- Eu detesto a Copa do Brasil. Mata-mata injusto e descabido que só atrapalha os times. Tem gente que só pega baba. outros, só enrosco. Pontos corrido também é uma droga, não tem emoção. Fórmula ideal: a do Paulista, à prova de amarelão….(vide bambis).
- Não aguento mais ouvir as estatísticas de futebol nas transmissões da Globo. O que interessa se Corinthians e Fluminense jogaram desde 1900 cinquenta e cinco vezes? E que o fulano faz 2h35m7s sem marcar gol??? Aliás, o Kleber Machado já ta me enjoando, mas não tenho opção. Detesto o Luciano gagá do Vale e na ESPN me sinto assistindo a abertura da bolsa de valores. Os caras se levam a sério de mais. Vestem terno e gravata para debater futebol!!! Ve se pode??? Tem um que faz planilhas, estatíticas, pensa que é o Joelmir Betting…Tem dó. Sem dizer que são totalmente anticorinthians. Até (principalmente) o Juca Kfouri, que se diz torcedor do timão. O cara é a corneta mais azeda do time. E tem o Trajano, que parece o palhaço Crusty, dos Simpsons!
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Ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro. Mas que é bom pra caramba ser campeão, ah isto é!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ronaldo já está eternizado no timão!!! Tem garra, compra briga e sabe como poucos dar a volta por cima.
Valeu, Gordo!!!!!!!!!!!!!!
Ah….Como é bom eliminar o São Paulo!!!!!!!!
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Diálogo entre filha corinthiana e pai santista depois do jogo de domingo:
- Pai, ta com dor de Dentinho?? (jogador que fez o gol do timão)
- Hehehehe – O importante é que você fique feliz (irônico)
- Então troca de time
- Mais fácil mudar de filha….
Este post não é apenas sobre futebol. Nem só sobre um bando de loucos.
É mais que isto.
Dia 2 de dezembro de 2007 foi um dia desgraçado.
2007 foi ano pra se esquecer aqui em casa. E para ajudar, terminava com aquela merda toda do Corinthians sendo rebaixado. Aquela humilhação e aporrinhação sem fim.
Justo o Corinthians, que tinha me aproximado do meu marido na casa de amigos, que fazia parte dos nossos primeiros encontros, que é parte de nossa história. Justo o timão que tanto mexe com meus nervos, que simboliza parte da minha personalidade, que já me fez tantas vezes entrar em êxtase, estava lá no limbo, junto comigo. Foi mesmo um ano maldito.
Choramos e terminamos o ano com um gosto amargo, com medo e frustração. Não peço que entendam. Não ouso esperar que alguém entenda o patamar da comparação, nem o irracional sentimento que um time de futebol pode gerar a qualquer ser criado numa família insandecida como a minha.
Mas a raiva passou e encaramos a segundona. Voltamos a frequentar estádio depois de muitos anos longe. Acompanhamos grande parte dos jogos, de perto ou longe, pelo rádio, pela tv ou pela internet. Os sábados ficaram mais divertidos. Ficamos ainda mais orgulhosos de sermos um casal de corinthianos.
E este orgulho dominou todo corinthiano que conheço. A tão falada nação mostrou porque é mítica. O Nunca Vou te Abandonar foi a reafirmação da garra de uma torcida que tem um time.
Foi tudo ímpar e não tenho problema em afirmar que a queda para a Série B foi totalmente benéfica. Como na vida, algumas vezes você precisa cair para aprender a levantar. Você precisa reorganizar, reinventar, se planejar e se fortalecer. E você precisa de uma história como esta para tornar ainda mais mágica sua existência e criar mitologia própria. Porque não foi vergonhoso e esta fase não deve ser esquecida, mas sim vangloriada.
Talvez eu seja uma das corinthianas mais tocadas por este espírito de volta por cima que dominou o ano do alvinegro do Parque São Jorge. Mais do que a segunda divisão, esta queda foi uma metáfora para minha própria história recente.
Eu e o Marido tivemos também um ano onde tudo precisou ser renovado, onde não havia opção a não ser renascer das cinzas, repensar, se adaptar. Mais um ano difícil. E como o Corinthians, nós encaramos o desafio de frente, sem tapetão, pois o que distingue um vencedor de um cascateiro qualquer é a forma como ele levanta. (viu, bambis..).
