Breakfast at Tiffanys


Anjo de Quatro Patas
março 31, 2009, 9:16 pm
Filed under: Não vivo sem bicho, Vá ler um livro | Tags: ,

21396150_4Meu último recado literário sobre animais é Anjo de Quatro Patas, de Walcyr Carrasco.

O livro do jornalista, escritor e roteirista de tv e teatro conta a vida de Uno, o husky que acompanhou o autor durante doze anos, seu grande amigo e figura fundamental na superação da perda de sua companheira.

É  uma daquelas histórias belas que mostram o que os cachorreiros sabem de cor: como um cão muda sua vida, como te ajuda, te inspira, se torna tudo o que de mais puro você poderá conhecer na vida.

cao01170808Uno foi tão importante que se tornou até alter ego do cronista para a evista Focinhos. Foi também o tema da crônica recordista de cartas da Veja São Paulo, quando Walcyr contou a agonia de saber da inevitável perda, quando Uno já estava com a saúde abalada.

Veja a crônica aqui.

Recomendo.

Terminei hoje a leitura e preciso passar algum tempo agora sem ler nada que tenha a morte no desfecho. Foi uma saga escolhida por mim a dedos. Com a clara intenção de me fazer chorar. Era para ser uma tentativa de aprendizado – para eu tentar aceitar o irritante ciclo da vida. Mas não adianta, como eu já sabia: não se aprende com dor.

E se tem algo que nunca saberei  lidar é com a perda. Especialmente de seres que passam tão pouco tempo conosco e que são tão melhores que nós.

Escrevo com medo. Como se a vida pudesse resolver me dar uma lição e me tirar alguém que muito amo só para me mostrar que eu não posso fazer nada contra. Mas isso eu já to cansada de saber.

O que realmente entendi com estas leituras é que não sou a única a ser assombrada pela perda. Quem tem animais e os ama, compartilha. E não importa como você encare a morte, se acredita em deus, em reencarnação, em paraíso, etc, a dor é igual. A separação será tão difícil quanto. As lembranças serão sempre acompanhadas de saudade.

Outra lição: você não tem o direito de ter saudade se não fez tudo o que podia enquanto era seu amigo estava vivo. Já vi quem chorasse esquecendo que podia ter sido mais cuidadoso, que podia ter procurado ajuda antes. E canso de ver quem cometa sempre os mesmos erros. Se você não fizer valer o amor enquanto os tem vivos, não merece a credibilidade da dor depois que se forem. E por favor, chorem longe de mim.

Por este ângulo, sei que nunca negligeniei nenhum dos meus amigos peludos. Não meço gasto com medicamentos, comida, cuidados, não perco tempo com broncas bobas, não comparo personalidades, nem afeição.

Sei que tanta gente me acha louca. Outros têm medo/nojo de vir em minha casa (meu irmão nunca trouxe meu sobrinho em casa). Azar. Dele. Eu crio cães como a maioria dos norte-americanos: dentro de casa. Se alguém tem algum problema com isso, não me visite. A casa é deles também.  Meus cães dormem na cama, sobem no sofá, compartilho a vida com eles.  Os beijo e abraço todos os dias e repito mil vezes: obrigado por estarem comigo. Porque quando mais preciso é só deles a total compreensão, o carinho incondicional, o amor sem julgamentos. E porque sei que a vida deles é muito curta, faço valer cada segundo.

Assim, quando o ciclo se encerrar, eu terei a certeza de que os fiz parte da minha vida. Sem nenhum arrependimento. Porque valeu a pena cada segundo que tive ao lado deles.

cao19

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11 Comentários so far
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Eu tenho 3 peludos a quem amo: o Kimo Leopoldo, a Javah Cristina e a Noah Baby. Amigos fidelíssimos, exemplos de caráter para qualquer deputado ou senador.

BEIJOCAS DE SELMA BARCELLOS.
OBRIGADA POR LINKAR O http://WWW.TIASELMA.COM

Comentário por Selma Barcellos

Acabei de colocar você como sugestão de blog bem feito no http://www.tiaselma.com!

Beijoca.

