Breakfast at Tiffanys


O lobo…o ursinho..e os tigres
Julho 31, 2008, 5:28 pm
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Outro das antigas….

Caninos Brancos

Tento ler Caninos Brancos. Tento. Não sei se consigo chegar ao fim. É uma bela história, mas….
Caninos Brancos é um lobo selvagem, único sobrevivente da ninhada de uma loba mestiça e seu bravo companheiro, um lobo experiente, sofrido e implacável com os adversários.
O autor narra com detalhes a sobrevivência na selva. Aliás, o termo sobrevivência nunca foi tão bem empregado. A vida selvagem é cruel. A natureza é cruel. Não há outro termo. Não que descobri isto agora, mas nas palavras de Jack London tudo parece pior. Talvez pela leitura mexer tanto com os sentidos, obrigar a criar a própria imagem dos acontecimentos e estampá-la no cérebro de forma tão pessoal.
Voltando. Filhotes morrem de fome, são vitimados para saciar a fome de outros. Se matam para sobreviver.
Para quem tem uma ligação exageradamente forte com animais, como eu, é imensamente dolorosa esta consciência. A morte, na vida selvagem significa também vida. Dificil entender. Impossível não cair em prantos pela dor do porco espinho que é ferido mortalmente por um lince que tem sua agonia assistida pelo impassível Zarolho (o lobo pai), que aguarda o último supiro do animal para garantir a comida da loba e de seus filhotes…
E não há escolha, não matam por diversão, mas por necessidade….(oposto do ser humano)
Na vida selvagem, se morre com tanta facilidade, que a luta pela sobrevivência parece não ter tido importância. Não se morre de velho, se morre de vida. E durante a plena vida. Tudo foi em vão.
Impossível não se deprimir e refletir….Sempre ouvi referências belas das leis naturais. O clichê “Deus é a natureza” soa estranho quando enxergamos as leis naturais sem eufemismos, sem disfarces..
Seria esta fórmula o equilíbrio necessário para a vida selvagem? E se as fêmeas entrassem no cio apenas bianualmente….e as ninhadas fossem menores..e todos fossem vegetarianos…e as plantas se multiplicassem em progressão geométrica….Não poderiam os animais morrerem todos de velhice???
Quem sabe um dia apresento um projeto para revolucionar a natureza? Não sou a Emília (Reforma da Natureza de Monteiro Lobato), mas tenho boas idéias! E sou pretensiosa!!!!!
Devaneios infantis à parte, sei que a história vai ficar pior…o pobre Caninos Brancos cairá em mãos humanas e sofrerá o diabo!!! Nada melhor que um ser bípede com um cérebro um milésimo mais desenvolvido para aterrorizar a vida animal!!!
Nem mesmo os que estão ao lado deles…
É o caso do ursinho alemão, Knut, rejeitado pela mãe e adotado pelo tratador. Ambientalistas queriam sacrificá-lo, pois ao crescer com contato humano perdeu a capacidade de se relacionar com outros ursos.

Para a felicidade quase geral, sua vida foi poupada. Ele terá uma chance de viver. Seja como for, meio homem meio urso, meio selvagem, meio amparado.
E quem sabe, como ele reagirá? O livro A Compaixão dos Animais relata uma série de ações inusitadas aos mais desavisados. Entre elas, um urso que adotou um gatinho e divide sua refeição com o bichano. O caso é documentado. Que biólogo preveria este relacionamento?
Concordo que um zoológico não é o local ideal para um animal. Uma jaula é sempre uma jaula. Mas quem tem coragem de tirar a vida de algo tão fofo???

A visão do grupo ambientalista, com certeza, é baseda no modelo conservacionista ocidental, que considera o habitat natural o melhor lugar para os animais.
Também sempre defendi a tese. Me revolto com circo ou qualquer atividade que force animais a servir aos homens. Não gosto de zoológico. Sou contra comer animais, vestir animais, testar em animais, explorar animais comercialmente. A justificativa de que eles existem para nos servir me enoja, é absurda, repugnante.
A interferência humana sempre foi prejudicial.
MAs…Pensando na vida selvagem sem a lente fantasiosa de que todos serão felizes e contentes, de que os coelhinhos pularão alegremente e os leões deitarão preguiçosamente na relva para tomar sol, sem se preocupar em almoçar a zebra vizinha ou ser alvo do insolente leão do bando rival. E além de todas as incontáveis dificuldades a que serão submetidos em seu curto tempo de vida, ainda terão que se ver com os homens – sempre o pior dos inimigos – devastando seu habitat, caçando-os e matando-os por diversão, capturando-os para fins exclusivamente benéficos à própria humanidade.
É muito tormento….
Gostaria de que todos pudessem ser cuidados, alimentados e morrer de velhice…e longe das jaulas.

Isto me remete imediatamente ao Templo dos Tigres. Quem assite Animal Planet, já deve conhecer a história do monge budista da Tailândia, que cria tigres como gatos. Ele começou recolhendo animais doentes ou rejeitados e em pouco tempo formou uma família numerosa de tigres criados na mamadeira, que não comem carne, apenas uma mistura de farelos, fibras e ossos moidos de frango. Passeiam de coleira pela vila onde moram, brincam com os monges como gatinhos. Inacreditável!

Daria um livro..Os monges e os tigres

Quem imaginaria um comportamento destes em um animal selvagem…Seria uma capacidade e adaptação desconhecida até então?
O trabalho começou sem estrutura, os tigres ficavam em jaulas e não podiam ser devolvidos ao habitat, pois não tinham desenvolvido os requistos necessários a sobrevivência na selva. Hoje, conta com uma área aberta, um santuário ecológico especialmente construído para eles, onde vivem em tranqulidade, sem precisar caçar ou temer ser caçados. E mantêm a afeição aos humanos.
No programa, um biologo explicava que aquele modelo de preservação de espécies ia contra os principios ocidentais, pois incluia o relacionamento com humanos, mas garantia ser um exemplo válido. Se os animias estão bem cuidados, não estão confinados e nem são explorados para fins comerciais, gozam de boa saúde, por que não aplaudir a atitude do monge? Este documentário sempre me emociona. Acho lindo o relacionamento dos tigres com o monge…algo meio mágico, um exemplo de evolução da espécie humana ainda restrito a uma milionésima parte do contigente bípede pensante, e de como poderíamos ser úteis a eles.
Os animais selvagens criaram laços de ternura com o ser humano que os protege. Não vivem atrás de grades, não são obrigados a fazer truques ridículos..ouso dizer que são felizes!
Depois de acabarmos com o habitat natural deles, de os utilizarmos para tantos fins sem lhe dar chance de escolha, não seria digno agora oferecer um opção de sobrevivência sem o estresse das leis selvagens, com cuidados médicos, alimentação, dedicação?
É utópico, mas não custa sonhar…
A vida de um animal tem tanto valor como a do ser humano! É carne, sangue, mente, vida. Por que achamos que eles existem para nos servir? Por que nos damos o direito de come-los, usa-los para tudo? Por que somos melhores? Não somos..somos piores….

