Breakfast at Tiffanys


Cansei. Ainda e novamente.
setembro 8, 2009, 8:29 pm
Filed under: Sem-categoria

Não sei o que é direito. Só vejo preconceito
E a sua roupa nova. É só uma roupa nova…

…Você com as suas drogas. E as suas teorias
E a sua rebeldia. E a sua solidão
Vive com seus excessos

….Você é tão esperto. Você está tão certo
Que você nunca vai errar.

Mas a vida deixa marcas.  Tenha cuidado
Se um dia você dançar.

Nós somos tão modernos. Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais…

A Dança, Legião Urbana

Pois eu ainda to cansada desta babel virtual cheia de verdades absolutas e mentiras deslavadas. Não sei o que mais me entedia, se é a banalização do clichê, que o torna caricatura de si mesmo, a burrice charlatã dos pseudo qualquer coisa ou a vulgaridade da massa acéfala…

Parece que bateram no liquidificador todos os esteriótipos de senso comum junto com a arrogância dos intelectuais de carteirinha que precisam sempre se sentir acima do pedestal que faz parecer que todo ser pensante é impossível de conviver.  E o resultado foi um vômito de preconceitos, bobagens e opiniões desnecessárias.  Inclusive as minhas.

Por que todo mundo resolveu falar sobre tudo?

O que assusta é identificar uma série de comportamentos radicais e esnobistas em quase todos os lugares. E em minhas ideias também.

Ah, cansei de ler as visões de todos sobre tudo. Não tenho paciência para ficar trabalhando na terapia o porque de tantas coisas me incomodarem. Cansei de tentar entender por que um careca de terno menosprezar o meu escritor me deixa irritada ou por que um moleque despejar veneno contra um poeta homossexual indica a volta do nazismo ou por que uma adolescente repetir o discurso da intelectual professora que eu abominava é tão pobre. Cansei de ligar o computador todos os dias e abrir as portas para o mundo de intolerância que me lembra das minhas próprias…

É que aí o Renato Russo  sopra no meu ouvido que não quero lembrar que eu julgo também. Que desprezo e rotulo e disperço fúria para novela e Big Brother.  Para bandas fabricadas de garotos bonitinhos e axés e afins, programas de auditório e qualquer coisa que tenha mero traço de popularesco. Que também rotulo pessoas pela religião, por gostarem de carros, por gastarem muito dinheiro, por fazerem ginástica e por não lerem, ou comprarem revista de fofoca.   E isto tudo me faz ser tão irritante quantos todos os que parecem estar acima do nível do mar de intelecto superior… Elitismo  repugnante.

Percebi que somos todos exatamente uma parte do insuportável mundo dos que sabem tudo. E me sinto hoje  muito aquela colega da faculdade que era a caricatura do esteriótipo da estudantes de jornalismo e que todo mundo achava muito chata. Aquela que falava sobre tudo e tinha opinião formada sobre qualquer assunto e ao mesmo tempo que defendia as minorias e gritava contra o preconceito com negros e homossexuais, era agressiva e intolerante com quem discordasse de qualquer avalição elitizada dela sobre literatura, cinema, música, política e até futebol. Isto tudo com vinte a e alguns anos. Se aos 36 já sei que não sei de nada, imagine aos 20 e poucos…

Não, não era eu. Mas acho que me pareço com ela hoje. Por que me pego julgando e avaliando. E por mais que eu me recuse a repetir opiniões só porque parecem cool, acabo tendo alguns conceitos tão preconceituosos exatamente com as pessoas mais irritantes que cospem palavras intolerantes aqui e acolá…

Não, não quero ser a pessoa que repete o que já leu em algum lugar algum dia ou que ouviu em algum canal que parece intelectual. Mas nem sabe do que fala…Não quero entrar em discussões sem nexo sobre literatura sem metáforas e usar palavras que acabei de pesquisar no google. Ou me propor a defender porque não tenho nada contra o Paulo Coelho ou explicar o que me prende nos livros de Dan Brown… Não vou seguir a cartilha das panelas intelectualóides de mentes pensantes.

lisa_romance

Ah, liberdade, ainda que tardia.

É preciso tanto para se explicar. Mas não preciso de nada para me sentir bem.

E se for para ter um guru, que seja a Lisa Simpson!

Ps – passei o fim de semana usando o pc exclusivamente para downloads. E foi tão libertador.

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5 Comentários so far
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Ponderações interessantes. E pensando cá com meus botões sobre uma delas… não aprecio Paulo Coelho (sei que você curte) por gosto literário mesmo. Não por discriminação acadêmica, postura mais que abjeta.

Beijocas na Ka!

Comentário por Selma Barcellos

😉 Por isso que eu quero ser igualzinha a ti qdo crescer…

Comentário por Lucí

Sabe, Kazinha… às vezes tenho cá pra mim que somos redundantes, porque vez ou outra, sentimos isso, essa opressão do mundo moderno, com suas falas, gestos, coisas, mas somos parte dele. E aí, fico achando que não tem como fugir. Isso me dá um pouco de angústia. E você nem sabe o quanto!
Adorei o post, acho que Lisa é um bom modelo de Guru, pode crer…rs
Um cheiro bem grande e um bom fim-de-semama (de preferência beeem libertador também)

Comentário por Dora

Todos esses pensamentos um tanto que conflituosos são inerentes de cabeça e almas de poeta. Sensibilidade dessa geração, dos dias de hoje.
Esses conflitos que as vezes até te angustiam, fazem pensar, analisar e nos faz melhor. sempre um pouco melhor.
E quem sabe até um pouco mais tolerante com o que nos parece diferente.

Comentário por picida ribeiro

Ka, eu entendo bastante o que você escreveu. E sei que você vai odiar meu post porque escrevi sobre novela. hahaha. Mas não tem problema, sei que nos respeitamos e nos entendemos, mesmo quando discordamos.
Tenho passado cada vez menos tempo no computador (leia-se internet) por causa de tudo isso que você descreveu e outras coisitas mais.
Só uma coisa: há muito tempo abandonei o “diga não ao preconceito” porque percebi que isso é impossível. Claro que não me refiro a preconceitos raciais ou sexuais, esses são repugnantes. Falo das preferências. Por exemplo, você odeia novela, eu não tenho nada contra e é normal que você me julgue por isso. Eu tenho pavor de adolescentes emos e teria um treco com um filho assim. rsrs
Faz parte do ser humano que sempre tenta ser superior a tudo e todos, porém cada vez mais demonstra o quanto é igual.
Beijossss

Comentário por Mari




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