Arquivado em: Sessão Descarrego
Sinceramente….
Um post da amiga blogueira Selma me fez sentir um ET – mais do que normalmente me sinto neste planeta estranho. Falando de partos, a conterrânea que espera um baby explicou porque prefere parto normal do que cesárea. Tudo bem.
Cada mulher tem suas particularidades e deve ter total controle sobre as escolhas referentes ao seu corpo.

Dor=Raiva
O que me deixou me sentindo o peixe fora d”água foi o fato de que fui a única nos comentários que se manifestou totalmente a favor da césarea e assumiu o medo total de dores físicas.
Não sou mãe e acho que nunca serei. O que não me torna menos mulher, nem menos referência para este tipo de conversa. Sou mulher. E tenho pavor de dor. Não gosto de sentir nenhum tipo delas e faço todo o possível para evitar. Sou covarde ou tenho instinto de preservação? Não sei.
O que tenho sentido, não somente neste caso, mas de maneira geral é um certo patrulhamento. Oras, você tem que ser mãe para saber o que é ser completa. Tem que achar natural o fato da maldita menstruação te tirar dias, meses e sabe-se la se anos de vida útil com dores, inchaço, irritação, ódio, desequilíbrio emocional.
Odeio estes malditos hormônios femininos que me atrapalharam a vida toda. Me atrapalharam muito. Já falei que gostaria de fazer histerectomia para ficar livre destes dias horríveis que sempre me incomodaram. E quando ouço alguém fazer poesia com o tema, tenho vontade sincera e profunda – estando de TPM ou não – de tirar o vida do sem noção. (tem um ótimo post da Lucy sobre isto também).
E falando em partos, agora tem a moda do parto natural – sem medicação nenhuma. E um monte de descoladas mostrando os vídeos da experiência, falando que é o máximo, que se sentiu mulher, bla bla, bla bla. Mas o que as imagens mostram – uma suadeira horrível com mulheres com caretas horríveis de dor – parece mais um filme de terror. Dá um tempo, vai…
Caramba, temos tecnologia para que? Temos medicina para que?
Vamos voltar viver nas cavernas, então..caçar a comida, brigar por território.
Parto normal pode ser mais prático, ter recuperação mais rápida, tudo bem, pode ser uma experiência que a mulher quer viver. Mas sem medicamento nenhum? Em casa, longe de médicos? Vão se catar, vão….
Trabalho de parto é dolorido e pronto. Tem pessoas que passam por esperiência terríveis. E esta experiência pode influenciar o relacionamento com o filho e até a vida psicológica da criança. Minha psicóloga me confirmou isto.
Se o governo quer gastar menos, problema dele. Eu não teria jamais, em hipótese alguma. Me dá uma injeção, me põe para dormir e tira logo o filho de lá….
Ser boa mãe é muito mais que sofrer no parto. É outro papo.
E do de saco cheio de um monte de padrões estabelecidos sobre o que é ser mulher. Do fundo do coração, não quero ser mãe. Eu não gosto de dor e não acho que tenho que sentir. Não gosto de shopping center, de experimentar roupas, de papo e manicure, de novela, de fofocar no telefone. Mas tenho coleção de bichinhos de pelúcia e um guarda roupa bem lotado. Amo vestidos, mas adoro futebol. Dispenso ginástica olímpica para assistir basquete. Prefiro a objetividade masculina e gostaria de ter apreendido taekwondo, mas também ter a classe da Audrey Hepburn. Não troco pneus, muito menos costurar. E gosto de homens másculos, nada de metrosexual.
E não preciso que me digam como ser para justificar meu DNA feminino.
Apesar da convicção que falo, acontece que patrulhas e demagogia (não to falando do post da Selma, mas sim da postura geral que sinto atualmente) sempre são nocivas ao subconsciente de quem pega uma estrada diferente. Fazem você se sentir diferente e sem uma ajudinha psicológica, uma terapia básica, isto atrapalha sua vida. Tem que aprender a lidar com isto.
E to escrevendo principalmente por necessidade de me aceitar como diferente, organizar meus argumentos e confirmar que racionalmente - sem poesia, nem valores emocionais que não são meus – estou com minha razão.
Dor é incômodo. Não fui feita para sentir dor. Isto é mito, o que minha bisa pensava – porque na era dela não existia nem analgésico.
Dor atrapalha, faz você perder tempo. E menos tempo é pior qualidade de vida.
Evolução é melhorar a qualidade de vida. Melhor qualidade de vida é evitar a dor.
E viva os antitérmicos, analgésicos, antialérgicos,antiinfalmatórios, antidepressivos, anticoncepcionais, e etc.
Então, me dá um remédinho e não se fala mais nisso.








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