“Somos cegos de tudo o que faz de nós um ser agressivo, egoísta e violento, num mundo de desigualdades e sofrimentos….”Ter tudo em excesso significa que nada temos. A atual superabundância de imagens significa, basicamente, que somos incapazes de prestar atenção. Que somos incapazes de nos emocionarmos com as imagens”, José Saramago – documentário Janela da Alma.
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Linda animação de um conto do queridíssimo escritor português José Saramago, narrada pelo próprio.
Se há alguém neste mundo que eu faria questão absoluta de conhecer pessoalmente é este senhor que nasceu com a maestria de embaralhar as palavras para torná-las música aos nossos ouvidos. E entende da natureza humana como poucos, transformando nossas mazelas em fábulas que não me canso de apreciar.
Vida longa ao meu escritor preferido.
Meu último recado literário sobre animais é Anjo de Quatro Patas, de Walcyr Carrasco.
O livro do jornalista, escritor e roteirista de tv e teatro conta a vida de Uno, o husky que acompanhou o autor durante doze anos, seu grande amigo e figura fundamental na superação da perda de sua companheira.
É uma daquelas histórias belas que mostram o que os cachorreiros sabem de cor: como um cão muda sua vida, como te ajuda, te inspira, se torna tudo o que de mais puro você poderá conhecer na vida.
Uno foi tão importante que se tornou até alter ego do cronista para a evista Focinhos. Foi também o tema da crônica recordista de cartas da Veja São Paulo, quando Walcyr contou a agonia de saber da inevitável perda, quando Uno já estava com a saúde abalada.
Recomendo.
Terminei hoje a leitura e preciso passar algum tempo agora sem ler nada que tenha a morte no desfecho. Foi uma saga escolhida por mim a dedos. Com a clara intenção de me fazer chorar. Era para ser uma tentativa de aprendizado – para eu tentar aceitar o irritante ciclo da vida. Mas não adianta, como eu já sabia: não se aprende com dor.
E se tem algo que nunca saberei lidar é com a perda. Especialmente de seres que passam tão pouco tempo conosco e que são tão melhores que nós.
Escrevo com medo. Como se a vida pudesse resolver me dar uma lição e me tirar alguém que muito amo só para me mostrar que eu não posso fazer nada contra. Mas isso eu já to cansada de saber.
O que realmente entendi com estas leituras é que não sou a única a ser assombrada pela perda. Quem tem animais e os ama, compartilha. E não importa como você encare a morte, se acredita em deus, em reencarnação, em paraíso, etc, a dor é igual. A separação será tão difícil quanto. As lembranças serão sempre acompanhadas de saudade.
Outra lição: você não tem o direito de ter saudade se não fez tudo o que podia enquanto era seu amigo estava vivo. Já vi quem chorasse esquecendo que podia ter sido mais cuidadoso, que podia ter procurado ajuda antes. E canso de ver quem cometa sempre os mesmos erros. Se você não fizer valer o amor enquanto os tem vivos, não merece a credibilidade da dor depois que se forem. E por favor, chorem longe de mim.
Por este ângulo, sei que nunca negligeniei nenhum dos meus amigos peludos. Não meço gasto com medicamentos, comida, cuidados, não perco tempo com broncas bobas, não comparo personalidades, nem afeição.
Sei que tanta gente me acha louca. Outros têm medo/nojo de vir em minha casa (meu irmão nunca trouxe meu sobrinho em casa). Azar. Dele. Eu crio cães como a maioria dos norte-americanos: dentro de casa. Se alguém tem algum problema com isso, não me visite. A casa é deles também. Meus cães dormem na cama, sobem no sofá, compartilho a vida com eles. Os beijo e abraço todos os dias e repito mil vezes: obrigado por estarem comigo. Porque quando mais preciso é só deles a total compreensão, o carinho incondicional, o amor sem julgamentos. E porque sei que a vida deles é muito curta, faço valer cada segundo.
Assim, quando o ciclo se encerrar, eu terei a certeza de que os fiz parte da minha vida. Sem nenhum arrependimento. Porque valeu a pena cada segundo que tive ao lado deles.

Terminei hoje mais um livro da saga Entenda o Ciclo da Vida, Karen. Mais do que uma série de livros com final anunciado, as histórias de pessoas e seus animais são sempre cativantes. Mais do que vida e morte, sempre nos fazem lembrar de nossas experiências. E por mais que saiba de cor como tudo acabará, nunca vou me acostumar.