Em tempo, Caninos Brancos é um belo livro, vale a pena ser lido. O autor é Jack London. Pode ser encontrado em uma coleção de Pocket Books, da Martin Claret, bem baratinho..não tem desculpa para não ler!
E A Compaixão dos Animais é Kristin Von Kresleir, da Editora Cultrix. Ela escreveu também a Bondade dos Animais. São lindos, maravilhosos, emocionantes.



A carne é fraca
Julho 29, 2008, 8:47 pm
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Relato do meu início como vegetariana…(atualizado) e quebra de alguns paradgmas publicado pela revista Época. (esta matéria incentivou uma amiga a se unir a mim, hehehe) 

A carne é fraca

Olha o churrasco...

Não lembro mais o gosto de um bife bem ou mal passado. E esta lembrança não faz a mínima falta nem para meus sentidos, muito menos para meu corpo.
Sem querer ser chata, não posso deixar de contar minha experiência e tentar quebrar alguns mitos. Afirmo categoricamente que a carne não é fundamental para a boa saúde. Aliás, pelo contrário, garanto que deixar de consumir o que um dia foi um ser vivo pode ser até muito benéfico.

Já acostumei ser motivo de piada, espanto, admiração. De brincadeiras típicas em renuiões de família ou amigos a questionamentos que implicitamente revelam ser considerada uma aberração da natureza, ouço de tudo:
Fiz uma picanha especialmente para você!
Você não tem dó dos pobres brócolis?
Como pode alguem não comer carne!!!!!????!!!!
Minha decisão foi tomada há cerca de oito anos, impulsionada pelo remorso de comer o que algum dia teve vida. Uma vida própria, nasceu, acordou, dormiu, comeu, bebeu, teve medo, frio, calor e principalmente dor, a dor necessária para chegar um dia ao meu prato.
Parei aos poucos. Por partes
Consumo proteína de soja regularmente e derrubando um dos mitos citados, garanto que se ela for bem utilizada pode ser muito gostosa. Não, não tem gosto de papelão. Basta um pouco de pesquisa e criatividade e inúmeras receitas podem ser descobertas. Leites e ovos engrossam a lista de proteínas. E verduras, legumes e frutas dão conta do recado tranquilamente.
Portanto ai se vai outro tabu, deixar de comer carne não o tornará um doente. Não tenho anemia, não tenho fraqueza, não preciso de suplementos alimentares, não fico com fome, não fico doente.
Além do benefício moral – me sinto extremamente feliz comigo mesma por tomar e manter esta atitude – só posso relatar vantagens em minha decisão. Sofri anos com uma gastrite, que “magicamente” desapareceu nos últimos anos. É impressionante como a digestão é fácil, rápida. Sinto-me leve, de corpo e alma.
Hoje tenho convicção absoluta de que o mito mais difícil de ser quebrado é o social. Algumas vezes me senti um incômodo para quem me recebe em casa. Apesar de tentar ser discreta e timidamente fazer o prato longe dos olhares, quase escondida, meu arroz e salada sempre são notados.

Churrascos. Esta instituição nacional, sinônimo de congraçamento e diversão para uns ou bebedeira e pagode para outros é talvez a pior situação para um vegetariano. Após um tempo sem ingerir carne, o cheiro começa a se tornar enjoativo, incômodo, como se seu corpo emitisse um alerta de que está perfeitamente bem sem ela e que ingeri-la agora seria um tremendo erro.
Então, além da fome, pois geralmente os acompanhamentos são mínimos e com pouquíssimo valor nutritivo, a permanência no “evento” é complicada. Sem contar a sensação de ter sido lesada, pois quando a reunião é rateada, paga-se tanto quanto um carnívoro para comer algumas folhas de agrião, uma colher de maionese e uma farofa seca. Tente recusar o convite e será tachado de chato; vá e escute um milhão de piadas batidas. 

Já aprendi que antes de qualquer evento social, aniversário, casamento, festa da empresa, chá de cozinha, ou seja o que for onde se prometa comes e bebes, devo fazer uma refeição em casa ou carregar um saco de batata frita na bolsa. Sempre me salva de passar fome.
Estou superando os preconceitos, me surpreendendo com os resultados e cada dia tenho mais certeza de que estou no caminho que escolhi, percorrendo o da melhor forma que posso e acredito que o futuro da humanidade seria melhor se todos trilhassem a mesma jornada. Costumo dizer, quando muito questionada: Vocês não fazem idéia da sensação maravilhosa que é olhar para um pequeno bezerro ou uma inocente ave e ter a certeza de que ele nunca será morto por minha causa. De que não sou conivente com sua dor, seu sofrimento. E estou em ótima companhia.

“Há muito na verdade do dito de que o homem é aquilo que come. Quanto mais grosseiro o alimento, tanto mais grosseiro o corpo” – Gandhi.
“Em meu pensamento, a vida de um animal não é menos importante do que a vida de um ser humano” – Gandhi.
“A compaixão para com os animais é uma das mais nobres virtudes humanas” – Charles Darwin.
“Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência na Terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem da vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de tal maneira que melhorará muito o destino da humanidade” – Albert Einstein.

Trechos de matéria da Época

A segunda justificativa normalmente empregada para o vegetarianismo se baseia em argumentos éticos e ambientais. “Escravizar e matar animais é uma variante do racismo. É submeter o mais fraco somente porque pertence a outra espécie”, diz o filósofo Peter Singer, da Universidade Princeton, expoente da defesa dos direitos dos animais (leia entrevista à página 93). “Não podemos reclamar que o mundo é horrível se o horror começa em nosso prato”, diz a presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira, Marly Winckler.
O gado criado no Brasil freqüentemente é manejado com brutalidade. O abate, em tese, deveria ser feito com um golpe de martelo hidráulico na cabeça, seguido de um corte na garganta, para que o sangue jorrasse para fora do corpo. Mas, como a fiscalização é precária, em muitos abatedouros clandestinos as reses são mesmo abatidas a pauladas. As galinhas de granja não têm destino melhor. São criadas em ambiente permanentemente iluminado para que não parem de comer e sigam botando ovos – até seis por dia, em lugar do único ovo que produziriam em condições naturais. Os pintinhos machos, que não servem para botar, são jogados vivos numa espécie de moedor gigante. A indignação contra esse tipo de tratamento, denunciada em filmes, como o documentário A Carne É Fraca, chega até mesmo aos não-vegetarianos.
Mas as conseqüências ambientais do consumo de carne vão muito além da matança de animais de corte. A criação de gado, somente na Amazônia, nos anos 90, foi responsável pela devastação de uma área duas vezes maior que Portugal. Pode parecer piada, mas os gases emitidos pela digestão das vacas respondem por 70% das emissões brasileiras de gás metano – substância causadora do efeito estufa. Por causa desse efeito, na Austrália cobra-se imposto ambiental sobre cada cabeça de gado. O demógrafo Joel Cohen afirma que, se toda a população da Terra quisesse adotar um padrão de consumo igual ao dos americanos, com a ingestão de 120 quilos de carne por ano, precisaríamos de outros quatro planetas.

