enquanto era seu amigo estava vivo. Já vi quem chorasse esquecendo que podia ter sido mais cuidadoso, que podia ter procurado ajuda antes. E canso de ver quem cometa sempre os mesmos erros. Se você não fizer valer o amor enquanto os tem vivos, não merece a credibilidade da dor depois que se forem. E por favor, chorem longe de mim.

Por este ângulo, sei que nunca negligeniei nenhum dos meus amigos peludos. Não meço gasto com medicamentos, comida, cuidados, não perco tempo com broncas bobas, não comparo personalidades, nem afeição.

Sei que tanta gente me acha louca. Outros têm medo/nojo de vir em minha casa (meu irmão nunca trouxe meu sobrinho em casa). Azar. Dele. Eu crio cães como a maioria dos norte-americanos: dentro de casa. Se alguém tem algum problema com isso, não me visite. A casa é deles também.  Meus cães dormem na cama, sobem no sofá, compartilho a vida com eles.  Os beijo e abraço todos os dias e repito mil vezes: obrigado por estarem comigo. Porque quando mais preciso é só deles a total compreensão, o carinho incondicional, o amor sem julgamentos. E porque sei que a vida deles é muito curta, faço valer cada segundo.

Assim, quando o ciclo se encerrar, eu terei a certeza de que os fiz parte da minha vida. Sem nenhum arrependimento. Porque valeu a pena cada segundo que tive ao lado deles.

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Sobre Dewey e os gatos
março 18, 2009, 8:11 pm
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dlivro3Terminei hoje mais um livro da saga Entenda o Ciclo da Vida, Karen. Mais do que uma série de livros com final anunciado, as histórias de pessoas e seus animais são sempre cativantes. Mais do que vida e morte, sempre nos fazem lembrar de nossas experiências. E por mais que saiba de cor como tudo acabará, nunca vou me acostumar.

A choradeira da vez é Dewey, um gato entre livros. De autoria de Vicki Myron, com Bret Witter, a obra relata a vida do espitituoso e quase médium gato adotado por uma bibliotecária da cidade de Spencer, Iwoa, EUA.  Dewey foi abandonado na caixa de devolução da biblioteca ainda filhote e tornou-se o gato da biblioteca, o mascote oficial da cidade, mundialmente conhecido e que tocou a vida de inúmeras pessoas.    

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Bem escrito e de muito agradável leitura, a obra é um encanto do começo ao fim. Não. Não se trata da versão felina de Marley, o adorável labrador, mas sim um outro tipo de abordagem e talvez do maior relações públicas que os pobres gatos já tenham tido.

Exatamente por isso, recomendo a leitura para quem insiste em descriminar os gatos. Não quem não gosta de gatos porque não gosta de bichos. Estes não gostam e nunca vão gostar, não nasceram com o dom e pronto. Respeito-os, porém não os entendo.

Mas sim para aqueles que dizem gostar de cães, mas não de gatos.

– São traiçoeiros, dizem uns

São sujos, dizem outros

– Não gostam do dono, mas sim da casa, garantem ainda outros como um disco riscado simplesmente repetindo o que escutaram alguém falar.

É um legado desastroso e impiedoso esta ignorância disseminada sem bom senso. E particularmente de maiores proporções na cultura brasileira. Gatos são muito mais populares nos EUA e na Europa, mas por aqui é comum ouvir abobrinhas do tipo de quem diz amar seu cão, mas não suportar gato.  O que também me parece muito contraditório, pois se você gosta de animais, gosta de animais. Se não gosta, não gosta. Oras, decidam-se. Não existe essa de gosto de crianças loiras, mas não gosto de crianças negras, não…. 

Então, especialmente para estes eu recomendo expressamente a leitura de Dewey, um gato entre livros. Porque com certeza nunca conviveram com um felino e não conhecem o amor e o carinho que estes elegantes seres podem proporcionar a quem convive com eles.

dewey-2-780828Agora se você conhecer a história de Dewey e mesmo assim continuar soltando pérolas como gatos são traiçoeiros, gatos não gostam do dono ou só gosto de cães, eu recomendo expressamente uma alta dose de sensibilidade. Mas esta infelizmente não é encontrada nas livrarias, nem no Submarino e acho que você vai ter que nascer de novo para conseguir.