E independente da certeza que o time garantiu no coração de cada torcedor, só quem é corinthiano sabe que adora um drama e mesmo que ele esteja ausente é preciso sentir cada conquista como se ela fosse a mais difícil. Por isto o sábado 25 de outubro nunca será esquecido. O ano de 2008 não será esquecido.
E tamô de volta - como disse Felipe – com erro de ortografia, mas sem trancos, muito menos barrancos.
Como é bom ser corinthiano!
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Fui gerada em uma pensão próxima à Vila Belmiro. Era década de 70 e meu pai costumava arrastar minha mãe para assistir Pelé e companhia defendendo sua grande paixão, o Santo Futebol Clube.
Acho que desde aquela época me questiono sobre os motivos que levam as pessoas a perderem a noção do sensato quando se trata de futebol. Por que se tornam tão emocionais e irracionais quando seu time está em campo?
Em casa, o aparelho eletrônico mais usado era o radinho de pilha. Companheiro inseparável de meu pai, via o sendo levado para o banheiro na hora do banho, quando chegava do trabalho, para que pudesse ouvir as notícias do time. Via o colado em sua orelha em noites comuns, em jogos sem importância…Cara de poucos amigos, olhos perdidos no nada davam o sinal de que o Santos estava jogando. Minha mãe garante saber se o Santos está ganhando ou perdendo só de ouvir sua respiração…
Ele ouve rádios de Santos - moramos no ABC – para saber de notícias quentes. Como ele consegue distinguir notícias no meio do insuportável chiado gerado pela distância de transmissão ninguém sabe!
Assim foi e assim continua sendo. Mas o DNA problemático não pára por ai. Minha mãe, hoje bem mais controlada, é tão emocionalmente palmeirense que não consegue assistir aos jogos. Fica só com sua angústia, fechada no quarto e atenta aos fogos para saber se saiu gol, esperando que alguém avise que já terminou. Nem sempre resiste. Quando o Palmeiras venceu a Libertadores, entrei no quarto para dar a boa notícia e a peguei já assistindo pela TV, e às lágrimas!!!
Meu irmão herdou o amor pelo Santos e o leva tão a sério quanto meu pai, porém bem mais descontrolado. Chuta a parede, se descabela, fala milhões de palavrões. É um laço forte entre os dois, que até causa certa inveja, uma espécie de pacto sagrado irredutível….
Ele frequenta assiduamente a Vila Belmiro. Já esteve mais feliz e teve paciência de um monge. Na final do Campeonato Brasileiro de 2002, quando o peixe saiu da longa fila (hehehehe) quase infartou quando o Corinthians virou o jogo e dependia de apenas mais um gol para tirar o título do Santos. Saiu de casa feito um louco e ficou rodando a cidade de carro, carregando a pobre namorada – hoje esposa. Ao ouvir fogos pelo empate, jurou que o gol era do Timão e só depois que a namorada insistiu, ligou o rádio. Não resistiu, voou para a Imigrantes para seguir o ônibus do time até a baixada.
Antes do jogo, ele sutilmente expulsou eu e meu noivo na época – hoje marido – ambos corinthianos de casa: Sabe como é, corinthiano dá azar.. Vez ou outra afirma categoricamente que sua missão na Terra é torcer contra o time do Parque Sâo Jorge!
E tinha também meu avô paterno. Sãopaulino doente, não perdia um jogo do seu ou de qualquer outro time. Adorava futebol e passava horas grudado no radinho e na frente da Tv para ver todos os programas esportivos. Caso jogassem São Raimundo e Vila Socó, para ele seria imperdível! Isso trouxe alguns probleminhas com minha vó e após insistentes pedidos, ele finalmente comprou um segundo aparelho de tv para que a coitada pudesse ver suas novelas e o Silvio Santos em paz.