O certo e o duvidoso nas afirmações mais comuns sobre vegetarianismo

Vegetarianos vivem mais
Não necessariamente. Os estudos mais amplos sugerem que os vegetarianos vivem tanto quanto os não-vegetarianos que cuidam da dieta e têm renda equivalente
Vegetarianos têm menos câncer
Em termos. Não se encontrou relação conclusiva entre dieta e a maioria dos tipos de câncer. Consumir muita carne, porém, pode aumentar o risco de tumores de intestino
Vegetarianos são mais saudáveis
Sim. Em média, eles são mais magros e têm menos colesterol. Por isso, costumam também ter menos problemas de pressão sanguínea que a média da população
Ser vegetariano emagrece
Sim, de modo geral. Os que consomem queijo e ovo, porém, correm risco semelhante ao dos carnívoros. E vegetarianos radicais têm de tomar cuidado com as batatas fritas
Vegetarianos são anêmicos
Não. A quantidade de proteína necessária é relativamente pequena. Entre os que comem ovos e leite, especialmente, o risco é extremamente baixo
Vegetarianos têm deficiência de proteínas
Não, se cuidarem da alimentação corretamente. O risco é maior entre adolescentes – por displicência ou desinformação – e mulheres grávidas
O vegetarianismo favorece o meio ambiente
Sim. A criação de gado provoca derrubada de florestas e agrava o efeito estufa. O consumo de água e grãos pelos rebanhos dos países ricos é imenso
Somos naturalmente vegetarianos
Não. O homem é mais próximo dos macacos onívoros, como o chimpanzé, que dos vegetarianos, como o gorila. Seu sistema digestivo é preparado para comer de tudo.

A dieta vegetariana pode trazer algum risco à saúde?
Quando bem planejada, a dieta vegetariana é viável em qualquer fase da vida. Já dietas onívoras estão mais sujeitas às doenças do excesso alimentar. Já a dieta vegana exige um cuidado maior com relação ao cálcio e vitamina B12. A partir do terceiro ano de veganismo, é necessário uma suplementação de vitamina B12, pois não existe a ingestão da vitamina.

Mulheres vegetarianas têm uma gestação normal?
Os estudos que acompanharam mulheres vegetarianas com uma dieta variada e equilibrada demonstram que o desenvolvimento do feto é normal e totalmente adequado. É importante, por prevenção, a suplementação a vitamina B12 e Ômega 3, já que auxiliam na formação do sistema nervoso do feto.

Crianças precisam de carne para se desenvolver normalmente?
Não há nenhum componente presente na carne que não seja encontrado nos outros alimentos utilizados pelos vegetarianos, portanto, não. Os estudos que encontraram crescimento inadequado foram realizados com crianças submetidas a dietas extremamente restritas, como nas macrobióticas. A dieta vegetariana (inclusive sem ovos, queijo e leite), bem planejada, promove crescimento e desenvolvimento normais.
Mito culinário do vegetarianismo


É interessante esclarecer que a dieta vegetariana, apesar de limitar a ingestão de determinados alimentos e parecer restritiva, faz com que as pessoas consumam uma variedade maior de alimentos. Em uma dieta onívora, o prato principal é sempre um tipo de carne, seja ela assada, grelhada ou cozinha. Quando uma pessoa se torna vegetariana, o acompanhamento de uma dieta onívora vira o prato principal, como uma lasanha de carne de soja, um ensopado de glúten ou um prato com grão-de-bico. A partir do contato com diversas cozinhas, como a indiana e a mediterrânea, pode-se dizer que a vegetariana é mais saborosa, mais variada e o mais importante: é mais saudável e ética. 



Enquanto isso, nas páginas do café…
Julho 28, 2008, 9:52 pm
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Venham ver o que eu ganhei….

e para quem repasso.



Casamento: é muito melhor do que você imagina
Julho 26, 2008, 10:26 pm
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A seguir, três artigos que cercam dois temas que me despertam paixão e ódio: casamento e traição. Não sou moralista, mas se tem uma espécie de homem que me desperta asco, é o tipo mulherengo. 

Compromisso. Você tem medo do que?

 3650 Dias

Tive sorte de encontrar você, que debocha do meu jeito de ser. De repente faz juras de amor. Me esquenta no frio, me refresca no calor.
A gente troca, a gente troca de lugar. A gente brinca, a gente brinca de brigar. Chora de rir, fica de mal, coisas de casal.

Engana-se quem pensa que é impossível ser feliz no casamento. Perde muito quem procura desculpas para não se comprometer. Ta certo que tive uma sorte fenomenal. Casei-me com quem escolhi. E para minha felicidade, este alguém é um cara e tanto. Um homem em extinção, como alguém definiu uma vez.  Alguém bem melhor do que eu.
Claro que tivemos – e temos – problemas e vontades momentâneas de esganação recíproca. Mas, visto de cima, fica tudo tão pequeno, tão sem importância. Porque há de sobra momentos que superam de muito longe as crises e imperfeições normais a todos que têm sangue nas veias.

Há muito em comum.
Acho impossível manter uma relação sadia sem compartilhar valores fundamentais, sem andar em ritmos semelhantes e no mesmo caminho.
O Marido não só não se importa, como apóia, meu vício de ter e respirar cães. Seria impossível amar alguém que não amasse o que mais amo….
Não descredencia minha impossibilidade de matar qualquer ser vivo. Não faz piadas da minha opção alimentar de não comer carnes. Sente como eu cada maldade feita a um animal.  
O Marido é corinthiano e escorpiano. Chorou, como eu, o rebaixamento de nosso time. Conversa comigo sobre futebol como trocaria idéias com qualquer amigo, na mesa de um bar.
Há total intimidade e nenhuma formalidade. Você tem que poder ser 100% você perto de quem divide a vida. Não pode ter que fingir ou disfarçar.
Temos referências muito particulares, diferenças complementares, linguagem própria, história.
Másculo e atraente, aos meus olhos e aos de quem quiser apreciar (só apreciar, ok). Faz surpresas e ri do meu jeito de rir. Me enxerga como muher, me mima como criança. Me irrita, mas me amansa.

Tanto tempo junto nos ensinou como redescobrir muitas e muitas vezes um ao outro.  E nos transformou em pessoas melhores.
Nestes dez anos, me apaixonei várias vezes…pela mesma pessoa, pelo que somos, pelo que podemos ser.
E é ótimo dividir a vida com a pessoa que mais gosto de conversar, com quem mais tem a capacidade de me fazer sentir bem, com quem escolheria, entre todas as pessoas do mundo, para passar a eternidade.