Camões de Saramago
março 10, 2009, 9:33 pm
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camoes

“Os cães vivem pouco para o amor que lhes ganhamos”  diz José Saramago em um post do seu blog onde fala de seu companheiro Camões. Isso mesmo. Camões é o nome do cão de água português da foto (o maior), segundo o autor.

O post é este aqui.  É sempre uma delícia ler Saramago. O melhor, mais crítico, sensível e humano escritor de todos os tempos, em minha modesta opinião.

Saramago é mestre em criar personagens caninos fundamentais e marcantes, como o Cão das Lágrimas de Ensaio sobre a Cegueira e Achado de A Caverna.

Em uma recente entrevista, o escritor declarou: Gostaria de ser recordado como o escritor que criou a personagem do Cão das Lágrimas. É um dos momentos mais belos que fiz até hoje enquanto escritor. Se no futuro puder ser recordado como “aquele tipo que fez aquela coisa do cão que bebeu as lágrimas da mulher”, ficarei contente. Se alguém procurar naquilo que eu tenho escrito uma certa mensagem, atrevo-me pela primeira vez a dizer que essa mensagem está aí. A compaixão dessa mulher que tenta salvar o grupo em que está o seu marido é equivalente à compaixão daquele cão que se aproxima de um ser humano em desespero e que, não podendo fazer mais nada, lhe bebe as lágrimas”.

Já leu Saramago? Vá correndo.



Biblioteca Canina
janeiro 9, 2009, 4:24 pm
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No embalo de Marley, deixo hoje algumas dicas de leitura para aficcionados por cães.

artedecorrernachuva_146A Arte de Correr na Chuva

Garth Stein

Sinopse: Enzo é um terrier que vive em Seattle com o dono, Denny Swift, um piloto de corridas. Amigos inseparáveis, Enzo acompanha toda a trajetória de vida de Denny, desde sua luta para se tornar um piloto profissional bem-sucedido até seu encontro com Eve, o enlace de ambos e o nascimento da filha do casal.
Frustrado por não poder falar, uma vez que não é humano, Enzo costuma acompanhar todas as corridas de Fórmula 1 pela tevê, bem como tudo o que se passa a sua volta, até o dia em que uma fatalidade muda definitivamente a vida de todos.

Comentário: É uma bela e lacrimejante história, narrada em primeira pessoa pelo próprio cão. É ficção, claro.  Se o apelo emocional e as várias referências da importância de um cão nas nossas vidas, bem como a diferença que fazem nas horas difíceis é bem bacana, me incomodou um pouco o enfoque antropocentrista do autor: na análise de Enzo, os humanos são o ápice da evolução, a referência que ele pretende seguir e se transformar numa próxima vida. Eu sou totalmente contra esta visão. Não acho humanos mais evoluídos, mais importantes, nem os considero referência para nada.

Mas vale a doçura com que Enzo é retratado e a bela relação entre ele e Denny.   

patas11Série Patas na Europa

Antônio F. Costella

Nestes quatro livros de viagem, o cão Chiquinho relata o itinerário que percorreu (de verdade) na Europa com seu dono, Antonio F. Costella, quando este foi dar aulas em uma faculdade de jornalismo de Portugal.

Dotado de muito bom humor, o cão mistura fatos realmente acontecidos a elementos de ficção, e envolve-se em aventuras com vultos históricos notáveis (Napoleão, D. Pedro I, Nostradamus, Júlio Cesar, Marco Polo, e outros) que explicam a história dos lugares visitados durante a viagem. Sempre sob o ponto de vista canino, analisa também aspectos do comportamento animal, e do homem com relação aos animais.

Portugal e Espanha são o cenário de Patas na Europa. No maravilhoso sul da França, ocorrem as aventuras do Patas 2. Peripécias na Itália nos encantam em Patas 3. A fantástica história da Grécia e o retorno ao Brasil marcam o Patas 4.

Comentário: Deliciosos para quem curte cães, história e viagens.  A narração sob ótica canina é uma irônica e charmosa. Uma graça. Vale a pena mesmo. Leiam.  

Quando li, a série era dividida em quatro livros e a foto da capa era do próprio Chiquinho. Recentemente lançaram uma edição com os quatro volumes. A foto é bacana, mas não é o Chiquinho…..



Marley & Eu – E Eu
janeiro 6, 2009, 8:03 pm
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marley7Atenção – O post contém informações sobre o final da história. Se você é um dos 3 seres no planeta que não conhece o final do famoso livro, fuja daqui.

