Breakfast at Tiffanys


Fazendo as pazes com a sétima arte
janeiro 2, 2010, 7:01 pm
Filed under: Nas telas, Sem-categoria

2009 foi o ano em que menos filmes assisti. Fiquei de mal com o cinema. E a culpa não é só da minha má vontade com as temáticas repetitivas das comédias românticas, dos super heróis, brinquedos estranhos, etc.

Pouca coisa interessante foi lançada. E o que poderia render bom divertimento acabou vítima da descrença e até preguiça com as unanimidades. Inimigo Público, por exemplo, acabou na lixeira por pura falta de vontade, de tesão cinematográfico mesmo…

Porém, nem tudo está perdido. No finalzinho do ano cumpri o ritual já tradicional de sentar nas cadeiras do Cinemark enquanto o povo corre para os balneários lotados.  E a escolha não poderia ter sido mais acertada. Deixando Avatar e suas salas repletas de lado, segui minha própria dica do post anterior.

Sempre ao Seu Lado é a adaptação de um famoso conto japonês sobre um cão da raça Akita, chamado Hachiko. Este conto tornou-se símbolo da fidelidade para o povo japonês. ”Hachi”, acompanha seu mestre Parker (Richard Gere), um professor universitário, até a estação de trem toda manhã para vê-lo sair e depois retorna à estação todas as tardes para saudá-lo ao final do seu dia. A natureza emocionalmente complexa do que se revela quando sua rotina descomplicada se interrompe é o que faz da história de Hachi um conto contemporâneo; a devoção fiel de um cão ao seu dono expõe o grande poder do amor e como o mais simples dos atos pode se transformar no maior gesto de todos.

Sinopse da UOL

Cachorro é mesmo tudo de bom. E quando une-se a um maravilhoso ator e uma história real que mais parece um conto de Dickens, nada pode dar errado.

Produzido e estrelado por Richard Gere – que cada dia está mais charmoso – tem o ar do bem que o ator imprime a tudo que faz, e conta uma linda história de pura amizade, lealdade e perseverança – valores cada vez menos valorizados, não… E nada como um cão para dar veracidade ao tema.O cão, aliás, como geralmente ocorre, é o centro das atenções. O olhar meigo e a expressividade do ator canino  são uma lição para canastras em geral. Keanu Reeves que se cuide…

E a sensibilidade equilibrada das interpretações e do roteiro complementam a magia que faz de um filme simples uma grande obra que justifica a existência da sétima arte.  Porque o cinema, mais do que impressionar por efeitos especiais, discutir sociologia e política ou criar ídolos, deve encantar ao contar uma história, seja real ou não.

Confesso: fiquei sem ar no cinema. Não apenas pela beleza madura de Richard Gere, mas porque o filme é tão emocionante que eu queria chorar de soluçar…

Mas não se assuste, o fim é bem diferente da tristeza que sentimos com o Marley. Como disse a Picida nos comentários abaixo, é por pura emoção. Lindo mesmo. Recomendo!

Nem tudo foi perdido

Algumas obras valeram o ingresso:

O Incrível Caso de Benjamin Button – diferente, bem atuado, bela história. Uma pena ter perdido o Oscar para uma produção que será rapidamente esquecida.

Star Trek – JJ Abrams é a esperança. Conseguiu agradar fãs e atrair iniciantes com um filme charmoso e repleto de referências.

UP – Animações são quase sempre divertidas. Essa, além de very funny, é puro encanto!

This is it – O que teria sido o show do século com o maior talento pop que o mundo já viu. Dá um nó na garganta, uma sensação de perda muito grande. Pobre Michael.

Atividade Paranormal- Medo. Muito medo. É incrível como a fórmula reality ficção de A Bruxa de Blair e Cloverfield funciona bem, ainda que não seja mais novidade. Não veja sozinho. É mesmo assustador.

Pura enganação

Algumas coisas realmente me irritaram pela superestima e pelo hype em torno.

O Dia em que a Terra Parou – Além do pior ator do mundo, foi vergonha alheia total..Falta de Noção…

Presságio – Bobagem. Quem mandou insistir com o Nicolas Cage….bem-feito!

500 dias com Ela – Comédia romântica chata com elenco sem carisma que impressionou descolados em geral…Boring…Saudades de Meg Ryan e Tom Hanks juntos…

E tem a interminável lista de títulos que não preciso assistir para saber que odiarei, como qualquer coisa com Selton Mello, Transformers, Velozes e Furiosos, Bruno Che, Se beber não case, O sequestro do metrô,  Os (A)Normais e mais 2012 abobrinhas…



A Flor Mais Grande do Mundo
maio 26, 2009, 9:24 pm
Filed under: Nas telas, Vá ler um livro | Tags: ,

2260416723_284423f938Linda animação de um conto do queridíssimo escritor português José Saramago, narrada pelo próprio.