No fim de sua vida, teve uma doença que tirou gradativamente sua lucidez e e para nós foi muito triste ver a indiferença com que passou a tratar o tema, pois simbolizava claramente o quanto ele estava fora do mundo. Durante seu velório, em 28 de dezembro de 1998, acontecia a final da Copa do Brasil daquele ano, e ao ouvir os rojões que comemoravam a vitória do Palmeiras pareceu uma estranha coincidência soando como homenagem a quem tanto apreciou o esporte mais popular do País. Acho que foi a primeira partida que ele acompanhou após anos de apatia…
Cresci no meio destes doidos e também tive momentos insanos. Entendo tecnicamente um pouco…sei diferenciar impedimento de escanteio e prefiro programas esportivos a femininos . Acabei corinthiana, por incrível que pareça, uma ovelha alvinegra!!! Tento ser controlada - já tive episódios impublicáveis - mas confesso que é difícil. Afinal, quem sai aos seus, não degenera - ou só degenera. No rebaixamento, chorei e achei que o mundo ia acabar. Na recente desgraçada final da Copa do Brasil, para não surtar, tive que me distrair arrumando os armários…
Meu marido, embora sem o DNA degenerado como o meu, também é maloqueiro e sofredor. Aliás, o Timão faz parte de nossa história. Nosso primeiro contato mais próximo foi para assistir um jogo do Corinthians na casa de uma amiga. Logo no início de namoro marcamos um encontro: domingo, no Morumbi, para assistir Corinthians e Portuguesa. Ele é todo poderos timão, filho de espanhol só podia dar nisto – mas a convivência é pacífica na família, embora ele odeie cada vez mais o Santos !!!
A lista de atos dramaticamente engraçados provocados pela paixão já presenciados é infinita e mereceria na verdade um livro. Amigo que faz o sinal da cruz ao passar em frente ao Parque São Jorge; outro que, em seu casamento, na hora do brinde, pediu a palavra para fazer uma prece e soltou solenemente: Salve o Corinthians, o campeão dos campeões. Eternamente dentro de nossos corações. E sem esquecer o vizinho corinthiano que quando adolescente chutava o carro verde de seu pai, o símbolo do inimigo. Ou ainda o padrinho de batismo que ao encontrar no mercado o juiz que prejudicou o time em uma final de campeonato, foi tirar satisfações.
Essas histórias são comuns e aposto que a maioria de nós já presenciou alguma insanidade parecida. Porque o futebol está arraigado em nossa cultura, despertando em vários lugares do mundo, uma paixão dificil de explicar. Acho que já está no inconsiente coletivo. Passa de pai para filho e tem boas e más consequências. Basta lembrar de tantas vidas acabadas por estupidez, apenas porque não defendiam a mesma bandeira.
Para o torcedor, não adianta apelar para o racional e pensar que é apenas mais um esporte e que, ganhando ou perdendo, suas vidas continuarão como sempre. Soa como consolo simplista para torcedor derrotado na segunda-feira.
E entre tantas histórias, uma cena em especial nunca me saiu da memória.
Seu João é um simpático e sorridente zelador do prédio de uns amigos. Na final da Copa de 1998, entre Brasil e França, eu e meu marido assistíamos a final com eles, quando passados mais de 30 minutos do segundo tempo, com 2 x 0 para a França, decidimos ir embora para evitar a confusão que prometia se formar após a derrota inevitável. Descemos calados, embora sinceramente eu não torça para a seleção brasileira por diversos motivos, e na portaria encontramos seu João chorando.
- Não esquenta seu João, na próxima a gente leva – profetizou meu marido. Mas não adiantou muito. Foi um cena triste que exemplificou exatamente o que significa uma simples partida de futebol.
Talvez, daqui há milhares de anos, as pessoas se perguntem por que durante os séculos XX e XXI e quem sabe quantos mais, multidões se reuniam em grandes arenas gramadas, grupos se aglomeravam nas ruas e em suas casas para assistir 22 homens correndo atrás de uma bola, tentando encaixá-la em três estacas de madeira rodeadas por uma rede. E o fato de uma parte torcer para um bando e outra para outro bando seja explicado por exames minuciosos em telas de plasma nos restos mortais dos crânios de fósseis deste período. E as crianças aprendam, assim como hoje estudamos hábitos de civilizações perdidas, que era motivo de grande orgulho ser um destes homens e que isto se tornou uma das poucas possibilidades de mobilidade social extrema nesta remota civilização.
Vai saber.







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