E assim o 12 de abril de 1998 se tornou o dia que dividiria a história, a nossa história. Dez anos sem passar um dia sem se falar, sem conseguir ficar mais do que uma semana separados. Se é difícil lembrar como era a vida sem ele, é impossível imaginar o que seria de mim agora se tivesse aberto a porta errada.

Por isto, abro exceção em minha palavras quase sempre ácidas, contundentes, descrentes, corrosivas ou sarcásticas, para ser doce e abusar do sentimentalismo.

Obrigada, meu amor!

 

Na Alegria e na Tristeza
Será muito antiquado acreditar no casamento e na fidelidade? Será muita ingenuidade achar que pessoas que se amam podem viver felizes para sempre?
Claro que o feliz é relativo. Todo relacionamento tem conflitos, momentos difíceis, mas superar estes poréns e seguir em frente, sabendo que todos somos imperfeitos e desagradamos alguém em alguns aspectos é parte do casamento. Não que defenda a idéia de manter um relacionamento onde as brigas e o desconforto emocional sejam constantes, mas um pouco de tolerância de ambas as partes sempre será necessário para manter a união.
Algo vem me incomodando há tempos. Talvez tenha começado quando assisti o filme Closer, onde o amor é tratado com tamanha vulgaridade que faz parecer que traição e mentiras são aceitáveis. Os críticos adoraram. Li em algum lugar: É um filme adulto. Adulto? Adulto ou vulgar? Será que todo adulto enxerga a vida como o diretor do desagradável filme?
Depois, debatendo com uma amiga, outra opinião me espantou: Isto acontece, é a realidade. Senti como se fosse algo fadado a ocorrer mais cedo ou mais tarde.
Outro caso com conhecidos me chocou, me indignou. Como se chega a este ponto? Como se consegue fingir tanto, por tanto tempo? Como se joga fora tantos anos de cumplicidade, tantos momentos, tantas lembranças…
Simplesmente me recuso a acreditar que esta seja a realidade. Talvez por viver um casamento feliz com uma pessoa maravilhosa, onde existe muito respeito e confiança; talvez por ter crescido em um ambiente onde estes temas pareciam ficção, coisa de novela…
A questão parece complexa, mas não é. É comum o traidor culpar o traído, alegando falta de carinho, de sexo, de sei lá o que. Em alguns casos me parece covardia. É fácil para o “pobre” marido traidor argumentar que sua esposa não o quer mais, que se sente abandonado, que o casamento é infeliz, ai coitado!
O que há por trás deste abandono só entre quatro paredes pode ser explicado. Será que problemas pessoais, ausência, falta de atenção e de companheirismo não seriam um desestimulante sexual? Além do mais, existe o traidor patológico, aquele que trai desde o maternal e vai morrer traindo, sempre às custas de desculpas esfarrapadas, de estratégias baratas de sedução, do chamado “xaveco furado”. Acredita quem quer…
Sei que trair é inerente ao sexo. Acontece com homens e mulheres, mas me revolta muito o discurso covarde de canalhas natos e compulsivos que justificam seus atos sempre com a mesma cara lavada, sempre em busca de novas aventuras. São incapazes de manter uma relação de respeito e magoam todos a sua volta.
Homens de verdade não são assim, homens de verdade amam e respeitam sua companheira, não se entusiasmam com a primeira “carne nova” que conhecem; eles compartilham sua vida, suas alegrias e tristezas.
Na alegria e na tristeza. Não casei no religioso, apenas no civil. Mas levo muito a sério está máxima e tento manter este conceito sempre presente em meu casamento. E com meu marido é assim também. Estamos juntos em bons e maus momentos, compartilhamos desde problemas de trabalho até as derrotas de nosso time. Temos um elo forte, muitos interesses e valores comuns. Falamos sobre política, família, nossos cães, sobre futebol, o preço da banana, a marca do sabão em pó….
Acredito que ficaremos juntos até o fim. Quase sempre felizes, outras vezes com alguns problemas, mas espero que no fim de todas as coisas nos consigamos nos manter longe das mentiras e traições.
Esta semana presenciei um momento especial para pessoas que amo. Meu pai, um exemplo de integridade, ganhou um processo que se arrastava há anos, onde foi injustamente processado por erros de outros, por confiar demais na humanidade. Recebi uma ligação emocionada de minha mãe, onde ela chorava e contava a boa notícia, vivenciando a vitória de seu marido com tanto orgulho. Foram dez anos onde os dois sofreram juntos e agora comemoram juntos poder manter tudo que construíram materialmente. Este é meu exemplo de relacionamento, esta é a minha realidade. E vou continuar acreditando, até que a morte nos separe….

E o desabafo

Do Fígado

Este post vem do fígado. E talvez me poupe de algumas sessões de terapia.

Poucas coisas me deixam mais fula da vida do que o discurso podre de canalhas que brincam com o sentimento de outros em nome de sua liberdade – na verdade a inexistência da capacidade de se comprometer. Ou culpam a parceira (o) pela falência do relacionamento baseada na mesma impossibilidade de comprometimento.

Fui vítima desta espécie de bastardo emocionalmente imaturo várias vezes. Até encontrar meu Marido – um homem de verdade. Mas as consequências são difícies de serem superadas porque magoa, machuca.. Você se sente a culpada, acha que falta algo em você, quando, na verdade, o problema é com o moleque que atua como uma criança que enjoou do brinquedo. Mas crianças estão em fase de desenvolvimento, e nelas isto é aceitável.

E brinquedos são só brinquedos. Pessoas são diferentes.  Têm sentimentos, se envolvem, criam expectativas. Algumas nunca conseguem superar serem descartadas simplesmente porque o imbecil não sabe o que quer. E fala lindas palavras. E te faz sentir especial. Para depois usar o patético discurso da mal usada palavra liberdade. E te trocar por um brinquedo novo.

Ora, vão pro inferno com sua vigarice imatura. Porque o homem que diz não ser de uma só mulher é oco como uma maçã podre.  Se não querem se comprometer, que se envolvam apenas com prostitutas. Ou com piranhas que escolhem o parceiro pelo carro, conta bancária ou por sua casa no Guarujá e em Campos do Jordão. São a mesma espécie.  E se merecem.

Um relacionamento de verdade é baseado em paixão, claro. Mas também em amor, troca, respeito. É construído dia-a-dia. Com concessões sim. Mas também com muitos ganhos. Com histórias em comuns, com superação de crises, de obstáculos.

Quem superestima a paixão não sabe amar. Não tem esta capacidade. Porque são coisas diferentes, que se completam.  Porque os fracos não sabem o significado disto. Não congitam se tornarem pessoas melhores. Não querem crescer. Não suportam responsabilidade. E vivem como crianças o resto da vida. 

Nada contra se não envolvessem outros em seu distúrbio emocional. Se só procurassem quem é da sua laia e não causassem traumas.