Se há alguém neste mundo que eu faria questão absoluta de conhecer pessoalmente é este senhor que nasceu com a maestria de embaralhar as palavras para torná-las música aos nossos ouvidos. E entende da natureza humana como poucos, transformando nossas mazelas em fábulas que não me canso de apreciar.
Vida longa ao meu escritor preferido.

Post em seu blog sobre a obra



Hollywood não é mais a mesma
abril 12, 2009, 9:07 pm
Filed under: Nas telas

O que acontece com Hollywood que cada vez fica mais difícil escolher um filme para assistir? Estórias batidas, falta de criatividade e linguagem de videogame dominam os lançamentos do cinema e está cada dia mais raro encontrar o verdadeiro cinemão para passar um divertida tarde ou noite.

Tirando Marley por motivos pessoais e sentimentais, Benjamin Button e Batman são os últimos grandes filmes que me veem à mente quando alguém pede a indicação de um bom filme para assistir. Comédias sem sal ou de humor brega, heróis obscuros, videogames, vida real ou papo cabeça/crítica social é tudo o que restou. Ah, não tenho interesse em assistir uma patética descrição da garota consumista, conhecer a vida de Che Guevara, ver uma idiota corrida irresponsável, um indiano que ganhou no show do milhão ou ainda a vida dura de um político homosexual…Me poupem! Se for para apreciar tragédia, vou ver a queda do Corinthians para a segunda divisão.

E olha que adoro cinema. Adoro. Mas cinema na melhor concepção da palavra: emoção e entretenimento, com certa reflexão. Mas que venha de estórias criativas, narrativas bem feitas e ótimas atuações. Grandes filmes. Trilogias épicas, aventuras divertidas ou um romance realmente arrebatador. 

Sinto falta do filme que vemos comendo pipoca sem perigo de ter indigestão. Falta de campeões de bilheteria. E grandes atuações. A última foi Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas.

Este ano, até então, meu indicado para o Oscar seria o sensacional Michael Emerson, o Ben de Lost. O que esle está fazendo na série é algo para ficar na história. Ou Hugh Laurie de House. Porque parece que os bons atores, os bons roteiristas e a criatividade toda está concentrada nas séries de TV.

Sempre adorei-as. Desde os anos 80. Mas tinha noção de que eram um produto menos elaborado do que o cinema, onde estavam os melhores atores, diretores, as grandes produções. 

Só que tudo mudou. Desde que George Clooney migrou de E.R. para o cinema, muita coisa mudou. Muitos atores estão fazendo o caminho oposto. E é surpreendente a qualidade dos seriados e a inovação em termos de narrativa, direção, roteiro. A criatividade está realmente com elas.

E não falo só de Lost, show que sou declaradamente fã e trato em um blog específico. A série é um marco em vários aspectos. Mas muita coisa boa tem sido lançada para todos os gostos. Das premiadas comédia Third Rock e drama de máfia Os Sopramos a mais nova ficção científica Dollhouse, tem produtos realmente inovadores.

em-terapiaEm Terapia é uma delas. Drama psicológico que mostra a cada dia a seção de um paciente até a terapia do psicólogo, onde você acompanha o desenvolvimento dos personagens na medida em que o terapeuta prossegue sua avaliação e trabalho. Os diálogos são brilhantes, altamente reais. E as interpretações um show. Conduzida por Gabriel Byrne, a série é mesmo uma obra-prima.

house03gHouse é outra excelente amostra da evolução do produto. O drama médico tem a catalizadora presença de Hugh Laurie como o Dr. House, um especialista em medicina de diagnóstico brilhante, mas altamente perturbado. Já na quinta temporada, a série não perde o pique e depois dos últimos episódios, eu me pergunto, como conseguem ser tão bons e criativos após cinco anos de grandes histórias. O nível dramático, reflexivo e aprofundamento psicológico dos personagens é tão espetacular, que foi após o episódio que abordou suicídio que este post não me saiu da cabeça. Não é possível que esta mágica tenha se perdido no cinema…A quanto mepo não me entusiasmo com um filme como fiquei após este episódio…Que pena!

Tem ainda Fringe, outra ficção de alto nível de J.J. Abrams, o criador de Lost. Tem Damages e 24 Horas, que não são da minha preferência pessoal, mas são superproduções que agradam quem aprecia o gênero. E muitas, muitas outras.

ben-stops-lockeE se você gosta de ver atuações primorosas de uma dupla com interação e timing perfeito, que tal ver os episódios que Michael Emerson e Terry O´Quinn fazem conjuntamente em Lost? É algo mágico. E que faz muita falta nas telonas.