A choradeira da vez é Dewey, um gato entre livros. De autoria de Vicki Myron, com Bret Witter, a obra relata a vida do espitituoso e quase médium gato adotado por uma bibliotecária da cidade de Spencer, Iwoa, EUA. Dewey foi abandonado na caixa de devolução da biblioteca ainda filhote e tornou-se o gato da biblioteca, o mascote oficial da cidade, mundialmente conhecido e que tocou a vida de inúmeras pessoas.

Bem escrito e de muito agradável leitura, a obra é um encanto do começo ao fim. Não. Não se trata da versão felina de Marley, o adorável labrador, mas sim um outro tipo de abordagem e talvez do maior relações públicas que os pobres gatos já tenham tido.
Exatamente por isso, recomendo a leitura para quem insiste em descriminar os gatos. Não quem não gosta de gatos porque não gosta de bichos. Estes não gostam e nunca vão gostar, não nasceram com o dom e pronto. Respeito-os, porém não os entendo.
Mas sim para aqueles que dizem gostar de cães, mas não de gatos.
- São traiçoeiros, dizem uns
- São sujos, dizem outros
- Não gostam do dono, mas sim da casa, garantem ainda outros como um disco riscado simplesmente repetindo o que escutaram alguém falar.
É um legado desastroso e impiedoso esta ignorância disseminada sem bom senso. E particularmente de maiores proporções na cultura brasileira. Gatos são muito mais populares nos EUA e na Europa, mas por aqui é comum ouvir abobrinhas do tipo de quem diz amar seu cão, mas não suportar gato. O que também me parece muito contraditório, pois se você gosta de animais, gosta de animais. Se não gosta, não gosta. Oras, decidam-se. Não existe essa de gosto de crianças loiras, mas não gosto de crianças negras, não….
Então, especialmente para estes eu recomendo expressamente a leitura de Dewey, um gato entre livros. Porque com certeza nunca conviveram com um felino e não conhecem o amor e o carinho que estes elegantes seres podem proporcionar a quem convive com eles.
Agora se você conhecer a história de Dewey e mesmo assim continuar soltando pérolas como gatos são traiçoeiros, gatos não gostam do dono ou só gosto de cães, eu recomendo expressamente uma alta dose de sensibilidade. Mas esta infelizmente não é encontrada nas livrarias, nem no Submarino e acho que você vai ter que nascer de novo para conseguir.

“Os cães vivem pouco para o amor que lhes ganhamos” diz José Saramago em um post do seu blog onde fala de seu companheiro Camões. Isso mesmo. Camões é o nome do cão de água português da foto (o maior), segundo o autor.
O post é este aqui. É sempre uma delícia ler Saramago. O melhor, mais crítico, sensível e humano escritor de todos os tempos, em minha modesta opinião.
Saramago é mestre em criar personagens caninos fundamentais e marcantes, como o Cão das Lágrimas de Ensaio sobre a Cegueira e Achado de A Caverna.
Em uma recente entrevista, o escritor declarou: “Gostaria de ser recordado como o escritor que criou a personagem do Cão das Lágrimas. É um dos momentos mais belos que fiz até hoje enquanto escritor. Se no futuro puder ser recordado como “aquele tipo que fez aquela coisa do cão que bebeu as lágrimas da mulher”, ficarei contente. Se alguém procurar naquilo que eu tenho escrito uma certa mensagem, atrevo-me pela primeira vez a dizer que essa mensagem está aí. A compaixão dessa mulher que tenta salvar o grupo em que está o seu marido é equivalente à compaixão daquele cão que se aproxima de um ser humano em desespero e que, não podendo fazer mais nada, lhe bebe as lágrimas”.
Já leu Saramago? Vá correndo.
No embalo de Marley, deixo hoje algumas dicas de leitura para aficcionados por cães.
A Arte de Correr na Chuva
Garth Stein
Sinopse: Enzo é um terrier que vive em Seattle com o dono, Denny Swift, um piloto de corridas. Amigos inseparáveis, Enzo acompanha toda a trajetória de vida de Denny, desde sua luta para se tornar um piloto profissional bem-sucedido até seu encontro com Eve, o enlace de ambos e o nascimento da filha do casal.
Frustrado por não poder falar, uma vez que não é humano, Enzo costuma acompanhar todas as corridas de Fórmula 1 pela tevê, bem como tudo o que se passa a sua volta, até o dia em que uma fatalidade muda definitivamente a vida de todos.