VOCÊ SE TORNA RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVA. Seja um cão, uma gato, um pássaro, uma planta ou uma pessoa.  

Conheço quem nunca superou um relacionamento destes e passou a acreditar que todos são a mesma espécie nociva de verme sangue-suga. Só pegando para si, nunca se doando.

Relacionamentos podem acabar. Mas muitos começam um já sabendo que não querem mais do que momentos. Mais do que futilidade. E repetem a brincadeira incansavelmente com 20, 30, 40, 50, 60 anos (fazendo papel ridículo de Don Juan do asilo, o famoso tio Sukita). Até que a morte os leve tão vazios como nasceram. Sem deixarem nada que não seja dor e ressentimento.

Por sorte ou destino, eu conheci alguém que mudou meu caminho, um homem, com amor para compartilhar coragem de dividir a vida, sem medo de responsabilidade. Mas deixar o passado sem marcas é impossível. É uma longa jornada. E leva tempo. E obriga quem não merece a lidar com os traumas deixados, com a insegurança, com a falta de amor próprio gerada pelo canalha desgraçado.  Deveria existir uma lei que obrigasse o usurpador de sentimentos a arcar com seus estragos. Uma indenização por uso impróprio do sentimento alheio para custear, ao menos, uma terapia decente.   

E não se enganem. O problema é do imaturo. Pois só quem é inteiro pode se comprometer, pode viver em parceria. E só quem vive em parceria sabe que o eterno existe. E não se desencanta por defeitos que também possui.  E aprende a conviver com as imperfeições porque também é imperfeito e não vive de ilusões infantis. Se você é humano, vai errar. E só sabendo aceitar os erros do outro vai conseguir conviver com os seus.  Se você não se banca, vai achar mesmo impossível viver ao lado de outro(a). Nunca vai conseguir construir algo sólido. Nunca vai ter história. Vai ser sempre uma colcha de retalhos, repleta de pedaços que arrancou de outros.



Prefiro os animais
Julho 25, 2008, 7:14 pm
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Este post, também de 2006, é dedicado a muitos conhecidos e familiares, mais especialmente a uma “amiga” que me torrava todo dia no msn com conversas fúteis na época em que minha cachorrinha estava com câncer e eu estava super mal. Ela nunca teve a pachorra de perguntar como ela ou eu estavávamos.  
Prefiro os animais
à maioria das pessoas. Talvez porque eles são melhores que nós, talvez porque só promovam alegria durante suas vidas, talvez porque me decepcione cada dia mais com as pessoas.
Perder um parente, um amigo é sempre triste e se torna motivo de manifestações de solidariedade de todos. Mas se este ente querido não for da mesma espécie, as reações podem não ser exatamente como esperamos. Quem ama animais como eu – e sei que existem muitas, muitas pessoas que abraçam a mesma causa – está entendendo exatamente o que estou dizendo.
Quando perdemos estes amigos especiais que tanto amamos, na verdade só podemos contar com aqueles que compartilham deste amor. É muito difícil para quem não tem o mesmo tipo de sentimento entender esta dor e ser solidário. Parece um pecado explicar a tristeza, pois com tantos problemas neste mundo estar sofrendo por um animal parece mesquinharia, imaturidade.
Além do sofrimento, da tristeza profunda, você convive com um preconceito velado, olhares distante, silêncio, e muitas vezes ouve palavras insensíveis. É como se esta dor fosse fútil, sem importância, como se tudo no mundo fosse mais importante do que o amor que você tem com seus amigos de quatro patas.
“É apenas um cachorro”. Não, não é apenas um cão, é um amigo com quem se conviveu por anos e de quem sentiremos muita saudade, de quem nunca esqueceremos. Um amigo único, que nos fez tão feliz como poucos humanos conseguem fazer.
Pode-se ouvir também dos falsos moralistas: “Quantas crianças abandonadas e você se preocupa com isto…” Grande bobagem, enorme absurdo. Geralmente quem diz isto não faz absolutamente nada pelas crianças. Existe espaço para todos os tipo de amor, para todas as causas. Esta é a minha causa, onde decidi depositar meu amor. Escolha a sua.
A única verdade é que dor é dor. Não existem comparações possíveis. Só quem sofre sabe o dimensão de seu sentimento. Cada um tem seu referencial, suas prioridades. Mas é muito solitário sentir esta tristeza ainda não socialmente incorporada. Você sofre a perda geralmente sem comentar com a maioria das pessoas porque sabe que vai ouvir – quando ouvir – o que não quer, o que vai te deixar se sentindo ainda pior, vai se decepcionar com certeza, vai se afastar ainda mais dos seres humanos. Vai preferir ainda mais a companhia deles, mesmo que saiba estar fadado a ter novas perdas, a sofrer de novo. Mas sabe, com certeza absoluta que vale a pena, que as alegrias são muito maiores.
É engraçado como tantas vezes participo de situações e conversas onde o tema não me é nem um pouco atrativo, não me interessa nem um pouco, mas tento não parecer perdida no tédio porque sei que o assunto pode ser de absoluta importância para outros. Poucas vezes recebo a gentileza de volta. Bem feito, que manda querer ser educada, quem manda confiar.
Mas não é sobre a natureza humana que quero dissertar, ela é complexa…temos seres de todos os tipos. Não vale a pena. Mesmo porque tenho ainda poucos amigos com quem contar, além de minha família.
É só uma reflexão desabafo com um pedido a todos que não compartilham da mesma afeição. Tentem respeitar mais este sentimento. Que se pense antes de ferir com palavras, de ser insensível. Que evitem comparações esdrúluxas, que se saibam amparar com todo carinho possível.
Amizade é via de mão dupla. Frase de pára-choques de caminhão, mas sábia como algumas delas são. E estes amigos queridos, que vão embora tão depressa, estão entre os poucos gatos pingados que entendem o que isto significa.
E vale a pena repetir sempre uma frase de um dos seres humanos mais incríveis que passaram por este planeta e que exprime a maior verdade da vida, na minha concepção:
“Avida de um animal não é menos importante do que a vida de um ser humano”, Gandhi.

Amor maior do mundo

 

 



Diga não à morte de inocentes
Julho 24, 2008, 4:10 pm
Arquivado em: Faça sua parte, Não vivo sem bicho | Tags:

 

O CRMV-SP (Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo), na figura do seu presidente, Sr. Francisco Cavalcanti de Almeida, tenta derrubar a Lei 12.916 e retomar a execução de cães e gatos nas carrocinhas do Estado de São Paulo.

A primeira rodada revelou-se a favor da Lei, pois o Exmo. Dr. Desembargador NEGOU o pedido de liminar, e a ação prossegue em julgamento.

Entre no site do Projeto Esperança Animal e mostre que você é contra a matança de seres inocentes.

É rápido e indolor. E pode ajudar a fazer a diferença.

http://www.pea.org.br/

Por favor. Conto com você!

