Breakfast at Tiffanys


Meu coelhinho….

Coelhinho que não era da Páscoa

Um comentário da minha nova amiga virtual, a Luci, lembrou-me de meu coelhinho de infância…

Nem todas as histórias da infância são belas. E algumas referências desbotam como tempo.

Enfim….

Cresci no meio de bichos. A casa de minha avó materna tinha um quintal grande, com galinhas, cabras e coelhos. O mesmo quintal onde hoje meus cachorros correm e se divertem… onde minhas plantas crescem…

Em meio a bicharada, alguém um dia disse que eu tinha um coelhinho.  Branquinho, fofinho, gordinho. Como todos os coelhinhos.

Minha lembrança dele destoa. Acho que o subcosciente me protege. 

Anos se passaram, muitos mesmo. Em uma tarde qualquer, encontro no fundo do armário uma pele de coelho. Na verdade eu sabia que aquilo existia, mas não me dava conta do que significava.

Era a pele de meu coelhinho curtida e transformada em um adereço. Alguém achou que eu gostaria de ter aquela lembrança. Me livro indignada do resto mortal do coelhinho e penso…

Hoje, como todo amor que tenho por animais. Um amor tão grande que muitas vezes não cabe dentro de mim e extravaza de mil formas diferentes. No meu apego aos meus cães, na dor que sinto todas as vezes que um deles me deixa porque o ciclo da vida assim determina, na tentativa de tocar o coração de quem não compartilha da mesma afeição, na minha opção pelo vegetarianismo.  Hoje, a pele do coelhinho me soa como profunda insensibilidade.

É um julgamento até certo ponto injusto. A ideia não era me chocar – sei disto. A questão é que a percepção sobre animais mudou gradativamente de uma geração para outra. Pelo menos, em casa.

Meus avós foram acostumados a criar, matar e comer seus bichos. Meus pais não matam, mas comem bichos. Eu não como. Trato como amigos, com toda consideração e cuidado que um verdadeiro amigo merece.

Não sei ao certo sobre o fim do coelhinho. E nem perguntei. Tive medo da resposta. Mas tenho lá no fundo a convicção de que ele acabou no prato. E não ouso imaginar que foi no meu.

Por mais que entenda a diferença de criação, de valores e ética das épocas, não consigo deixar de me chocar com a permanência de certos costumes. E como isto cria mentes transtornadas.

Ensinam as crianças que o abate de um animal para consumo humano é normal, as levam para fazendinhas para conhecerem bezerrinhos bonitinhos que acabarão em seu prato. Pedem que apreciem para depois saborearem.

Cultura da crueldade que não tem fim. E meu coelhinho da Páscoa virou um tapete de telefone.

 

Como, no fundo, tudo é uma coisa só, acho que nada melhor para encerrar o post do que este vídeo lindo, magnifíco e inspirador que me faz chorar. (A dica veio do Rafa

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7 Comentários so far
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Oi! Obrigada por mais uma visita e desculpe-me a demora em retribuir. Estava doente estes dias e por isso não deu para visitar os amigos. 🙂 Espero que tenha um ótimo fim de semana!

Comentário por Clécia

Oi! puxa eu sempre quis ter um coelho =/ eles são tão meigos xp quando comecei a ler seu post já pensei “prepara que vai ser forte” hauhauahu mas nem foi pra tanto, claro que senti o maior aperto no S2 ao imaginar essa cena, tocar uma pele que já pertenceu a um ser vivo que vc gostava e agora… aff eu nao sou vegetariana pq nunca presenciei um assassinato desses, os embutidos, empanados e bifes a milanesa sempre chegaram no meu prato muuuito bem passados xp mas se um dia eu fosse morar numa fazenda e tivesse que me alimentar daqueles animaizinhos que eu vi crescer acho que passaria a sofrer de anorexia =[
otm semana bJx t_+

Comentário por Kelly

Oi, Holly!
Foi muito cruel o que você passou. Como alguém poderia achar que seu bichinho de estimação ficaria ótimo como um tapete de telefone para você? Que coisa horrível!!! Estou sem palavras.
Hoje, vi um cachorro que fugiu de casa com corrente e tudo no meio da rua. Totalmente nervoso passando pelo meio dos carros sem saber o que fazer. O trânsito parou enquanto tentávamos pegá-lo.
Eu fiquei sem ação, nervosa, torcendo para o pegarem logo. Fiquei aliviada quando um menino conseguiu segurá-lo…
Coisas que só os bichos podem fazer com a gente.
Adorei o vídeo!
Beijos

Comentário por Mari

Holly, minha queridona!
🙂
Só tô deixando um oi, mas prometo q passo c mais calma p comentar direitinho, ok?
Eu até ia postar, mas deisisti. Tô aq alegrona c a parada do sorteio lá no blog do Raposa. Fiquei meio lesada pq eu ñ ganho nada… 😛
Um beijo de saudades e de uma semana massaaaaaaa p vc!!!

Comentário por Tatyan

definitivamente, uma pele de coelho curtida não é a melhor forma de causar boas lembranças…
ainda bem q existem a fotografia e o cinema 🙂

Comentário por silvakov

Ao invés de comentar, escrevi um post todo pra voce no meu blog.

Comentário por picida ribeiro

Olá amada.. obrigada a me eleger a categoria de amiga..

Fiquei muito sensibilizada a tua história do coelhinho e ao mesmo tempo triste por trazer essas lembranças, mas o melhor de tudo é compartilhar para que esses absurdos nao aconteçam mais..

Eu tenho várias historias como essa da minha infancia, tbm morei em lugar grande com animais, em casa tinhamos ate galinha e logico que elas era minhas amigas e eu nao queria come-las.

O mesmo acontecia na minha vo. Elas tinham ate nome, eu lembro bem de um galo o Jorge Tadeu, o rei do galinheiro, qdo ele foi para a panela, por causa de eu ter passado mal com o Beco, eles decidiram me contar, e eu opttei por nao come-lo.

Meu pai com o passar dos anos ele se civilizou, ja nao tinha mais coragem de matar e criar animais. O meu marido tbm mudou muito depois que eu o conheci. mas ainda é um carnivoro..

Acho que de alguma forma conseguimos contagiar a quem esta em nossa volta, ja que eles nao sentem o mesmo amor que a gente pelos animais, mas eles sentem amor por nos e por nós eles nao querem nos ver sofrer e acabam mudando..

Amigaa…. eu nao tive coragem de ver o filme, me desculpe.. eu nao consigo mesmo, quando eu vejo crueldades meu coração doi demais..queima. Eu opto por nao ver.

Bjoss viu.

Comentário por Lucí




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