Breakfast at Tiffanys


Trovador
agosto 14, 2009, 7:16 pm
Filed under: Sem-categoria

renatorussoAinda desconectada do tempo atual, sinto cada dia que passa mais saudade. E entre todos os referênciais positivos de outras eras, o que mais tem estado na minha mente e no meu coração é Renato Russo.
Poeta da minha geração, execrado por tantos, amado por outros, Renato sempre me fez refletir, me fez sentir conectada a uma era, a uma dor. Ele fazia parecer ser outsider ou atormentado algo tão lírico. E falava tantas verdades. Uma poesia sem arabescos, sem frescuras, direta, mas nem por isto menos bela.
São tantas frases perfeitas, tantas verdades, que é difícil selecionar umas poucas para ilustrar. Entre tantos mantras que ficaram na minha mente ao longo dos anos, adoro Índios e o lamento de quem me dera ao menos uma vez para tantas coisas.
E a lucidez política ainda tão verdadeira de Que País é Este e Perfeição celebrando toda a estupidez humana e toda a sujeira física das periferias e moral do Senado. Nada soa tão atual. Triste.
A natureza humana vista por alguém que tinha uma dor tão profunda com tudo que não podia mudar, uma amargura misturada com otimismo que dizia que a humanidade é desumana, mas ainda temos chance com conceitos budista porque toda dor vem do desejo de não sertirmos dor.
Fica claro que Renato sofreu muito mais do que a maioria das pessoas porque enxergava muito mais do que a maioria delas. Ele tentou 29 vezes lidar com o mundo, mas foi vencido pela dor da genialidade e da sensibilidade. Nunca conseguiu espanar a poeira escondida pelos cantos da sua depressão.
Tanto falou de amor, na maioria das vezes inspirado pela paixão que sentiu – acho que até a morte – pelo grande amor da sua vida, o Scoth. Assumiu a homossexualidade bem antes das paradas gays, de Brokeback Montain e pediu  viver a minha vida em paz, chega de opressão. E cantou a perda como um Vento no Litoral e seus cavalos marinhos. Falou tanta coisa, cantou o bem contra o mal e deixou tanto ainda a ser dito.
Fico pensando o que ele falaria hoje. Como veria a internet, o PT no poder e o mensalão, os realitys shows…será que ele teria um blog? um twitter? Acho que estaria mais infeliz do que nunca.
É incrível a falta que faz uma referência de lucidez insana. Porque ele era exatamente assim: dizia coisas incrivelmente verdadeiras com aquela paixão típica das mentes atormentadas.

É triste não mais contar com sua presença forte em palavras e voz. Mas também é triste que depois dele ninguém mais falou nada. Ninguém conseguiu exprimir nada. Parece que não se sente mais nada.
E ele que dizia talvez não ser daqui traduzia tudo tão bem. E o que é que ficou?

ps – estranho. RR morreu com minha idade, 36.

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11 Comentários so far
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Ka, depois passa lá em casa. Talvez você entenda os porquês do Renato Russo.
Beijos.

Comentário por lucy in the sky

Leiam o post da Lucy, povo!!! é imperdível!

Comentário por Ka

Do alto de meus 53 anos não posso dizer que tenha sido assim uma grande fão de Renato Russo, mas tambem não posso negar seu potencial seu conteudo, seu talento. Figura e artista impar.Não sei qual espaço teria nos dias de hoje gente com sensibilidade assim.
Quem ficará para a saudade de proximas gerações?

Comentário por picida ribeiro

Picida,
Também me questiono isto: de quem se terá saudade nos próximos tempos? (se é que eles virão..)
Bjs

Comentário por Ka

Ka, eu assino embaixo de tudo o que você falou e concordo a Picida aqui em cima sobre quem vai ficar na saudade nas próximas gerações.
Só não estou gostando muito desses seus pensamentos… Vamos melhorar esse astral, hein!
Beijos e se cuida!

Comentário por Mari

Oi, querida!
Eu to bem…como diz RR, “consegui meu equilíbrio cortejando a insanindade” hehehehe.
Liga não!!!
Mais um estranho para a coleção: deixei a mesma frase de despedida no comentário que fiz no seu post!!!
Bjocas

Comentário por Ka

Fico pensando mesmo por que tanta gente boa e criativa para o bem se vai, e tantos trastes permanecem… Renato poderia estar até hoje nos fazendo pensar com suas letras inteligentes e sensíveis…

Beijocas na Ka.

Comentário por Selma Barcellos

Parece que trastes têm vida eterna né Selma!!!
Já o que é acima da média, perece com facilidade.
Bjocas

Comentário por Ka

Post excelente, Ka. Falou tudo que devia. Nem menos e nem mais. Engraçado, semana passada enquanto ouvia uma gravação dele ao vivo, ele mesmo comentava que apesar de algumas letras serem de um tempo atrás, ainda continuavam muito atuais. E ainda hoje, né?!
Eu, particularmente, tenho nele um grande referencial também. Ele sabia escutar a alma.
E eu sempre achei que as melancolias e tristezas têm muito mais sabedoria do que as alegrias (não desmereço as alegrias e nem faço uma média melodramática, mas sempre penso isso.)
Um cheiro grande, Ka.
*e eu sou muito introspectiva, muito mesmo*

Comentário por Dora

Obrigada, Dora! Adorei teu comentário!
Bj

Comentário por Ka

Renato Russo para mim não é apenas um referencial, ele é O referencial. Uma mente brilhante, uma alma ofegante, não pelo cansaço de tempos corridos ou de dores pesadas, mas ofegante porque os melhores momentos da vida são feitos nas perdas de fôlego. Este soube respirar um ar diferente, em momentos de uma melacolia genial e perfeita sintonia com um mundo que le acreditava ter jeito de transformar-se num mundo humano…Renato disse:”EU ADORO SER IDOLATRADO…ME AMEM” e eu digo EU TE AMO, NÃO PORQUE ÉS ÍDOLO, MAS PORQUE ÉS HUMANO NUM MUNDO SEM HUMANIDADE…

Comentário por Cássia Gomes




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