 

E o ano não podia começar diferente. Dia 2, estava eu no cinema, ansiosa para assistir Marley & Eu.

Terminada a sessão, meus olhos inchados e vermelhos chamavam atenção dos demais frequentadores do shopping. Arrependimento? Nenhum. Foi uma experiência e tanto.

Dirão que exagero por ser apaixonada por cães, mas Marley & Eu, além de explorar a relação que temos com nossos amigos peludos, é um filme sobre a vida.

Baseado no best seller homônimo de Jonh Grogan, a versão das telonas conta a vida do autor a partir de seu casamento, focando na relação com o atentado labrador, com a esposa, a chegada dos filhos e sua carreira jornalística, que segue um rumo bem diferente de suas expectativas.

Por incrível que pareça – tratando-se de uma cachorreira como eu – não li o livro. Não consegui. Quando foi lançado, eu tinha acabado de perder a Dara, nossa fox paulistinha. A experiência – que culminou na eutanásia – foi muito pesada, muito sofrida e eu não queria nada me que lembrasse – embora por nenhum minuto daquele ano eu consegui esquecer – do sofrimento dela.

Mesmo continuando a mesma pessoa que não sabe lidar com perda – e acho que nunca aprenderei – com o lançamento do filme, tentei exorcizar minha covardia e fui conhecer a história de Marley.

marleyPor desconhecer a versão do livro, não posso opinar sobre o quesito adaptação. O que posso contar é que a abordagem cinematográfica da vida da família é de uma sensibilidade notável.

John é um cara comum, sem maior carisma (exatamente por isso, Owen Wilson caiu muito bem no papel) e as dificuldades e alegrias que divide com a esposa são vividas por grande parte das pessoas, independente de terem ou não filhos. Sua dificuldade de treinar Marley, sua relutância perante as mudanças, sua indecisão e até insatisfação profissional são questões que quem se compromete com algo ou alguém, sente em algum momento. E a forma suave como tudo foi abordado é o grande mérito do filme.

Claro que a relação com Marley é o foco cômico e o chamariz para lotar as salas de cinema. E a edição privilegiou os momentos hilários, criando clipes divertidíssimos embalados por uma trilha sonora muito bacana. A química dos atores entre si e com os cães que interpretaram o fanfarrão labrador também é ótima e embora seja difícil me imaginar sendo interpretada por Jennifer Aniston, em muitos momentos me sinto como a dona de Marley e imagino que aquele filme podia muito bem ser da minha vida.

E assim a vida segue. Um dia, como ocorre com todos que convivem com cães, a perda é inevitável. Se agradeci por esta parte ser pequena e ficar relevada ao fim, não consegui evitar soluçar no cinema nos tristes momentos finais. Neste ponto, faço uma ressalva: acho que não precisava ser tão visual. Podia ter sido mais suave como foi o restante da narração. Ficou óbvio demais que a intenção foi tornar o filme uma referência em finais lacrimejantes e causar comoção. E como causa.

Se você tem um mínimo de sensibilidade vai chorar com Marley. Se você é daqueles – como eu – que passou na fila do sentimento várias vezes, vai se acabar e vai ter vontade de chorar toda vez que lembrar daquele desfecho.    

Porque na verdade, naquelas cenas finais eu não mais prestava atenção ao filme. Passava pela minha mente várias lembranças de minhas experiências com amigos de quatro patas que já foram desta vida, como foram importantes para eu ser quem sou, como me tornaram uma pessoa melhor. E claro, pensava na minha turminha, em casa, me esperando. E a vontade que deu foi de correr para lá, abraçar meus queridos e fazer tudo que eles querem. Porque a vida deles é muito curta. E porque passa rápido demais.

E o que ficou é a certeza de que Marley & Eu deve ser assistido sim. Porque deve agradar quem tiver sensibilidade.Pois mostra o amor inocente e desprovido de interesses de um cão e a diferença que ele faz em nossa vida. Mostra que as dificuldades de vidas não tão extraordinárias podem valer a pena. Que é importante estar aberto para aceitar algumas mudanças de plano. Que o sucesso nem sempre é o que o inconsciente coletivo te ensina.

E hoje, imagino como John Grogan se sinta. Como Marley mudou sua vida. Como ele, depois de não esperar já mais grandes surpresas da profissão, alcançou e tocou tantos corações como escritor. Nunca é tarde. 

PS – E aquele fofo que interpretou o Marley velhinho na cena mais triste da história do cinema merece um Oscar.