Breakfast at Tiffanys


Guerra
fevereiro 19, 2009, 7:23 pm
Filed under: Sem-categoria

1148585_hand_grenade_4Impossível voltar aqui sem contar um pouco dos três meses que passei diariamente enfrentando o trânsito de São Paulo.  Meses em que, mais do que nunca, tive plena certeza de que minha escolha de abdicar da vida profissional “normal”  – a vivida em grupos, fora de casa, das 9 às 18h, de roupa desconfortável e com jargão próprio – é a decisão aboslutamente certa para mim. Não dou pra coisa. Meu lar é meu castelo e pra me tirar daqui em definitivo será preciso uma situação muito adversa financeiramente.

Mas o papo não era sobre isso. Porque o maior choque que tive após quase cinco anos segura em minha zona de conforto, exceto eventuais reuniões ou entrevistas esporádicas, foi o caos que as pessoas fizeram do espaço público. Quando as pessoas não conseguem acomodar seus veículos em quatro pistas, tem algo muito errado com a sociedade.

Não houve um dia nesse tempo todo em que eu não presenciasse ao menos meia dúzia de situações absurdas de falta de educação e civilidade. Para muita gente, é impossível dividir o espaço das vias urbanas de São Paulo.  Eles precisam chegar na frente, precisam colocar em risco a vida de outros para se sentirem mais alguém.

E digo eles – masculino mesmo. Os homens são muito mais mal educados do que as mulheres. E perigosos. E arrogantes. E vingativos. Cansei de ver engravatados voltando para casa frustrados com seus empregos e vidas medianas, provavelmente após terem engolido um saco de sapos dos chefes, descontando no carro todo o tipo de mágoa que não conseguem resolver. Para esses, ceder a vez é impensável, respeitar o farol impossível, fechar o vizinho é lei.

Motoristas de carros grandes e caros são piores. Claro que quem gasta tanto dinheiro em um carro só para se sentir mais homem do que é de fato deve ter uma noção alterada do que vale a pena na vida. Então não da para estranhar que muitos desses motoristas de carros que valem quase uma casa – os que idolatram suas latas caríssimas de ferro importado – queiram passar por cima da nanica dirigindo o Uninho mil. Sério, muitas vezes  li nos olhares que a presença de carros populares como o meu era uma ofensa…Babacas.

Além dessa categoria de motorista idiota, tem outras classificações onde é mais fácil encontrar um estrume atrás do voltante: garotão e meia idade.

Os moleques que se acham mais machos porque sabem fazer baliza e acham que velocidade é sinônimo de virilidade são terríveis. bombados, então..sai de perto….não se salva nem 0,01% – os músculos realmente acabam com o pouco cérebro que tinham.  

Fiquei boquiaberta também com a quantidade de homens de meia idade que se portam como brutamontes no trânsito. Só para ilustrar: um deles ao se ver emparelhado comigo no farol, se sentiu ofendido por me ver sair na frente  (mero acaso, não tava apostando corrida com ninguém) que fez questão de me ultrapassar numa subida, mão dupla, na frente do radar….

Às vezes eu ria. Nesse dia fiquei puta!!! Mas que droga de sociedade é essa? Por que as pessoas são assim? Por que um velho com o dobro da minha idade, praticamente, não pode aguentar que uma mulher de carro barato ande à sua frente?  

As experiência eram diárias e me sugaram as energias. Fiquei com medo de dirigir. Com raiva das pessoas.

Eu dirijo defensivamente. Não sou ás do voltante, mas não represento perigo, pelo contrário…Não passo farol vermelho, não ultrapasso pela direita, não excedo velocidade limite. Ah…essa- um dia um babaca – do tipo garotão – colou na traseira do meu carro, buzinando e dando luz como se eu tivesse atrapalhando o trânsito. Só que eu tava no limite da via  – 60km/h e estava chovendo. Eu estava na esquerda sim, mas tinha uma fila de caminhões e jamantas do meu lado – era uma via que dava acesso a Av do Estado. O retardado ficou me atasanando…eu diminui então a velocidade, chequei a 20km/h. Parei no farol, olhei para fora e o doente gritava dentro do carro como se estivesse sendo queimado vivo (deveria mesmo ser)….Eu mandei ele passar por cima. Ele xingou todas as minhas gerações. Não sai da frente. O maldito passou pela direita. Claro…

Ainda bem que acabou. Nas últimas semanas, carro..só no carona.

E nem falei sobre os motoqueiros.

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8 Comentários so far
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Querida Ka

Que saudades das tuas letras por aqui!

A falta de educação é algo cruel, né?

Outro dia uma madame, passou por mim e gritou “Anda!!!” Comecei a rir e devolvi: “Anda você!!”