Comentário: É uma bela e lacrimejante história, narrada em primeira pessoa pelo próprio cão. É ficção, claro. Se o apelo emocional e as várias referências da importância de um cão nas nossas vidas, bem como a diferença que fazem nas horas difíceis é bem bacana, me incomodou um pouco o enfoque antropocentrista do autor: na análise de Enzo, os humanos são o ápice da evolução, a referência que ele pretende seguir e se transformar numa próxima vida. Eu sou totalmente contra esta visão. Não acho humanos mais evoluídos, mais importantes, nem os considero referência para nada.
Mas vale a doçura com que Enzo é retratado e a bela relação entre ele e Denny.
Série Patas na Europa
Antônio F. Costella
Nestes quatro livros de viagem, o cão Chiquinho relata o itinerário que percorreu (de verdade) na Europa com seu dono, Antonio F. Costella, quando este foi dar aulas em uma faculdade de jornalismo de Portugal.
Dotado de muito bom humor, o cão mistura fatos realmente acontecidos a elementos de ficção, e envolve-se em aventuras com vultos históricos notáveis (Napoleão, D. Pedro I, Nostradamus, Júlio Cesar, Marco Polo, e outros) que explicam a história dos lugares visitados durante a viagem. Sempre sob o ponto de vista canino, analisa também aspectos do comportamento animal, e do homem com relação aos animais.
Portugal e Espanha são o cenário de Patas na Europa. No maravilhoso sul da França, ocorrem as aventuras do Patas 2. Peripécias na Itália nos encantam em Patas 3. A fantástica história da Grécia e o retorno ao Brasil marcam o Patas 4.
Comentário: Deliciosos para quem curte cães, história e viagens. A narração sob ótica canina é uma irônica e charmosa. Uma graça. Vale a pena mesmo. Leiam.
Quando li, a série era dividida em quatro livros e a foto da capa era do próprio Chiquinho. Recentemente lançaram uma edição com os quatro volumes. A foto é bacana, mas não é o Chiquinho…..
Atenção – O post contém informações sobre o final da história. Se você é um dos 3 seres no planeta que não conhece o final do famoso livro, fuja daqui.
E o ano não podia começar diferente. Dia 2, estava eu no cinema, ansiosa para assistir Marley & Eu.
Terminada a sessão, meus olhos inchados e vermelhos chamavam atenção dos demais frequentadores do shopping. Arrependimento? Nenhum. Foi uma experiência e tanto.
Dirão que exagero por ser apaixonada por cães, mas Marley & Eu, além de explorar a relação que temos com nossos amigos peludos, é um filme sobre a vida.
Baseado no best seller homônimo de Jonh Grogan, a versão das telonas conta a vida do autor a partir de seu casamento, focando na relação com o atentado labrador, com a esposa, a chegada dos filhos e sua carreira jornalística, que segue um rumo bem diferente de suas expectativas.
Por incrível que pareça – tratando-se de uma cachorreira como eu – não li o livro. Não consegui. Quando foi lançado, eu tinha acabado de perder a Dara, nossa fox paulistinha. A experiência – que culminou na eutanásia – foi muito pesada, muito sofrida e eu não queria nada me que lembrasse – embora por nenhum minuto daquele ano eu consegui esquecer – do sofrimento dela.
Mesmo continuando a mesma pessoa que não sabe lidar com perda – e acho que nunca aprenderei – com o lançamento do filme, tentei exorcizar minha covardia e fui conhecer a história de Marley.
Por desconhecer a versão do livro, não posso opinar sobre o quesito adaptação. O que posso contar é que a abordagem cinematográfica da vida da família é de uma sensibilidade notável.
John é um cara comum, sem maior carisma (exatamente por isso, Owen Wilson caiu muito bem no papel) e as dificuldades e alegrias que divide com a esposa são vividas por grande parte das pessoas, independente de terem ou não filhos. Sua dificuldade de treinar Marley, sua relutância perante as mudanças, sua indecisão e até insatisfação profissional são questões que quem se compromete com algo ou alguém, sente em algum momento. E a forma suave como tudo foi abordado é o grande mérito do filme.
Claro que a relação com Marley é o foco cômico e o chamariz para lotar as salas de cinema. E a edição privilegiou os momentos hilários, criando clipes divertidíssimos embalados por uma trilha sonora muito bacana. A química dos atores entre si e com os cães que interpretaram o fanfarrão labrador também é ótima e embora seja difícil me imaginar sendo interpretada por Jennifer Aniston, em muitos momentos me sinto como a dona de Marley e imagino que aquele filme podia muito bem ser da minha vida.
