Breakfast at Tiffanys


Haja paciência
março 24, 2010, 5:52 pm
Filed under: Sem-categoria

É fácil ser controlada, gentil e ponderada quando a agenda do dia – de atividades úteis, claro – é bem resumida. Difícil é manter a paciência em casa, com marido, no trânsito, com clientes, pai e mãe, vizinho e desconhecidos quando você está envolvida em trocentas atividades e tem uma porrada de coisas nas costas, não tem empregada mensalista, nem quem te faça comida ou abra a casa para refeição todo dia.

Daí que percebi que não sou tão maluca descontrolada quanto pensava e quanto as pessoas me julgam também. Porque manter uma relativa ordem e tudo quase em dia ainda com a vontade de provar pra todo mundo e pra você mesma que seu tratamento faz efeito é complicadinho, senão até cruel.

Quantas vezes da vontade louca de surtar quando lembra de quanta pauta está te esperando, quanto gente tem que achar, conversar e quanto coisa tem para escrever e de quantas chefes tem que se reportar. Além de manter a casa habitável – nada de organizada, só morável – e cuidar dos cachorros – limpar a sujeira, por comida, dar remédio, escovar e dar atenção – e lembrar dos compromissos, das contas e ligar pro tiozinho trazer ração e água, e ter roupa limpa para usar.  Ah, e tem que comer, porra! Cacete, quem quer trocar meu fogão por tiquete refeição? Ah, se desse para comer marmitex todo dia!

Por isto tudo tenho vontade de socar as dondocas que não fazem nada e o marido sustenta. Ou aquelas que largam o trabalho, põe empregada em casa todo dia e dizem que só vão se dedicar pro pentelinho do filho o resto da vida.  Ah, vocês me envegonham, inúteis.

Tenho uma ex amiga que fez isto. Nossa, como virou babaca, perdeu essência, perdeu seu eu. Virou uma sombra. Boba, boba, deixa o marido humilhar na frente de amigos. E ainda se sente acima das proletariadas que são produtivas. Ah, não consigo conviver com expectros de alguém que conheci.

Agora me diz, como se mantém a paciência quando você vive contando minutos e olhando no relógio para saber se vai dar tempo de fazer tudo e ainda poder se divertir um pouquinho. Porque se isto não der, pára tudo que eu desço. Se não tiver o mínimo de divertimento no meu dia, vou pedir bolsa família. Ah, não posso porque não tenho filho e só quem colabora para a superpopulação da Terra tem direito, né…Até nas casas de caridade é assim: quanto mais você pari, mas mamata tem…E quem não procria ainda tem que ouvir umas donas chatas te enchendo o saco e jogando praga que não adianta evitar “porque quando deus quer..”. Ah, vai para Piiiiiiiique iu!” Se eu ficar grávida, vou mandar pra tiazinha criar…

E então, lá vai a paciência de novo porque tem uns desgraçadinhos que descem sua rua  e chutam seu lixo, espalhando tudo na sua calçada e na do vizinho. E porque eu prefiro catar lixo do que ser um lixo, eu vou lá e recolho no fim do dia. E se tivesse pegado o verme que fez isto eu enfiava a cara dele na merda do meu cachorro que tava no lixo – seria até ofensa para a merda porque ela ao menos tem função na sociedade. Mas se eu fizesse isto, a vagabunda da mãe que colocou o desgraçadinho no mundo ia me processar.  E se eu tivesse um filho quem diz que eu não seria a vagabunda e fosse ele o desgraçadinho?

Tudo isto sob calor escaldante duma latrina tropical.

Agora me diz. Quem tem paciência?

PS – Não, não odeio as donas de casa, nem todos que têm filhos. Só deprezo mulheres que estão nadando em saúde e não prestam para nada na vida e peço aos pais que dêem educação ou mantenham suas crias longe de mim e do meu portão!

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12 Comentários so far
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DESABAFA mesmo Kááá! Adorei! Em alguns momentos, seu discurso ficou até um pouco engraçado! Desculpe, amiga! É que eu me vi na cena e não aguentei, dei risada mesmo! hahaha

Olha, eu no momento estou desempregada (procurando e procurando outro emprego, mas tá difícil hein?)… mas virei praticamente uma empregada doméstica, né? hahaha Também ficar em casa o dia inteiro e botar empregada pra cuidar de tudo é cúmulo da vagabundice! Mas entendo perfeitamente o que você está dizendo!

Até dezembro eu vivia surtada, exatamente na mesma situação que você! Não tem como ficar na boa com cabela cheia, com uma série de preocupações, com o cansaço, com tanto peso nas costas… Quer dizer, tem gente que até consegue.

Não faço parte deste grupo seleto de mulheres controladas no pico do alto estresse!

Um beijo e boa sorte por aí!
😉

Comentário por Mi

CABEÇA * – corringindo ali em cima!

