Breakfast at Tiffanys


Fala Raul….
outubro 16, 2008, 9:13 pm
Filed under: No MP3 | Tags: ,

Ouro de Tolo

Raul Seixas

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês…

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73…

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa…

Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa…

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado…

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto “e daí?”
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado…

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos…

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco…

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal…

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social…

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar…

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador…

Coisa de gênio, hein…

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E o rock morreu..
outubro 8, 2008, 8:32 pm
Filed under: Em algum lugar do passado, No MP3 | Tags: , , ,

Não. Claro que não. Continua vivo na lembrança de titias como eu…Mas o bom rock, o contestador, tocado e representado por cabeludos bad boys que deixam os pais de adolescentes de cabelo em pé, este não ressurgiu das cinzas como deveria acontecer ao menos uma vez em cada década.

E eu fico preocupada quando vejo a molecada sem um meio tradicional de gastar a energia excessiva da idade. Falemos a verdade, nada como uma boa banda de rock para criar adultos mentalmente saudáveis….Ao menos, fiquei sabendo que Sandy e Júnior se separaram de vez e que a fantoche de barbie virou senhora casada. Tomara que deixe a carreira de lado. Será um enorme bem à humanidade!

Me perdoem os apreciadores do gênero, mas eu realmente tenho problemas com sertanejos e suas crias. (Não com caipiras, estou falando da safra estragada surgida de Chitãozinhos e Camargos).

Musicalmente Já fui bem mais chata e radical. Confesso que tive uma fase lamentável na volta de Porto Seguro..Mas continuo achando Ivete Sangalo uma ofensa aos meus ouvidos. E provavelmente com esta afirmação estou comprando briga com meio mundo…fazer o que…

Sinto falta de ver a molecada idolatrando uma mega banda. Algo gigante e meteórico, que os faça ir à porta do hotel, acampar na Frente do Anhembi, vestir orgulhosamente a camiseta, que marque época. E não vale falar de Rebeldes ou qualquer boys band. Bandas com coreografia serão rapidamente esquecidas, além de não merecerem atenção da adrenalina juvenil. Não. Tem que ser algo realmente contra os padrões e de certa forma espontâneo.

Falo por experiência. Não há nada tão legal nestes anos de descoberta do mundo, quanto idolatrar uma banda e querer ser seu ídolo ou se apaixonar por ele perdidamente.

E eu fui loucamente, ensandecidamente fissurada por Axl Rose, o líder problemático do Guns N’ Roses. A última grande banda de que tive notícia.

Tudo começou com o pop. De A-Ha, passei rapidamente por Bon Jovi e conheci a verdadeira paixão na transição dos anos 80 para 90, com o Guns. Ao ouvir pela primeira vez Appetite for Destruction, o disco de estréia da banda, eu estava definitivamente inserida no saudável mundo do rock and roll. Portas de hotéis, shows, galerias do rock, camisetas, bolachões e fitas cassetes eram parte do meu mundo. Na era pré internet não era muito fácil ter notícias, ver os clipes, encontrar outros fãs. Mas isto era parte do show e tornava esta árdua tarefa de ser fã ainda mais legal.

Axl era tudo o que os pais consideravam errado. Era a encarnação do rock. E era lindo, divino com seus olhos azuis expressivos e seus cabelos escorridos envolvidos por uma bandana . Serpenteva pelo palco assobiando Patiente e jogava o aparelho de telefone da janela do hotel quando pediam seu número. Parava shows no meio e batia em fotógrafos. Saía com as mais belas modelos, fumava cigarro barato e sorria com indiferença despertando as mais impublicáveis fantasias.

E a lógica disto tudo está no fato de que ele era a tranferência e descarrego de boa parte da carga destrutiva, indolente e problemática da molecada. Eu vivi aquela vida doida na trajetória do Guns enquanto era uma jovem até certa forma comportada e careta. Ouvi os discos até riscar, fiquei de plantão na frente da TV para o lançamento do Use you Ilusion. Fui uma das milhões de jovens que viveram um tórrido romance imaginário com o roqueiro do mau.

E não me interessa o fim que teve, se Axl está gordo e caretíssimo, o que importa é a formação original perfeita e incomparável com Axl, Izzy, Slash, Steve e Duffy e aqueles anos inesquecíveis onde o Hard Rock enlouqueceu meus vizinhos e me fez ser uma rebelde sem causa sem causar problemas.

Ainda curti muito Van Halen, Iron Maiden e um pouco de grunge. Mas nada se compara a avalanche que foi ser fã de carteirinha do Guns.

E me digam se Sweet Child O’ Mine não é a melhor música de todos os tempos, com o riff de guitarra mais legal do mundo?