Obrigada



Educação perdida nas cidades sem alma
Julho 24, 2008, 4:03 pm
Arquivado em: Só vendo a banda passar

One more…das antigas. Este saiu no jornal da cidade, para orgulho da do lado da família pinhalense.

 

Praça do Café, a prefeitura da cidade.

Manhã de domingo. Uma praça comum e graciosa com seus monumentos, sua história. Um senhor distinto, sentado em um dos bancos lê o jornal, enquanto alguns visitantes fotografam, tentando levar pelas imagens um pouco da paz e tranqulidade que o local inspira. Ao lado, um banco vazio nada convidativo a receber um ocupante – foi batizado pelos pássaros, habitantes mais que naturais das praças e com direito reconhecido em cartório de batizar quantos bancos desejarem. Buscando um breve descanso à sombra, um rapaz integrante do grupo ensaia sentar-se no banco vazio, mas um alerta o breca: – Ta sujo !!!! Não senta.
Acompanhando a cena, o distinto cavalheiro imediatamente se levanta.
- Senta aqui amigo! E sai andando com o jornal à tiracolo, deixando o banco livre para os visitantes.
O grupo é minha família e a cidade é Espirito Santo do Pinhal, interior de São Paulo – terra de minha avó materna, com tantas histórias de meus ancestrais e muitas lembranças de minha infância. O rapaz, meu marido.
Olhamo-nos estarrecidos. Acostumados a total ausência de gentileza, aquele foi o clímax de um espanto que somou-se a outras cenas inusitadas, raramente presenciadas em nosso dia-a-dia ao longo de anos. Que dirá reunidas em um único fim de semana.
Atravessando a rua correndo, sem perder a pressa ignorante que nos move nas grandes cidades, não percebi que o sinal estava verde para os carros. Em vez de palavrões, ofensas e buzinas, o veículo parou e esperou que eu terminasse o ato de suprema falta de educação. Que vergonha para mim!
Aliás, o trânsito é onde a diferença de postura se torna especialmente marcante. É extremamente fácil e infinitamente menos desgastante se locomover em Pinhal. A gentileza é a tônica. Para-se para esperar o outro veículo em todas as situações possíveis. Inacreditável!!!
- Bom dia! – ainda é comum moradores cumprimentarem os forasteiros como se os conhecessem. Na verdade, é a nossa falta de educação rotineira que transforma esse ato em algo digno de virar post.
Na feira, comprei quejinho mineiro, daqueles que mantém o encanto do local no paladar durante a semana em que retornamos à vida em uma cidade grande. Compra realizada e paga, esperava meu pai e meu irmão barganharem, de lado, sem prestar atenção no que falavam. Desconto concedido, a esposa do vendedor me chama e devolve um real: – Tem que dar desconto pra moça também!!! O que é certo é certo!!!
E o que dizer da hospitalidade… Como entender o prazer de receber bem, de oferecer a própria cama com prazer sincero e a mesa farta quando não sabemos receber bem e muitas vezes, quando temos visita, não vemos a hora de retomar nossa rotina e ter o mínimo trabalho possível?
Segunda-feira pela manhã, a realidade dura e crua volta: viver em uma cidade grande e super povoada é desgastante e desestimulante. Tento conservar a aura de tranqulidade, mas tenho que sair correndo, tenho duas entrevistas em uma grande empresa.Trânsito, muito trânsito. 
A volta é mais díficil, o trânsito está piorando – como se fosse possível? Alguém buzina, o pedestre invade meu espaço e esqueço de retribuir a gentileza recebida no fim de semana, que já parece estar tão distante. Paro em uma papelaria, preciso de um caderno. Enquanto o vendedor me atende, uma senhora não tão distinta invade a conversa como se não percebesse que eu estou sendo atendida: Quero um papel com cor de menino e menina!!!
Ta louca? Sou invisível? Não ta vendo que cheguei primeiro? Espera a sua vez! – Já estou com com vontade de sair no tapa, mas deixa para lá….O dia vai ser longo. Vai ter criança tocando minha campainha enquanto tento trabalhar, cliente desmarcando entrevista, marmanjo maluco fazendo barulho e jogando futebol no salão do lado (de uma igreja, pasmem!!!) de noitinha, bem naquela hora que a gente quer um descanso, se desligar para esquecer como foi o dia!!!
Mas é assim mesmo, nas cidades que perdem a alma as pessoas se esquecem de que existe vizinho, existe o outro, esquecem de ser educadas. Claro que não são todos, alguns conservam as boas maneiras. Mas são tão poucos que a sensação se dissolve em meio ao caos urbano.
Como explicar ao senhor distinto que se levantou para ceder o lugar a ilustres desconhecidos que senhores e mulheres viajam de pé em transportes coletivos enquanto garotos e barbados dormem e babam nos bancos! Como ele reagiria ao ver a total selvageria que a multidão de passageiros do metro comete todos os dias empurrando e pisando em quem esta em seu caminho no desembarque na Estação da Sé????
Dirão os cosmopolitas que nas cidades pequenas é mais fácil ser educado, conservar valores, ser gentil. Que não estão expostos ao nivel de estresse em que vivemos. Mas será só esta a diferença? Será esta a desculpa para perdemos a gentileza, a doçura, para transformamos nosso local de moradia em uma cidade sem alma…. 
O acúmulo de gente, a mistura de culturas não seriam também responsáveis pela perda de identidade e de valores de uma cidade? A desenfreada invasão de pessoas a um espaço que não comporta tamanha população não seria responsável por gerar a luta pela sobrevivência, descaracterizar a cidade, desumanizar as pessoas, gerar intolerância crônica? 
Não cosigo entender como minha cidade perdeu sua alma, se tornou um lugar tão difícil e em muitos momentos desagradável de se viver….Falo de Santo André, ABC paulista, que mudou radicalmente sua paisagem em poucas décadas, onde o trânsito já é terrível, os ônibus vivem lotados, estacionar carros se tornou um martírio por não encontrar vagas, onde se rouba mais carros que em qualquer outro local do país…

Bendita seja Espirito Santo do Pinhal, onde se conservam histórias, costumes, valores, educação! Onde as pessoas são acolhedoras, honestas! Onde tantas lembranças da infância jamais se perderão, pois quando voltamos a cidade continua exatamente como a deixamos, com sua alma intacta….