E assim a vida segue. Um dia, como ocorre com todos que convivem com cães, a perda é inevitável. Se agradeci por esta parte ser pequena e ficar relevada ao fim, não consegui evitar soluçar no cinema nos tristes momentos finais. Neste ponto, faço uma ressalva: acho que não precisava ser tão visual. Podia ter sido mais suave como foi o restante da narração. Ficou óbvio demais que a intenção foi tornar o filme uma referência em finais lacrimejantes e causar comoção. E como causa.
Se você tem um mínimo de sensibilidade vai chorar com Marley. Se você é daqueles – como eu – que passou na fila do sentimento várias vezes, vai se acabar e vai ter vontade de chorar toda vez que lembrar daquele desfecho.
Porque na verdade, naquelas cenas finais eu não mais prestava atenção ao filme. Passava pela minha mente várias lembranças de minhas experiências com amigos de quatro patas que já foram desta vida, como foram importantes para eu ser quem sou, como me tornaram uma pessoa melhor. E claro, pensava na minha turminha, em casa, me esperando. E a vontade que deu foi de correr para lá, abraçar meus queridos e fazer tudo que eles querem. Porque a vida deles é muito curta. E porque passa rápido demais.
E o que ficou é a certeza de que Marley & Eu deve ser assistido sim. Porque deve agradar quem tiver sensibilidade.Pois mostra o amor inocente e desprovido de interesses de um cão e a diferença que ele faz em nossa vida. Mostra que as dificuldades de vidas não tão extraordinárias podem valer a pena. Que é importante estar aberto para aceitar algumas mudanças de plano. Que o sucesso nem sempre é o que o inconsciente coletivo te ensina.
E hoje, imagino como John Grogan se sinta. Como Marley mudou sua vida. Como ele, depois de não esperar já mais grandes surpresas da profissão, alcançou e tocou tantos corações como escritor. Nunca é tarde.
PS – E aquele fofo que interpretou o Marley velhinho na cena mais triste da história do cinema merece um Oscar.
- Não sou pessimista. O mundo que é péssimo.
- Não há direitos humanos.
- A humanidade não merece a vida.
- Uma boa doença vale por toda a obra de Paulo Coelho.
- A narrativa é a correnteza que nos leva, embora (sejamos) nós que guiamos o barco.
- Mudar a vida exige que mudemos de vida
José Saramago
E tem que ouse criticar o mestre.
Sou passional. Me encanto com pessoas e idéias. E tenho um encanto apaixonado pelas palavras de José Saramago.
Não tenho vergonha de confessar que tenho um quê de totalitarista. Não encaro com bons olhos quem deprecie meus objetos de interesse. Às vezes os ataco, geralmente os corto de meu mundo.
Por isso, desde que li uma crítica negativa de Marcelo Tas ao penúltimo livro do mestre ganhador do prêmio nobel e autor de obras maravilhosas como Ensaio sobre a Cegueira e As Intermintências da Morte, eu nunca mais consegui ouvir, nem ler, meia palavra do que o careca fala. E agora pergunto Marcelo Who?
E assim segue….Critique meus ícones, minhas paixões e ideologias e ganhará meu desprezo eterno.
Tenho plena convicção de que se você não tiver nenhum motivo pelo qual se apaixonar e brigar, falta essência vital na sua existência.
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De Bagdá, com muito amor
Recomendo esta tocante narrativa sobre o resgate de um cão iraquiano por um tenente coronel norte-americano, durante a atual ocupação do Iraque. O pequeno Lava é encontrado ainda filhote em uma casa abandonada em Faluja, em meio a um dos mais devastadores ataques do início da guerra. Desobedecendo o regulamento militar, o grupo adota o mascote que logo se torna protegido do tenente-coronel Jay Kopelman.
O cãozinho, mais que um mascote, promove uma revolução na visão de vida do militar. Sem cogitar deixá-lo no país, ele enfrenta uma batalha burocrática para poder levar Lava à California.
A narrativa explora não somente o relacionamento com cão, que transforma Jay, mas envolve também uma descrição realista da situação do país, dos soldados norte-americanos, iraquianos – civis sem treinamento militar e preparação psicológica - e da insanidade dos rebeldes, que chegam a utilizar portadores de Sindrome de Down como homens bomba.
Mesmo que do ponto de vista de um norte-americano, a reflexão inclui elementos bastante críticos sobre o treinamento militar e a ocupação. É impressionante perceber a tranformação que a convivência com um cachorrinho pode promover em um militar, valentão, treinado para matar. Como ele se torna vulnerável, admite sentir medo, chorar, se importar….
