Breakfast at Tiffanys


A carne é fraca
julho 29, 2008, 8:47 pm
Filed under: É sério, Não como cadáver | Tags:
Relato do meu início como vegetariana…(atualizado) e quebra de alguns paradgmas publicado pela revista Época. (esta matéria incentivou uma amiga a se unir a mim, hehehe) 

A carne é fraca

Olha o churrasco...

Não lembro mais o gosto de um bife bem ou mal passado. E esta lembrança não faz a mínima falta nem para meus sentidos, muito menos para meu corpo.
Sem querer ser chata, não posso deixar de contar minha experiência e tentar quebrar alguns mitos. Afirmo categoricamente que a carne não é fundamental para a boa saúde. Aliás, pelo contrário, garanto que deixar de consumir o que um dia foi um ser vivo pode ser até muito benéfico.

Já acostumei ser motivo de piada, espanto, admiração. De brincadeiras típicas em renuiões de família ou amigos a questionamentos que implicitamente revelam ser considerada uma aberração da natureza, ouço de tudo:
Fiz uma picanha especialmente para você!
Você não tem dó dos pobres brócolis?
Como pode alguem não comer carne!!!!!????!!!!
Minha decisão foi tomada há cerca de oito anos, impulsionada pelo remorso de comer o que algum dia teve vida. Uma vida própria, nasceu, acordou, dormiu, comeu, bebeu, teve medo, frio, calor e principalmente dor, a dor necessária para chegar um dia ao meu prato.
Parei aos poucos. Por partes
Consumo proteína de soja regularmente e derrubando um dos mitos citados, garanto que se ela for bem utilizada pode ser muito gostosa. Não, não tem gosto de papelão. Basta um pouco de pesquisa e criatividade e inúmeras receitas podem ser descobertas. Leites e ovos engrossam a lista de proteínas. E verduras, legumes e frutas dão conta do recado tranquilamente.
Portanto ai se vai outro tabu, deixar de comer carne não o tornará um doente. Não tenho anemia, não tenho fraqueza, não preciso de suplementos alimentares, não fico com fome, não fico doente.
Além do benefício moral – me sinto extremamente feliz comigo mesma por tomar e manter esta atitude – só posso relatar vantagens em minha decisão. Sofri anos com uma gastrite, que “magicamente” desapareceu nos últimos anos. É impressionante como a digestão é fácil, rápida. Sinto-me leve, de corpo e alma.
Hoje tenho convicção absoluta de que o mito mais difícil de ser quebrado é o social. Algumas vezes me senti um incômodo para quem me recebe em casa. Apesar de tentar ser discreta e timidamente fazer o prato longe dos olhares, quase escondida, meu arroz e salada sempre são notados.

Churrascos. Esta instituição nacional, sinônimo de congraçamento e diversão para uns ou bebedeira e pagode para outros é talvez a pior situação para um vegetariano. Após um tempo sem ingerir carne, o cheiro começa a se tornar enjoativo, incômodo, como se seu corpo emitisse um alerta de que está perfeitamente bem sem ela e que ingeri-la agora seria um tremendo erro.
Então, além da fome, pois geralmente os acompanhamentos são mínimos e com pouquíssimo valor nutritivo, a permanência no “evento” é complicada. Sem contar a sensação de ter sido lesada, pois quando a reunião é rateada, paga-se tanto quanto um carnívoro para comer algumas folhas de agrião, uma colher de maionese e uma farofa seca. Tente recusar o convite e será tachado de chato; vá e escute um milhão de piadas batidas. 

Já aprendi que antes de qualquer evento social, aniversário, casamento, festa da empresa, chá de cozinha, ou seja o que for onde se prometa comes e bebes, devo fazer uma refeição em casa ou carregar um saco de batata frita na bolsa. Sempre me salva de passar fome.
Estou superando os preconceitos, me surpreendendo com os resultados e cada dia tenho mais certeza de que estou no caminho que escolhi, percorrendo o da melhor forma que posso e acredito que o futuro da humanidade seria melhor se todos trilhassem a mesma jornada. Costumo dizer, quando muito questionada: Vocês não fazem idéia da sensação maravilhosa que é olhar para um pequeno bezerro ou uma inocente ave e ter a certeza de que ele nunca será morto por minha causa. De que não sou conivente com sua dor, seu sofrimento. E estou em ótima companhia.

“Há muito na verdade do dito de que o homem é aquilo que come. Quanto mais grosseiro o alimento, tanto mais grosseiro o corpo” – Gandhi.
“Em meu pensamento, a vida de um animal não é menos importante do que a vida de um ser humano” – Gandhi.
“A compaixão para com os animais é uma das mais nobres virtudes humanas” – Charles Darwin.
“Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência na Terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem da vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de tal maneira que melhorará muito o destino da humanidade” – Albert Einstein.

