Breakfast at Tiffanys


Os eights
agosto 10, 2009, 8:55 pm
Filed under: Sem-categoria

Nunca tinha tido uma saudade tão forte do que já vivi. Saudade dos anos 80, onde nossa vida não tinha como referencial o tempo do clique do mouse. E era muito mais simples sentir satisfação com as coisas.

Os clichês e o consumo daquela década parecem tão ingênuos e menos acelerados do que nos acostumamos que toda a filosofia yuppies daquela década está mais próxima da filosofia dos monges budista do o pensamentos de uma criança de ensino fundamental de hoje.

É triste quando percebemos que nos tornamos aquela velha que rejeita o novo com mil argumentos de como era melhor na sua época. Mas tenho muita saudade de quando a juventude era apenas uma banda numa propaganda de refrigerante porque agora, eu presto atenção no que eles dizem mas eles não dizem nada. E Engenheiros do Hawai se transformou num verdadeiro bálsamo de sabedoria….

Mas está tudo tão rápido e fulgaz que irrita. Os celulares, ipods, mypods, desktops e toda a parafernalha que nos cerca são piores do que as máquinas da Skynet do Exterminador do Futuro. E cada vez mais escravos não percebemos que é impossível parar de atualizar sua máquina para ser feliz. Mas já não basta. É preciso jogar sua placa mãe no lixo – ela já não serve. Você não serve.

E seu filho vai querer um celular mega moderno porque lá na escolinha todo mundo tem. E vai se transformar num monstrinho consumista enquanto você assiste do pc de casa – das câmeras que vigiam e comprovam que ele está bem longe dos moleques da rua. Só que vc já não consegue mais perceber que o amiguinho da escola do teu filho, que é filho do babaca do teu vizinho racista e homofóbico está fazendo a cabeça dele para se torne tão estúpido pequeno burguês quanto teu irmão virou.  O tristeza!

Eu lembro que em meados dos anos 80, quando conhecemos o vídeo-cassete, aqui no ABC, era uma festa ir na Áudio Locadora, lá no centro da cidade e escolher os filmes nas fichinhas mesmo. E a gente assistia e ficava feliz com qualquer filme. Porque era mais fácil ser feliz e eu sabia me contentar com pequenas alegrias. Porque hoje eu baixo toneladas de filmes que não vou ter tempo de assistir e acabo vendo alguns, sozinha com a insônia, e acho tudo muito chato.

Eu perdi a essência. Acho que todos estamos perdendo. Porque gravar do rádio a música de Flashdance era muito mais legal do que baixar na internet. A sensação de prazer de ficar esperando a música tocar era muito maior e durava muito mais. E será preciso cada vez mais para que consigamos alcançar um mínimo de satisfação. O HD de 200 já é pequeno e a mente nã assimila dificuldades. O Giga já virou Tera – ou seja lá o que for…

Ainda bem que escutar Lulu Santos continua me deixando de tão bom humor quanto antes. E que pena que a molecada não escuta. Porque se vc conseguir continuar azedo e inacessível à sensibilidade e xingar quem nem conhece na comunidade do filme que você não gosta ouvindo O Ultimo Romântico, não vai ter fluoxetina que te ajude…

Talvez seja apenas uma saudade que queira me levar lá onde eu não tinha tanto trauma. Onde minha mãe e meu pai não tinham explicação karmica sobre o sofrimento para todas as perguntas da vida e minha melhor amiga não estava tão longe e meu irmão era uma criança doce em vez do tonto burguês que é hoje. E eu me divertia ouvindo música no quarto e nem imaginava que minha cachorra ia morrer. E eu não tinha tanta mágoa porque não tinha descoberto que me sentia rejeitada. Talvez não tivesse escutado tantas vezes ainda todos os adjetivos pejorativos que ainda ouviria pela vida.

E só porque minha salvação está aqui nos dias de hoje,  do meu lado todos os dias não importa o que aconteça. Só por isto, vou engolir a saudade, tentar me livrar de alguns vícios deste milênio difícil. E ficar aqui no presente. Por você, meu marido.

“Mas o teu amor me cura de uma loucura qualquer. É encostar no teu peito e se isso for algum defeito por mim tudo bem”

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8 Comentários so far
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Primeiro eu vou falar que você atendeu o povo: foi e voltou rápidooooo!