“Mais do que qualquer coisa, quero ele vivo porque, devo confessar, antes de Lava eu era um fuzileiro de quem não se esperava qualquer reflexão sobre a vida e a morte. Eu carregava uma mochila repleta de cupons que valiam a absolvição. Agora, depois de conhecer Lava e deixar o medo tomar conta de mim, percebo uma vaga semelhança entre um assassino em série e eu.” reflete o tenente.
Fronteiras do Universo
E para quem gosta do gênero fantasia, uma dica: a trilogia Fronteiras do Universo, de Phillp Pullman, formada pelos volumes A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar
Como costuma ocorrer, o filme do primeiro livro, lançado em dezembro passado não chega aos pés da obra literária, apesar de ser bem divertido.
As obras abordam um mundo fantástico repleto de universos paralelos, feiticeiras, povos místicos e uma série de personagens interessantes e carismáticos, como a encantadora garotinha Lyra Belacqua. A narrativa é ágil, a história é complexa e será melhor compreendida por adultos por conter críticas diretas à religião, que na obra suprime da sociedade o livre pensamento, escondendo informações e punindo severamente quem a desafia (qualquer semelhança não é mera coincidência). O Vaticano ordenou que seus fiéis boicotassem a obra e só por isto, já vale a pena conhecer.
Além da polêmica, me encantou a existência de dimons, animais que acompanham cada ser, verdadeiras almas que refletem a personaldade e os protegem. Amei este conceito.
Impossível não pensar em cada um dos meus peludos. O Matheus é indiscutivelmente o dimon do Marido, enquanto Fredinho e Juju dividem a supremacia da minha alma.
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Tento ler Caninos Brancos. Tento. Não sei se consigo chegar ao fim. É uma bela história, mas….
Caninos Brancos é um lobo selvagem, único sobrevivente da ninhada de uma loba mestiça e seu bravo companheiro, um lobo experiente, sofrido e implacável com os adversários.
O autor narra com detalhes a sobrevivência na selva. Aliás, o termo sobrevivência nunca foi tão bem empregado. A vida selvagem é cruel. A natureza é cruel. Não há outro termo. Não que descobri isto agora, mas nas palavras de Jack London tudo parece pior. Talvez pela leitura mexer tanto com os sentidos, obrigar a criar a própria imagem dos acontecimentos e estampá-la no cérebro de forma tão pessoal.
Voltando. Filhotes morrem de fome, são vitimados para saciar a fome de outros. Se matam para sobreviver.
Para quem tem uma ligação exageradamente forte com animais, como eu, é imensamente dolorosa esta consciência. A morte, na vida selvagem significa também vida. Dificil entender. Impossível não cair em prantos pela dor do porco espinho que é ferido mortalmente por um lince que tem sua agonia assistida pelo impassível Zarolho (o lobo pai), que aguarda o último supiro do animal para garantir a comida da loba e de seus filhotes…
E não há escolha, não matam por diversão, mas por necessidade….(oposto do ser humano)
Na vida selvagem, se morre com tanta facilidade, que a luta pela sobrevivência parece não ter tido importância. Não se morre de velho, se morre de vida. E durante a plena vida. Tudo foi em vão.
Impossível não se deprimir e refletir….Sempre ouvi referências belas das leis naturais. O clichê “Deus é a natureza” soa estranho quando enxergamos as leis naturais sem eufemismos, sem disfarces..
Seria esta fórmula o equilíbrio necessário para a vida selvagem? E se as fêmeas entrassem no cio apenas bianualmente….e as ninhadas fossem menores..e todos fossem vegetarianos…e as plantas se multiplicassem em progressão geométrica….Não poderiam os animais morrerem todos de velhice???
Quem sabe um dia apresento um projeto para revolucionar a natureza? Não sou a Emília (Reforma da Natureza de Monteiro Lobato), mas tenho boas idéias! E sou pretensiosa!!!!!
Devaneios infantis à parte, sei que a história vai ficar pior…o pobre Caninos Brancos cairá em mãos humanas e sofrerá o diabo!!! Nada melhor que um ser bípede com um cérebro um milésimo mais desenvolvido para aterrorizar a vida animal!!!
Nem mesmo os que estão ao lado deles…
É o caso do ursinho alemão, Knut, rejeitado pela mãe e adotado pelo tratador. Ambientalistas queriam sacrificá-lo, pois ao crescer com contato humano perdeu a capacidade de se relacionar com outros ursos.