Ao mestre com carinho
Julho 24, 2008, 3:42 pm
Arquivado em: Em algum lugar do passado
Continuando a migração…
Durante três anos a sala de aula de uma escola estadual foi meu local de trabalho. De volta ao jornalismo há outros três, encontro frequentemente com ex-alunos pelas ruas, em diferentes situações. Alguns me ligam, outros aparecem em minha porta repentinamente. Poucos torcem nariz, mas para minha grande surpresa, a maioria é extremamente carinhosa, lembra meu nome, pergunta por que deixei de dar aulas, deseja tudo de bom.
- Coitada da professora, a gente era fogo!!! – costumam dizer.
E quantas lembranças surgem nestes encontros…Diferente daqueles tempos, quando muito assustada e despreparada para aquela missão – sim lecionar é uma missão – eu me estressava e sofria, hoje entendo que no fundo toda a turbulência no relacionamento é resultado de um sistema de educação falido, de pais ausentes, da falta de uma direção séria e preparada, além, claro, do fator grupo. Juntos eram fortes, sozinhos são apenas crianças.
Tive momentos gratificantes. Rodrigo, quinta série, hiperativo. Não parava quieto, não fazia nada que eu pedisse. Em sua turma eu era professora eventual, nome pouco admirável para professora substituta. Certa tarde, perdi a paciência.
- Rodrigo, se você não entregar o trabalho eu vou ligar para sua mãe e pedir para ela vir aqui na escola!
O loirinho abriu o berreiro.
- Não, professora, pelo amor de Deus, minha mãe já ta cheia de problema. Eu não quero que ela fique mais triste por minha causa. Eu sou um idiota, só faço ela chorar…
Surpresa, resolvi negociar, pedindo que terminasse o trabalho e me entregasse depois. Na sala dos professores – a sala da justiça dos anônimos heróis – durante o intervalo, ele apareceu com o dever pronto e um pedido de desculpas. Tentei conversar, garantindo que a mãe dele era muito feliz por ter um filho tão especial, que se preocupava tanto com ela. Daquele dia em diante, sempre que tinha aula em sua sala, Rodrigo me esperava na porta da sala dos professores. Carregava meu material, apagava a quadro negro, fazia chamada. Acho que conquistei sua confiança. Na sétima série, mudou de escola…Que pena….mas ser professor é isto mesmo, é fazer um pouco parte da vida de alguém por um breve tempo.
Mesmo sem muito jeito com crianças, sem experiência nenhuma, me sai bem em outras ocasiões. Talvez porque prefira lidar com crianças maiores do que com o nhen nhen nhem de crianças pequenas, talvez porque seja impossível não se envolver com eles, com seus problemas.
Um dia, me vi tentando convencer o garoto da sétima série de que aquela redação espantosamente bem feita por ele, que relatava a vida de um rapaz perdido, que tenta seu primeiro assalto e acaba morto, não precisava ser o destino de todos, que ele tinha escolhas, que podia ser muito mais. Difícil argumentar para alguém com um histórico familiar nada respeitável. Espero que ele tenha tido um destino diferente.
E quantos momentos insanos. Tinha sala que eu amava entrar, outras me davam cólicas de nervoso. Para chamar a atenção valia tudo: subir na cadeira, jogar giz, cantar, arrancar os cabelos. E como eles prestavam a atenção…um corte de cabelo, uma roupa nova, uma aliança de cor diferente. Ao ficar noiva, minha sala de terceiro ano do ensino médio, veio abaixo. Em segundos notaram a aliança em meu dedo e a gritaria começou….
Tinha bronca dos puxa-sacos dedo-duros, sempre prontos a entregar o colega, a bajular. Cheios de falsas intenções, não pensavam um segundo antes de difamar o melhor amigo ou fazer intriga entre professores, de reclamar de você para o diretor. Felizmente não eram maioria.
Pensar nesta época me faz também voltar ao meu passado e reverenciar meus mestres. Lembro do nome de todos os professores de história: José Adilson, Maria do Carmo, Sônia, João, Lourenço. Se tive sorte de ter sempre fantásticos conhecedores do passado da humanidade ou se o gosto pela matéria é que me faz lembrar deles não sei. Mas tenho certeza que ajudaram muito no crescimento do interesse pelo tema.
Muito mais do que os professores de faculdade, os inúmeros profissionais que passaram por minha vida entre o jardim da infância e o terceiro colegial representam a figura educadora. Do legal moderninho que falava gírias e parecia um colega ao sério e quase britânico professor de língua portuguesa vindo de outras épocas, onde lecionar era um motivo de orgulho supremo, tenho carinho por todos.
Óbvio que após minha experiência valorizo muito mais o ofício. Não é nada fácil estar à frente de 30, 40 pessoinhas, tentado ensinar alguma coisa sem ser patético. Nem todos vão gostar de você, alguns vão te desafiar, poucos vão te levar a sério. Professores são pessoas comuns com uma missão extraordinária. Se forem bem sucedidos ficarão imortalizados por meio de seus ensinamentos.
Dona Maria do Carmo morreu. Fiquei sabendo outro dia por uma amiga muito querida, filha da professora Iara, a querida tia Iara de quem infelizmente não tive o prazer de ser aluna, pois mudei para a escola alguns anos depois, mas por quem tenho grande carinho.
Bem, Dona Maria do Carmo morreu. Professora de história da quinta à oitava série, já era uma senhora na época. Ela me ensinou que a história da humanidade é repleta de ciclos, como nossas vidas, que civilizações acabam um dia. Me contou a lenda do Cavalo de Tróia, me apresentou as pirâmides, os faraós, os gregos. Eternizada está dona Maria do Carmo. Como tantos outros….


Pronomes em extinção
Julho 23, 2008, 5:25 pm
Arquivado em: É sério
Mais um das antigas
Vai encarar?
 
