Breakfast at Tiffanys


Pronomes em extinção
julho 23, 2008, 5:25 pm
Filed under: É sério
Mais um das antigas
Vai encarar?
 
Lembro-me claramente de aprender quando criança que devia tratar pessoas mais velhas por senhor ou senhora. Era sinal de respeito, de que éramos bem educados, o que na época era muito valorizado.
Hoje percebo que estes simples pronomes de tratamento estão sumindo da Língua Portuguesa. São usados raramente, principalmente pelas crianças. 
Talvez, daqui uns anos, serão simplesmente extinguido. Pois as crianças de hoje, então adultos, não conhecerão seu significado e tampouco poderão ensinar seus filhos a usarem. 
Sinal dos tempos? Na minha modesta opinião, sintoma de que há algo errado na sociedade.
Muito tem se falado de crimes cometidos por jovens contra pais, amigos, avós. Seria exagero pensar que a educação da última década tem algo a ver com isto?
Nem entrarei em detalhes sobre leis arcaicas, impunidade, Estatuto do Menor e do Adolescente, etc, etc, etc. Vou me ater ao fato de que a educação está doente. Não a educação escolar, onde os pobres professores desvalorizados são submetidos a situações onde é impossível trabalhar. Mas à educação que vem de casa, aquela que era passada pelos pais, que contribuia de forma crucial para criar seres humanos e não apenas pequenos ditadores que não sabem o significado dos pronomes citados, mas principalmente da palavra NÃO.
Não quero culpar os pais vítimas destes crimes. Mas é importante refletir sobre a sociedade atual, extremamente conivente com a falta de valores, de educação, de respeito.
É comum ver cenas que deveriam ser constrangedoras, mas que já foram banalizadas.
Uma criança grita com o pai no mercado, exige que se compre seu objeto de desejo, se joga no chão. Todos olham e pensam: Criança é assim mesmo…
Não, criança não deve ser assim.
Respostas cínicas, em tom ameaçador, ditas por suas crias são consideradas um sinal de que aquele pequeno ser é inteligente. E tornam-se até motivo de orgulho!
Uma matéria da revista Veja comparou as diversões atuais, jogos, filmes com os antigos, estabelecendo o “brilhante” paralelo de que o ritmo e a linguagem dos produtos modernos desenvolvem mais o raciocínio da atual geração. O que? Só a Veja mesmo….
Submetendo as crianças a um desenvolvimento precoce, não estariam ajudando a criar pequenos neuróticos. Óbvio que a culpa não é exclusiva destes estímulos, mas há de se pensar mais sobre isto…
Me questiono: quando é que pararam de educar as crianças? É culpa de quem?
O que é cada vez mais insuportável é presenciar o que vem acontecendo. É comum ser importunado por crianças em locais públicos como restaurantes, hoteis ou até em inocentes festas familiares, sem o menor constrangimento dos pais, que apenas assistem suas crias correrem pelas mesas aos gritos, pularem na piscina repetidamente molhando quem estiver buscando um pouco de sossego.
Pode parecer um desabafo egoísta de quem não tem filhos, mas é mais do que isto….é uma constatação.
Já fui professora. Moro em uma rua com escola e creche. Meu portão é constantemente chutado, a campainha é surrada. Escuto os gritos e as conversas. Sei do que falo…alguma coisa se perdeu.
Lembro de ser criança, das saídas das escola, da bagunça. Mas lembro que até os considerados mais terríveis tinham limite para aprontar, ou pelo menos, sabiam que aquilo era errado. Exemplifico com uma cena real presenciada por um amigo: Pai e filho sobem a rua e o menino comenta orgulhoso: ta vendo aquela casa, pai. Fui eu quem pixou…
Isso não pode ser normal.
Pobres pronomes quase extintos, mas mais pobre ainda da minoria educada que restar da humanidade quando este dia chegar…

 
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1 Comentário so far
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Querida Karen,

Você lembrou-me uma história que aconteceu na minha infância. Sempre fui muito “rebelde” em usar os pronomes “Sr.” e “Sra” com pessoas queridas da família. Minha avó materna fazia questão que todos os netos a tratassem por senhora. Eu muito ligeira, escapei da obrigatoriedade, com a pérola: Vó, eu gosto tanto de você, por que tenho que te chamar de senhora? Virei a exceção da “netaida”.Eu devia ter uns 6 /7 anos. E nunca achei que chamar alguém de senhor e senhora significasse respeito. Para mim punha a pessoa tão distante. Em casa nunca fomos educados para usar os pronomes com os nossos pais.Chamava-os de você, para espanto quase geral familiar… Fora de casa, com estranhos aí sim era diferente.
Certa vez arrumei “briga” na vizinhaça. Minha vizinha era uns 06 anos mais velha do que eu. E adorava questionar alguns dos meus comportamentos. Certa vez, disse que eu deveria chamar os meus pais pelos pronomes de SR. e SRA., que era sinal de respeito. Muito educadamente lhe expliquei que em casa não tinhamos esse hábito. Ela então disse-me que eu não tinha educação. Eu do alto dos meus 07 anos e da minha “falta total de educação” no conceito dela, devolvi-lh que ok, eu não tratava meus pais pelos pronomes por que gostava muito deles e mais ainda os respeitava, pois na minha casa não discutíamos com meus pais. E que ela ao contrário além de discutir com os seus pais, ainda desfiava todo o rosário de palavrões mais cabeludos quando o “barraco” pegava fogo. Minha vizinha pré-adolescente ficou uma fera comigo, e não me dirigiu a palavra por muitos dias a fio epois disto… rs Podíamos não usar os pronomes, mas sabíamos e tínhamos total noção do que era respeitar alguém. Educação, respeito, são coisas que vem de berço, lições que precisam ser exaustivamente ensinadas, repetidas para serem assimiladas e se criar cidadãos de bem….
Senão ficamos iguais aos elefantes indianos, que foram separados de suas famílias anos atrás… e que hoje causam estragos cada vez mais frequentes. (Os elefantes ssão criados e educados por seus ancestrais. Como há alguns anos, a população deles era abundante no centro da India, e escassa no interior, alguns filhotes foram separados das manadas, há cerca de 15 anos. Ocorre que este grupo não teve seus institos domesticados pelos pais e tornaram-se violentos. Hoje invadem centros urbanos com tremenda fúria. Será mera coincidência, com alguns dos jovens que vemos crescer???? (Esta matéria sobre os elefantes foi publicada na Veja em 2004) Belo artigo!!! Beijo, Lu

Comentário por Lu




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