Trechos de matéria da Época

A segunda justificativa normalmente empregada para o vegetarianismo se baseia em argumentos éticos e ambientais. “Escravizar e matar animais é uma variante do racismo. É submeter o mais fraco somente porque pertence a outra espécie”, diz o filósofo Peter Singer, da Universidade Princeton, expoente da defesa dos direitos dos animais (leia entrevista à página 93). “Não podemos reclamar que o mundo é horrível se o horror começa em nosso prato”, diz a presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira, Marly Winckler.
O gado criado no Brasil freqüentemente é manejado com brutalidade. O abate, em tese, deveria ser feito com um golpe de martelo hidráulico na cabeça, seguido de um corte na garganta, para que o sangue jorrasse para fora do corpo. Mas, como a fiscalização é precária, em muitos abatedouros clandestinos as reses são mesmo abatidas a pauladas. As galinhas de granja não têm destino melhor. São criadas em ambiente permanentemente iluminado para que não parem de comer e sigam botando ovos – até seis por dia, em lugar do único ovo que produziriam em condições naturais. Os pintinhos machos, que não servem para botar, são jogados vivos numa espécie de moedor gigante. A indignação contra esse tipo de tratamento, denunciada em filmes, como o documentário A Carne É Fraca, chega até mesmo aos não-vegetarianos.
Mas as conseqüências ambientais do consumo de carne vão muito além da matança de animais de corte. A criação de gado, somente na Amazônia, nos anos 90, foi responsável pela devastação de uma área duas vezes maior que Portugal. Pode parecer piada, mas os gases emitidos pela digestão das vacas respondem por 70% das emissões brasileiras de gás metano – substância causadora do efeito estufa. Por causa desse efeito, na Austrália cobra-se imposto ambiental sobre cada cabeça de gado. O demógrafo Joel Cohen afirma que, se toda a população da Terra quisesse adotar um padrão de consumo igual ao dos americanos, com a ingestão de 120 quilos de carne por ano, precisaríamos de outros quatro planetas.

O certo e o duvidoso nas afirmações mais comuns sobre vegetarianismo

Vegetarianos vivem mais
Não necessariamente. Os estudos mais amplos sugerem que os vegetarianos vivem tanto quanto os não-vegetarianos que cuidam da dieta e têm renda equivalente
Vegetarianos têm menos câncer
Em termos. Não se encontrou relação conclusiva entre dieta e a maioria dos tipos de câncer. Consumir muita carne, porém, pode aumentar o risco de tumores de intestino
Vegetarianos são mais saudáveis
Sim. Em média, eles são mais magros e têm menos colesterol. Por isso, costumam também ter menos problemas de pressão sanguínea que a média da população
Ser vegetariano emagrece
Sim, de modo geral. Os que consomem queijo e ovo, porém, correm risco semelhante ao dos carnívoros. E vegetarianos radicais têm de tomar cuidado com as batatas fritas
Vegetarianos são anêmicos
Não. A quantidade de proteína necessária é relativamente pequena. Entre os que comem ovos e leite, especialmente, o risco é extremamente baixo
Vegetarianos têm deficiência de proteínas
Não, se cuidarem da alimentação corretamente. O risco é maior entre adolescentes – por displicência ou desinformação – e mulheres grávidas
O vegetarianismo favorece o meio ambiente
Sim. A criação de gado provoca derrubada de florestas e agrava o efeito estufa. O consumo de água e grãos pelos rebanhos dos países ricos é imenso
Somos naturalmente vegetarianos
Não. O homem é mais próximo dos macacos onívoros, como o chimpanzé, que dos vegetarianos, como o gorila. Seu sistema digestivo é preparado para comer de tudo.

A dieta vegetariana pode trazer algum risco à saúde?
Quando bem planejada, a dieta vegetariana é viável em qualquer fase da vida. Já dietas onívoras estão mais sujeitas às doenças do excesso alimentar. Já a dieta vegana exige um cuidado maior com relação ao cálcio e vitamina B12. A partir do terceiro ano de veganismo, é necessário uma suplementação de vitamina B12, pois não existe a ingestão da vitamina.

Mulheres vegetarianas têm uma gestação normal?
Os estudos que acompanharam mulheres vegetarianas com uma dieta variada e equilibrada demonstram que o desenvolvimento do feto é normal e totalmente adequado. É importante, por prevenção, a suplementação a vitamina B12 e Ômega 3, já que auxiliam na formação do sistema nervoso do feto.

Crianças precisam de carne para se desenvolver normalmente?
Não há nenhum componente presente na carne que não seja encontrado nos outros alimentos utilizados pelos vegetarianos, portanto, não. Os estudos que encontraram crescimento inadequado foram realizados com crianças submetidas a dietas extremamente restritas, como nas macrobióticas. A dieta vegetariana (inclusive sem ovos, queijo e leite), bem planejada, promove crescimento e desenvolvimento normais.
Mito culinário do vegetarianismo


É interessante esclarecer que a dieta vegetariana, apesar de limitar a ingestão de determinados alimentos e parecer restritiva, faz com que as pessoas consumam uma variedade maior de alimentos. Em uma dieta onívora, o prato principal é sempre um tipo de carne, seja ela assada, grelhada ou cozinha. Quando uma pessoa se torna vegetariana, o acompanhamento de uma dieta onívora vira o prato principal, como uma lasanha de carne de soja, um ensopado de glúten ou um prato com grão-de-bico. A partir do contato com diversas cozinhas, como a indiana e a mediterrânea, pode-se dizer que a vegetariana é mais saborosa, mais variada e o mais importante: é mais saudável e ética. 

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2 Comentários so far
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Holly, me senti péssima agora! Especialmente por acabar de escrever um post sobre a vontade do strogonoff do Baden Baden. Como eu já lhe disse uma vez, pra mim isso tudo é muito contraditório. Ao mesmo tempo que sofro demais por saber os animais são mortos, não consigo me imaginar sem comer carne (branca). Espero um dia conseguir – como você disse, aos poucos. Acho que me sinto envergonhada, na verdade, por compactuar de certa forma com essa brutalidade! 😥

Um beijo, querida!

Comentário por Mi

Oi! Você poderia me passar umas dessas receceitas que você usa para comer proteína de soja? Obrigado!

Comentário por Daniel




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