Não sei o que acontece ! As pessoas são desorganizadas com os seus horários, não assumem e aainda cham que os outros são obrigados a “abrir alas para elas imediatamente”. Ok, às vezes eu também estou com pressa, mas dái querer que o outro ande na velocidade que ´-e conveniente para mim, acho meio esquisito. Se tiver alguém manobrando na minha frente, tenho que esperar. Por que o outro não pode me esperar também?
Tenho aprendido a não ligar prá esse povo. Quer passar, passa, como tem muita gente que o faz numa boa! Mas desnecessário e muito grosseiro botar o cabeção prá fora e dizer bobagens. Adotei uma postura quando passo por situações parecidas com essas, dou risada e respondo algo que a pessoa não está esperando. Outro dia eu estava estacionando o carro e não percebi que a seta tinha desligado. Um cidadão ficou ofendido e gritou FDP, liga a seta! Isso numa via onde não há movimento nenhum. Ele deve ter me visto manobrando, já que chegou depois que eu já tinha iniciado a manobra. Não vi nenhuma razão prá todo o escarcéu, botei o cabeção prá fora e gritei “Que Deus te abençoe também filho!”

Outro dia tinha uma via interrompida por uma betoneira, fiquei esperando na ladeira alguns minutos até que eu pudesse cruzar a avenida em segurança. Tô no meio da via fazendo a manobra, entra um cidadão pela contramão passa por mim e grita “Ei dona Maria!”, devolvi “Ei dono João”!. O cidadão tá na contramão e ainda se acha no direito de me ofender? Pára!
O negócio é relaxar.
Algumas vias aqui perto de casa estão em obras e por conta disto o trânsito aumentou. Fica mais evidente a falta de educação e bom senso do povo na rua.
Outro dia um ônibus ficou me empurrando aí o bruta montes ficou buzinando para que eu fizesse uma manobra. Nem liguei! Um monte de gente entrando na minha frente, num espaço estreito, eu com o Vi dentro do carro, só pensei em fazer a manobra em segurança. Mantive a calma e me desliguei da buzina. Fiz a manobra e ri sózinha. Entrou um monte de carro na frente do ônibus. O que adiantou ele ficar colado na traseira do meu carro e buzinando??? Nada… Ele ficou bem distante de mim, estressado e parado no mesmo ponto em que estava.
Esta semana recebi um texto que falava sobre um táxi que levou uma fechada. O motorista permaneceu tranquilo e o passageiro estranhou e questionou a atitude. O motorista respondeu que algumas pessoas escolhem descarregar seus caminhões de lixo em cima dos outros, mas que esta não era a sua escolha. E com atitudes mais tranquilas ele podia chegar ao final do seu dia mais feliz, pois também não se sentia obrigado a recolher o lixo dos outros. Tenho mantido estas palavras comigo, pois tem dias que os insanos estão a solta…
Um beijo enorme e cheio de saudades!!!!

Lu

Comentário por lu

Ai que bom te-la de volta, mesmo brigando assim, ou melhor especialmente brigando assim rsrsr
Gosto do jeito que voce escancara seus sentimentos: e os desabafos.
Na sua realística descrição do caos do transito em SP, eu vejo um pouco ou muito do que se trnsformou o ser humano: cada vez mais voltado para si, sempre querendo chegar primeiro, levar vantagem, ter mais, aparentar mais para se sentir mais.

Comentário por picida ribeiro

ahhh, os motoqueiros…
é por essas e por outras q eu nunca comprei um carro… não fosse só o trânsito, mas achar lugar pra estacionar, ou pagar estacionamento…
eu preferi morar no centro q comprar um carro nos meus bons tempos 🙂

Comentário por silvakov

Conterrânea, nessa cidade insana o trânsito firou bode expiatório e terapia em grupo. Das mais perigosas…
Bjs!!!

Comentário por Selma

Ola Ka..saudadinha de vc..

Eu imagino o caos pelas tuas descrições. Aqui onde eu moro o caos tbm já está chegando, todo dia o marido chega em casa contando um “quase acidente dele”.. eu fico p da cara, pq conheço o figura e sei como ele é impaciente, impulsivo..

Tbm acho que as mulheres sao mais calmas no transito, em relação a carros, eu nao sei se pela explosao da compra de motos pelas mulheres, que eu ando vendo mais mulheres motoqueiras, abusando no transito.

Bom te ver de volta..!

Comentário por Lucí

Ka! Como andam as coisas?! Saudades de você, moça! Chatos todos somos de vez em quando, mas permanentemente não te acho… rs rs rs
Bom te ver de volta por aqui.
Trânsito é sempre um caos. Aqui é menor, mas também traz suas pérolas!
Um cheiro bem grande e um fim-de-semana bem longe do volante, Ka!

Comentário por Dora

Afff, vou chorar… ja tinha escrito antes mas esqueci de colocar o nome. buáaa!!!
Mas em fim, eu tava falando do meu pai que apesar de adorar atolar o pé no acelerador é a calma em pessoa; não xinga nem faz “buzinaço” mesmo qd fazem essas coisas com ele. Menos mal neh?
O jeito é tirar por menos e passar por cima (no bom sentido da palavra hehehe) beijos.

Comentário por Elayne

Eu (ainda) não dirijo, mas muitas vezes me irrito com os monstros no trânsito quando estou na carona do carro do meu namorado. Por outro lado, agradeço por morar no Rio. Passei um sábado em SP rodando de carro por um lado ao outro e sonhei com o trânsito do Rio. haha
Beijos

Comentário por Mari




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