Comentário por Mi

Como diz o meu Vini, ‘Não mexe na minha paciência!…’.
Querida sobre o rock, sabe que não foi com tristeza que escrevi aquilo. Tenho há alguns anos feito diversos exercícios com a minha mãe. Acho que com o tempo, tenho passado por várias fases. Tristeza senti quando escrevi no Natal há 2 anos, acho até que você me escreveu algo. Enfim, experimentei raiva, tristeza, saudade, alegrias, gratidão… Tem algumas fichas caindo. E dia desses ouvi aquela música e cismei de prestar atenção na letra. Vou lhe contar um segredo: sou meio alienada. Tem músicas que canto toda feliz da vida e quando caio em mim (muiiiiiiiiito tempo depois) vou entender o que estou cantando. Foi isso o que aconteceu com esta canção, que desde que me entendo por gente amo. Só nunca imaginei que ela refletisse tão bem os meus quereres. Hoje ver estas diferenças me é tranquilo, natural. Já foi infinitamente mais pesado, dolorido. Sinto que estou no meio de um processo de limpeza, de novas descobertas sobre o mesmo tema. A escrita tem me ajudado muiiiiiiiiito. É também um trabalho de paciência, paciência essa que durante muito tempo achei não ter. Começo a pensar que tenho é paciência demais com a falta de educação alheia… Sobre organização, participo de um grupo na internet que me ajudou muito a manter a sanidade do lar e principalmente a minha… rs (se quiser, te passo por email). Beijos

Comentário por luciana

Espero que eu seja uma boa mãe mesmo, Ká! Vejo cada criança por aí e penso: será que não souberam educar ou ela nasceu assim, com essa personalidade?! MEDO! haha

Mas é bem isso mesmo; amadurecer na hora certa, pra evitar aqueles adultos que vivem na Terra do Nunca e têm crises de identidade fora de hora!

Um beijo, querida!

Comentário por Mi

Ka, trabalho de casa enlouquece até a mais sã das criaturas! Não tem fim, não tem folga e só é percebido quando deixa de ser feito.
Conte até dez, respire fundo e volta e meia faça uma catarse aqui.
Também faço parte do grupo das sem-empregadas e acumulo dupla jornada. Por isso te entendo.
Seu post sobre medos me inspirou.
Beijos!

Comentário por lucy in the sky

Assisti 15 minutos do 1o tempo, quando sairam 2 ou 3 gols… rs Depois fui passear! rs Pela zona que ouvi no ap de uns amigos, imaginei que o Corinthians tivesse ganhado… rs Mas fala sério, se espremer todos os times, não dá um excelente! Esse povo ganha muito prá não fazer nada!!!!!!!! rs Beijossssssss! Fora gorducho! rs

Comentário por lu

brincadeira… ainda gosto do pipoqueiro!

Comentário por lu

Casada e sem filhos. Adivinha porque… eu não daria conta. Com certeza iria por mais um al educadinho no mundo rsrs
Nunca quis ter marido me sustentando, nunca quis abrir mão do meu sobrenome de solteira. Virar nome do marido. Tipo: Marta Suplicy ( não é sobrenome do marido, agora ex?) fica tão sem identidade…
Enfim, mas as vezes,qdo estou cansada confesso que um marido rico tipo Eike Batista, me faria desfilar feliz com uma bela coleira de brilhantes…

Comentário por picida ribeiro

Põe pra fora tudo o que está te incomodando. Tá certa!!!
Vou ser beeem sincera: tem dias que morro de inveja da Paris Hilton. Por que também não nasci milionária? Mas só sinto isso quando acordo para trabalhar depois de uma noite mal dormida. hahaha
O mundo está lotado de mulheres que colocam filho no mundo como se fosse a coisa mias simples do mundo para se fazer. Eu quero ser mãe sim, mas quando eu puder dar para ele uma vida digna, poder me dedicar, educar e pensar nele. Não dá para parir, jogar no mundo e depois chorar na TV quando o pobrezinho foi assassinado. Ó sociedade injusta!
Todo mundo quer fazer tudo, mas ninguém quer assumir suas responsabilidades.
Sinto muita vergonha de mulheres como sua ex-amiga. Como ainda existe esse tipo? Nojo!
Beijos

Comentário por Mari

Oi, Ká!

Muito legal esse site que você disponibilizou o link, o “Adote um Vira-Lata”. Entrei ontem e vi uma cadelinha chamada Pety, que foi encontrada na rua com um ferimento no olho (por conta disso está cega)! Linda, linda! Liguei hoje pra pessoa responsável por ela para saber como adotá-la, mas não consigo falar no telefone de jeito nenhum. Tentarei mais tarde! A Meg precisa de uma companheira, a Pety precisa de muito amor e eu me apaixonei por aquela coisinha! 🙂

Um beijo!

Comentário por Mi

Oi, Ka! Quanto tempo, hein? OLha, adorei o desabafo. Penso igualzinha.rs Bjos e Feliz Páscoa!

Comentário por Clécia

Ká, passei o fim de semana ligando pra pessoa que está com a Pety e nada! Ela não atende e também não retornou ao recado que deixei! Darei uma olhada no outro site que você deixou! Esse fim de semana vimos um anúncio de doação de uma cadelinha muito fofa, mas graaande. Vou morar num apartamento maior, mas ainda é um ap. Logo, tem que ser uma pequena ou de médio porte! 🙂

Um beijo, querida!

Comentário por Mi




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