Marley & Eu – E Eu
janeiro 6, 2009, 8:03 pm
Filed under: Nas telas, Não vivo sem bicho, Vá ler um livro

marley7Atenção – O post contém informações sobre o final da história. Se você é um dos 3 seres no planeta que não conhece o final do famoso livro, fuja daqui.

 

E o ano não podia começar diferente. Dia 2, estava eu no cinema, ansiosa para assistir Marley & Eu.

Terminada a sessão, meus olhos inchados e vermelhos chamavam atenção dos demais frequentadores do shopping. Arrependimento? Nenhum. Foi uma experiência e tanto.

Dirão que exagero por ser apaixonada por cães, mas Marley & Eu, além de explorar a relação que temos com nossos amigos peludos, é um filme sobre a vida.

Baseado no best seller homônimo de Jonh Grogan, a versão das telonas conta a vida do autor a partir de seu casamento, focando na relação com o atentado labrador, com a esposa, a chegada dos filhos e sua carreira jornalística, que segue um rumo bem diferente de suas expectativas.

Por incrível que pareça – tratando-se de uma cachorreira como eu – não li o livro. Não consegui. Quando foi lançado, eu tinha acabado de perder a Dara, nossa fox paulistinha. A experiência – que culminou na eutanásia – foi muito pesada, muito sofrida e eu não queria nada me que lembrasse – embora por nenhum minuto daquele ano eu consegui esquecer – do sofrimento dela.

Mesmo continuando a mesma pessoa que não sabe lidar com perda – e acho que nunca aprenderei – com o lançamento do filme, tentei exorcizar minha covardia e fui conhecer a história de Marley.

marleyPor desconhecer a versão do livro, não posso opinar sobre o quesito adaptação. O que posso contar é que a abordagem cinematográfica da vida da família é de uma sensibilidade notável.

John é um cara comum, sem maior carisma (exatamente por isso, Owen Wilson caiu muito bem no papel) e as dificuldades e alegrias que divide com a esposa são vividas por grande parte das pessoas, independente de terem ou não filhos. Sua dificuldade de treinar Marley, sua relutância perante as mudanças, sua indecisão e até insatisfação profissional são questões que quem se compromete com algo ou alguém, sente em algum momento. E a forma suave como tudo foi abordado é o grande mérito do filme.

Claro que a relação com Marley é o foco cômico e o chamariz para lotar as salas de cinema. E a edição privilegiou os momentos hilários, criando clipes divertidíssimos embalados por uma trilha sonora muito bacana. A química dos atores entre si e com os cães que interpretaram o fanfarrão labrador também é ótima e embora seja difícil me imaginar sendo interpretada por Jennifer Aniston, em muitos momentos me sinto como a dona de Marley e imagino que aquele filme podia muito bem ser da minha vida.

E assim a vida segue. Um dia, como ocorre com todos que convivem com cães, a perda é inevitável. Se agradeci por esta parte ser pequena e ficar relevada ao fim, não consegui evitar soluçar no cinema nos tristes momentos finais. Neste ponto, faço uma ressalva: acho que não precisava ser tão visual. Podia ter sido mais suave como foi o restante da narração. Ficou óbvio demais que a intenção foi tornar o filme uma referência em finais lacrimejantes e causar comoção. E como causa.

Se você tem um mínimo de sensibilidade vai chorar com Marley. Se você é daqueles – como eu – que passou na fila do sentimento várias vezes, vai se acabar e vai ter vontade de chorar toda vez que lembrar daquele desfecho.    

Porque na verdade, naquelas cenas finais eu não mais prestava atenção ao filme. Passava pela minha mente várias lembranças de minhas experiências com amigos de quatro patas que já foram desta vida, como foram importantes para eu ser quem sou, como me tornaram uma pessoa melhor. E claro, pensava na minha turminha, em casa, me esperando. E a vontade que deu foi de correr para lá, abraçar meus queridos e fazer tudo que eles querem. Porque a vida deles é muito curta. E porque passa rápido demais.

E o que ficou é a certeza de que Marley & Eu deve ser assistido sim. Porque deve agradar quem tiver sensibilidade.Pois mostra o amor inocente e desprovido de interesses de um cão e a diferença que ele faz em nossa vida. Mostra que as dificuldades de vidas não tão extraordinárias podem valer a pena. Que é importante estar aberto para aceitar algumas mudanças de plano. Que o sucesso nem sempre é o que o inconsciente coletivo te ensina.