Para a felicidade quase geral, sua vida foi poupada. Ele terá uma chance de viver. Seja como for, meio homem meio urso, meio selvagem, meio amparado.
E quem sabe, como ele reagirá? O livro A Compaixão dos Animais relata uma série de ações inusitadas aos mais desavisados. Entre elas, um urso que adotou um gatinho e divide sua refeição com o bichano. O caso é documentado. Que biólogo preveria este relacionamento?
Concordo que um zoológico não é o local ideal para um animal. Uma jaula é sempre uma jaula. Mas quem tem coragem de tirar a vida de algo tão fofo???
A visão do grupo ambientalista, com certeza, é baseda no modelo conservacionista ocidental, que considera o habitat natural o melhor lugar para os animais.
Também sempre defendi a tese. Me revolto com circo ou qualquer atividade que force animais a servir aos homens. Não gosto de zoológico. Sou contra comer animais, vestir animais, testar em animais, explorar animais comercialmente. A justificativa de que eles existem para nos servir me enoja, é absurda, repugnante.
A interferência humana sempre foi prejudicial.
MAs…Pensando na vida selvagem sem a lente fantasiosa de que todos serão felizes e contentes, de que os coelhinhos pularão alegremente e os leões deitarão preguiçosamente na relva para tomar sol, sem se preocupar em almoçar a zebra vizinha ou ser alvo do insolente leão do bando rival. E além de todas as incontáveis dificuldades a que serão submetidos em seu curto tempo de vida, ainda terão que se ver com os homens – sempre o pior dos inimigos – devastando seu habitat, caçando-os e matando-os por diversão, capturando-os para fins exclusivamente benéficos à própria humanidade.
É muito tormento….
Gostaria de que todos pudessem ser cuidados, alimentados e morrer de velhice…e longe das jaulas.
Isto me remete imediatamente ao Templo dos Tigres. Quem assite Animal Planet, já deve conhecer a história do monge budista da Tailândia, que cria tigres como gatos. Ele começou recolhendo animais doentes ou rejeitados e em pouco tempo formou uma família numerosa de tigres criados na mamadeira, que não comem carne, apenas uma mistura de farelos, fibras e ossos moidos de frango. Passeiam de coleira pela vila onde moram, brincam com os monges como gatinhos. Inacreditável!
Quem imaginaria um comportamento destes em um animal selvagem…Seria uma capacidade e adaptação desconhecida até então?
O trabalho começou sem estrutura, os tigres ficavam em jaulas e não podiam ser devolvidos ao habitat, pois não tinham desenvolvido os requistos necessários a sobrevivência na selva. Hoje, conta com uma área aberta, um santuário ecológico especialmente construído para eles, onde vivem em tranqulidade, sem precisar caçar ou temer ser caçados. E mantêm a afeição aos humanos.
No programa, um biologo explicava que aquele modelo de preservação de espécies ia contra os principios ocidentais, pois incluia o relacionamento com humanos, mas garantia ser um exemplo válido. Se os animias estão bem cuidados, não estão confinados e nem são explorados para fins comerciais, gozam de boa saúde, por que não aplaudir a atitude do monge? Este documentário sempre me emociona. Acho lindo o relacionamento dos tigres com o monge…algo meio mágico, um exemplo de evolução da espécie humana ainda restrito a uma milionésima parte do contigente bípede pensante, e de como poderíamos ser úteis a eles.
Os animais selvagens criaram laços de ternura com o ser humano que os protege. Não vivem atrás de grades, não são obrigados a fazer truques ridículos..ouso dizer que são felizes!
Depois de acabarmos com o habitat natural deles, de os utilizarmos para tantos fins sem lhe dar chance de escolha, não seria digno agora oferecer um opção de sobrevivência sem o estresse das leis selvagens, com cuidados médicos, alimentação, dedicação?
É utópico, mas não custa sonhar…
A vida de um animal tem tanto valor como a do ser humano! É carne, sangue, mente, vida. Por que achamos que eles existem para nos servir? Por que nos damos o direito de come-los, usa-los para tudo? Por que somos melhores? Não somos..somos piores….
Em tempo, Caninos Brancos é um belo livro, vale a pena ser lido. O autor é Jack London. Pode ser encontrado em uma coleção de Pocket Books, da Martin Claret, bem baratinho..não tem desculpa para não ler!
E A Compaixão dos Animais é Kristin Von Kresleir, da Editora Cultrix. Ela escreveu também a Bondade dos Animais. São lindos, maravilhosos, emocionantes.







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