Beijocas.

Daqui a pouco comento o post. :~D

Comentário por Selma Barcellos

Ka, voltei para dizer que “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia/ tudo passa, tudo sempre passará/ como uma onda no mar, como uma onda no mar…”.
Bom mesmo é ter do que se ter saudade. É vida vivida…

Beijocas.

Comentário por Selma Barcellos

Eu que já vivi as decadas de 60/70/80/90 posso dizer que voce está com muita razão, ou razão em quase tudo.
Quase que os anos 80, foram os últimos… Os suspiros de humanos com qualidade…
Não é conversa de mais velhos, eu adoraria poder dizer que tudo foi melhorando. Para se ter uma ideia, meu marido nos anos 80 coimprou video cassete num consorcio. Existe coisa melhor no consumo, que a expectativa de um dia ter?Fazer planos, sonhar… Juro que é melhor que ter 24 vezes das Casas Bahia e quando acabar de pagar o modelo já está out.
O dinamismo de agora transformou valores do TER mais importante que SER,não me acostumo com isso.
Letrs e musicas, meu Deus!!! Anos 90 só sertanejo e axé!!!
Dias melhpres virão? “A Vida vem em ondas, como o mar, no ir e vir do infinito”???

Comentário por picida ribeiro

Oi minha flor!
Sinto falta dos tempos que não vivi, muito antes dos anos 60… Ainda assim vivi intensamente os anos 80, graças a Deus não tinha grana prá comprar tudo que era moda na época! rs Vejo as fotos daqueles anos e sinto um alívio de tudo mais basiquinho que eu usava… rs Dancei muito no Aramaçan! Sabe seu texto me lembrou o primeiro rock in rio. Eu amava loucamente o Lulu Santos, mas vê-lo com cara de drogado total rompeu algo muito puro em mim. E apesar de continuar cantando e dançando as músicas dele até hoje, meu amor pela pessoa dele nunca mais foi o mesmo, nunca mais a força daquele amor, nunca mais a ingenuidade dele… Naquela época eu acreditava na força dos amigos verdadeiros, fico feliz que isso não tenha mudado, continuo cada vez mais confiante nisto… Sinto muitas saudades daquele tempo mais ingênuo, mais leve, mais solto ao vento… E faço o que posso para manter o frescor de algumas coisas daqueles dias vivo até hoje.
Técnicas de respiração e meditação ajudam-me muito a manter a serenidade e sã em meio a tantos ruídos que insistem em poluir tudo por aí…

Aceito o telefone da tia… antes que seja preciso a camisa! rs

Beijos malucos total

Lu

Comentário por Lu

Também eu estou no mesmo sentimento que você. Lindo texto.
Vou passar a seguir o seu blogue.
Um abraço
Anad

Comentário por Anad

Ka, eu também me pego com uma puta saudade do tempo em que liberdade era “uma calça velha, azul e desbotada”.
Tenho nostalgia dos anos 80, e como sou mais velha, também sinto falta dos anos 70, da era de Aquario, do misticismo reinante.
Certa vez jurei para mim mesma que jamais seria uma adulta amarga, que acharia que as coisas “do meu tempo” é que eram boas, e que acompanharia a evolução do mundo para não ficar defasada.
Hoje quando escuto meu filho adolescente dizer que ele prefere as músicas “do meu tempo” às atuais, penso que algo está errado.
Seu post me inspirou a escrever um post sobre isso.
Lembro sempre de Renato Russo: “Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou.”
Beijos.

Comentário por lucy in the sky

Ah, Lucy! O renato não sai da minha mente nestes últimos tempos…Serão os últimos tempos mesmo?
Vim aqui exatamente escrever dele e li seu comentário…coisas estranhas da vida…
Bjs

Comentário por Ka

Acabou que o post ficou uma declaração para o maridão. =)
Faz parte da vida adulta sentir saudade da infância e até mesmo da adolescência. A gente perde tanta coisa, o mundo muda de uma forma assustadora. Não há nada de errado nisso.
O importante é a gente saber dosar esse saudosismo e não nos tornarmos pessoas antigas, no sentido de não evoluir junto e ficar com a mente parada.
Mas todo momento da nossa vida, tem o lado bom. 😉
Beijos

Comentário por Mari




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