E hoje, imagino como John Grogan se sinta. Como Marley mudou sua vida. Como ele, depois de não esperar já mais grandes surpresas da profissão, alcançou e tocou tantos corações como escritor. Nunca é tarde. 

PS – E aquele fofo que interpretou o Marley velhinho na cena mais triste da história do cinema merece um Oscar.



Inspirações
setembro 23, 2008, 9:00 pm
Filed under: Em algum lugar do passado, Nas telas | Tags: , ,

Enquanto o tempo de escrever está escasso, deixo aqui um dos momentos que faz o cinema ser eterno.

O filme é Breakfast at Tiffanys – não por acaso, o inspirador do nome deste blog.

A canção é Moon River – vencedora do Oscar e um dos mais inspirados momentos de Henry Mancini.

E a intéprete é Audrey Hepburn, a mais elegante e clássica atriz de todos os tempos. Uma inspiração à feminilidade que todas temos.

Nada mais a comentar. Palavras se tornam desnecessárias



Até o fim dos dias
setembro 18, 2008, 7:53 pm
Filed under: Nas telas | Tags: , ,

Sempre que releio as obras de Tolkien, não posso evitar um quê de deprê. Não que suas históras sejam depressivas, longe disto. O triste é saber que ele nunca mais escreverá nada. Que o que temos é tudo que o que restou. Nenhuma palavra mais sobre a Terra média sairá da grafia do seu inventor.

O mesmo acontece quando escuto as músicas Índios Pais e Filhos. Renato Russo nuca mais escreverá nada tão bonito. Não teremos mais novos versos de amargura poetizada.  Só resta apertar o repeat e tentar interpretar de forma diferente cada frase, encontrar novas nuances no que já foi dito.

E assim segue com os filmes de Paulo Autran e Audrey Hepburn,  os poemas de Drummond e Fernando Pessoa, a voz de Frank Sinatra e Ray Charles  e tantos outros.

A sensação de finito, de saudade do que eu ainda não vi – para citar Renato Russo – me pegou desprevenida neste fim de semana ao assistir o último trabalho de Heath Ledger em Batman Cavaleiro das Trevas. Sua atuação é tão impressionante que o filme se torna uma referência universal em vilania. Seu Coringa é um espanto de insanidade e rouba a cena até nos momentos em que não aparece. Você segue o filme esperando sua aparição, clamando por mais uns minutos da interpretação assustadora.

O trabalho de caracterização foi perfeito. Ledger incorpora maneirismos sem cair na armadilha da caricatura. O time é detalhadamente acertado, com o tom cínico e cômico perfeitamente sincronizado com o sarcasmo de um lunático. Não há como não crer nas infinitas possibilidades de maldade que o Coringa é capaz de conjecturar.

Ouso afirmar que a interpretação do jovem ator falecido recentmente ultrapassa de longe a de Jack Nincholson no Batman de Tim Burton.

Claro que o roteiro ajudou. Diferente da primeira série de filmes, Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas são filmes densos (sim, intelectuais – para ser denso não é preciso ser falado em um idioma de minorias e conter tomadas fechadas de 10 minutos em algum ponto do nada) , com questionamentos éticos, violência. Mas o que Ledger fez é inacreditável e mostra o que o cinema perdeu. Quantas outras atuações brilhantes os fãs da sétima arte não perderam…

E será lembrado. Até o fim dos dias.



Indiana Dog
agosto 21, 2008, 7:44 pm
Filed under: Nas telas, Não vivo sem bicho | Tags: , ,

Indy Dog

Inspiração sem limite, os peludos influenciam até as grandes mentes do cinema. O genial George Lucas, “pai” de Star Wars e Indiana Jones, por exemplo, imortalizou seu cão Malamute do Alasca, Indiana.O cão foi a inspiração para a criação do personagem Chewbacca, o macacão wookie simpático, companhia inseparável de Han Solo. “Meu cão Indiana costumava andar comigo no banco da frente do carro. Ele era imenso, e sentado ali, parecia maior do que uma pessoa. Esta imaggem ficou em minha mente e foi a inspiração para Chewbacca surgir”, contou Lucas.

Indy humano

Indiana batizaria ainda outra importante criação do cineasta: o conhecidíssmo arqueólogo Indiana Jones, claro. No terceiro filme da série, A Última Cruzada, o cão teve destaque especial. Na cenas da adolescência do herói, foi apresentado oficialmente como o cão da família Jones, representado com um ator canino da mesma raça, inclusive.

Este fez história em Hollywood!

Ps- o recente aguardadíssimo filme da série, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é diversão certa!