Selma Couri Barcellos

Comentário por Selma Barcellos

Oi Ka, Este também está na minha lista para leitura. Muitos beijos peludos! Lu

Comentário por Lu

Ah! Onde você arrumou este cachorrinho sapeca correndo prá lá e prá cá? Lindo!!!

Comentário por Lu

Ka, não vivo sem meus três fidelíssimos amigos: Kimo Leopoldo, Javah Cristina e Noah Baby. Um exemplo de caráter para deputados e senadores. Vou ler sua sugestão!

Beijocas.

Comentário por Selma Barcellos

Querida Ka,
É curioso, mesmo com pontos de vista diferentes, corremos o mesmo risco: o das críticas, né? rs Tenho amigos alucinados por animais e já recebi olhares furiosos por não compartilhar dos mesmos hábitos. (É algo meu, que vai além da pura e simples opção. Não consigo e me respeito.) Tenho até um projeto de novamente ter um cão no futuro, mas será sempre dentro dos moldes que acredito para mim. Me relaciono numa boa com amigos que pensam diferente de mim. Entendo e respeito opções diferentes das que eu tenho. Acredito que seja este o ponto chave para quase tudo no mundo! Muitos beijos
Lu

Comentário por Lu

Uma coisa que sempre foi motivo de desavença entre meu marido e eu era justamente o fato de eu querer nossas cachorras dentro de casa, e ele achar que elas deveriam ficar somente no quintal.
Era um cabo de guerra!
Mas eu penso que por mais que a gente tenha feito por nossos amigos quando eram vivos, sempre fica a impressão de que poderíamos ter feito mais, ter dado mais atenção, ter feito aquele passeio sempre planejado mas nunca executado… sei lá.Com seres humanos que já se foram eu também tenho essa impressão.
Beijos.

Comentário por lucy in the sky

Já deixei de namorado por causa do meu cachorro (ele não gostava de bichos). Nunca me arrependi. Faz 2 meses que ele morreu, depois de quase 10 anos de uma amizade indescritível. Fiz tudo que podia por ele, mas ele se foi. Choro todos os dias e não me conformo, vejo-o em todos os cantos da casa – ele me seguia o tempo inteiro! O que fazer para superar tão grande perda? Nem quando meu pai morreu sofri tanto e só pessoas como você para entender…

Comentário por Marta Teixeira

Verdade, também fico muito irritada com esse povo nojento que vive abandonando seus bichos e depois ficam se lamento pela perda. Qualquer animal lhe devolve o carinho que lhe é oferecido.
Eu tinha dois dobermans, infelismente morreram pouco tempo depois que chegaram aqui, provavelmente pelos mals tratos que haviam sofrido pelos antigos donos, gastamos dinheiro com veterinários, mas ainda assim não adiantou.
Agora tenho meu doce e geltil gato, dorme comigo, beijo, abraço, embalo como um filho (sim, pra mim é MEU FILHO), E PROLEMA DE QUEM ACHA RUIM, tem gente que critica, nem ligo. Pobrezinho, já passou por poucas e boas nessa vida, meu pai vive reclamando que gasta muito dinheiro com remédios, com ração, com veterinário, mas ele sabe que vale a pena, ele tamém o ama.
Beijos Ká, Ah, a crônica é muito bonita e triste.

Comentário por Elayne

Não consigo confiar em em não ama os animais. SEi lá, acho insensível.No momento tenho tres cães.
Grandes amigos, grandes companhias. Quando voltei de SP para o interior, acho que se eu não tiversse a companhia de cães, teria pirado.

Comentário por pícida ribeiro

Ka, infelizmente nada nos prepara para a perda. Podemos sofrer várias vezes e nunca vamos aprender a lidar com ela. A separação é dolorida e a morte da a sensação do nunca mais e, por isso, dói tanto.
A única coisa que podemos fazer é agradecer por termos vivido momentos tão especiais e por ter dado nosso amor incondicional.
Fujo dessas leituras (como já disse aqui). Não gosto de sofrer atencipadamente por algo inevitável. =/
Li a crônica do Walcyr Carrasco e fiquei triste. Se eu ler o livro, vou chorar o dia inteiro…
Beijosssss

Comentário por Mari




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