Lembro-me claramente de aprender quando criança que devia tratar pessoas mais velhas por senhor ou senhora. Era sinal de respeito, de que éramos bem educados, o que na época era muito valorizado.
Hoje percebo que estes simples pronomes de tratamento estão sumindo da Língua Portuguesa. São usados raramente, principalmente pelas crianças. 
Talvez, daqui uns anos, serão simplesmente extinguido. Pois as crianças de hoje, então adultos, não conhecerão seu significado e tampouco poderão ensinar seus filhos a usarem. 
Sinal dos tempos? Na minha modesta opinião, sintoma de que há algo errado na sociedade.
Muito tem se falado de crimes cometidos por jovens contra pais, amigos, avós. Seria exagero pensar que a educação da última década tem algo a ver com isto?
Nem entrarei em detalhes sobre leis arcaicas, impunidade, Estatuto do Menor e do Adolescente, etc, etc, etc. Vou me ater ao fato de que a educação está doente. Não a educação escolar, onde os pobres professores desvalorizados são submetidos a situações onde é impossível trabalhar. Mas à educação que vem de casa, aquela que era passada pelos pais, que contribuia de forma crucial para criar seres humanos e não apenas pequenos ditadores que não sabem o significado dos pronomes citados, mas principalmente da palavra NÃO.
Não quero culpar os pais vítimas destes crimes. Mas é importante refletir sobre a sociedade atual, extremamente conivente com a falta de valores, de educação, de respeito.
É comum ver cenas que deveriam ser constrangedoras, mas que já foram banalizadas.
Uma criança grita com o pai no mercado, exige que se compre seu objeto de desejo, se joga no chão. Todos olham e pensam: Criança é assim mesmo…
Não, criança não deve ser assim.
Respostas cínicas, em tom ameaçador, ditas por suas crias são consideradas um sinal de que aquele pequeno ser é inteligente. E tornam-se até motivo de orgulho!
Uma matéria da revista Veja comparou as diversões atuais, jogos, filmes com os antigos, estabelecendo o “brilhante” paralelo de que o ritmo e a linguagem dos produtos modernos desenvolvem mais o raciocínio da atual geração. O que? Só a Veja mesmo….
Submetendo as crianças a um desenvolvimento precoce, não estariam ajudando a criar pequenos neuróticos. Óbvio que a culpa não é exclusiva destes estímulos, mas há de se pensar mais sobre isto…
Me questiono: quando é que pararam de educar as crianças? É culpa de quem?
O que é cada vez mais insuportável é presenciar o que vem acontecendo. É comum ser importunado por crianças em locais públicos como restaurantes, hoteis ou até em inocentes festas familiares, sem o menor constrangimento dos pais, que apenas assistem suas crias correrem pelas mesas aos gritos, pularem na piscina repetidamente molhando quem estiver buscando um pouco de sossego.
Pode parecer um desabafo egoísta de quem não tem filhos, mas é mais do que isto….é uma constatação.
Já fui professora. Moro em uma rua com escola e creche. Meu portão é constantemente chutado, a campainha é surrada. Escuto os gritos e as conversas. Sei do que falo…alguma coisa se perdeu.
Lembro de ser criança, das saídas das escola, da bagunça. Mas lembro que até os considerados mais terríveis tinham limite para aprontar, ou pelo menos, sabiam que aquilo era errado. Exemplifico com uma cena real presenciada por um amigo: Pai e filho sobem a rua e o menino comenta orgulhoso: ta vendo aquela casa, pai. Fui eu quem pixou…
Isso não pode ser normal.
Pobres pronomes quase extintos, mas mais pobre ainda da minoria educada que restar da humanidade quando este dia chegar…

 


O que perdemos
Julho 23, 2008, 5:23 pm
Arquivado em: É sério
Este artigo é recente e foi escrito para ser publicado no Tá na Mão.
Ao migrar o texto Pronomes em Extinção, achei interessante complementar o post com a matéria, que complementa exatamente o que foi levantado no post.

 

Na ânsia de cumprir os compromissos, temos cada vez menos tempo livre, as crianças ingressam mais cedo na vida escolar e passam um número crescente de horas longe dos pais. O que se perde com isto?

Uma das conseqüências da correria cotidiana é o acréscimo de responsabilidades da escola: Espera-se que a instituição cumpra não apenas a formação acadêmica, mas também cuide da criança e, em muitos casos, atue diretamente na constituição do caráter e do conjunto de valores dos indivíduos. Muitas instituições de ensino já incluem na proposta pedagógica programas que ensinem convivência harmônica, solidariedade e princípios de cidadania.

Neste cenário, as famílias estão confusas com a administração das responsabilidades de criação e formação dos filhos.

Para a educadora e psicopedagoga Sônia Colli, presidente da seção São Paulo da Associação Brasileira e Psicopedagogia, a condição atual é preocupante e gera grande prejuízo na formação dos jovens: “A família está abrindo mão de seu papel. A escola tenta suprir esta lacuna, mas não tem condição de abarcar tudo. Além disto, vivemos um período de caos sociológico, onde valores estão distorcidos. Tudo isto está criando uma geração confusa e sem pilares sólidos”, explica.

Segundo Sônia, é fundamental que os pais tomem as rédeas da formação dos filhos e se conscientizem que seus atos serão parâmetros importantes na construção da personalidade. “É preciso dar exemplo. Como cobrar da criança a lição de casa, se o pai compra seu trabalho de pós-graduação?“, exemplifica.

Além da impossibilidade de suprir o papel dos pais em vários aspectos, a escola conta ainda com a dificuldade de firmar sua autoridade frente à desvalorização geral das instituições. “A sociedade ensina que ninguém é respeitável e muitas vezes a depreciação dos professores começa na própria casa. Não existem laços afetivos e respeito com os educadores”, ressalta Sônia.

As conseqüências da falta de códigos de conduta podem ser sentidas, por exemplo, nos casos de violência física ou verbal contra professores ou entre os próprios alunos, tão comuns atualmente.

Luz no fim do túnel

Mas como reverter este quadro, se o tempo de dedicação e a estrutura familiar parece estar se dissipando a cada dia?

Para a educadora, não há fácil solução, mas nem tudo está perdido. O primeiro passo é debater a questão em diferentes níveis sociais e formas de abordagens.  “Vivemos um período de transição e é preciso um exame de consciência dos pais para nos adaptarmos à nova realidade. Estamos cumprindo o papel de pais? É preciso tentar responder esta pergunta”, adverte.

Segundo Sônia, somente com esforço conjunto de pais e educadores, será possível reorganizar a estrutura atual. “É preciso estar próximo dos filhos, participar, dividir as experiências. E amar. Amar muito nossos filhos”. 

 

Causa e conseqüência

O caos sociológico citado por Sônia é, simultaneamente, causa e conseqüência de uma série de situações reprováveis frente os padrões morais, éticos e de cidadania. O exemplo negativo em diferentes classes econômicas e sociais é seguido por crianças e adolescentes, que se tornam adultos “viciados” no comportamento inadequado.   

Da inconseqüente e até despercebida ação de jogar papel de bala na rua às filas duplas de carros na frente de muitas escolas particulares, cada ação de desrespeito com o próximo é uma mensagem velada aos pequenos futuros cidadãos de que não é preciso cumprir regras.

Se uma mãe se dispõe a alugar os filmes de obras que o filho deve ler por recomendação escolar, está tirando a autoridade da instituição. E não pode cobrar que a escola supra as necessidades que ela mesmo anseia.

Como explicar para a criança a diferença entre roubar sinal de TV ou assaltar um banco? Como esperar que a adolescente que é estimulado a mentir para a professora não engane a própria família?

O desrespeito com o patrimônio alheio – público ou privado – ensina que o que não é seu, não tem valor. E traz prejuízos a todos.

Anualmente, só na cidade de Santo André são gastos anualmente $ 600 mil para pintar pichações de viadutos, passarelas, totens e esculturas. Para repor placas de trânsito danificadas, furtadas ou pichadas são mais R$ 840,00. Dinheiro que poderia ser utilizado em melhorias para todos os munícipes.

Outro triste exemplo é o vandalismo com trens da CPTU. Só no primeiro bimestre do ano, a Companhia Paulista de Trens Urbanos registrou 177 ocorrências de depredações – 42 na Linha Luz-Rio Grande da Serra que atende a região. Para reparar os danos, foram empregados cerca de R$ 600 mil. Em 2007, o gasto ultrapassou os R$ 2 milhões. E o maior prejudicado é o usuário do transporte, que sofre com a retirada dos trens de circulação para manutenção e perde a oportunidade de contar com novas benfeitorias.  

E enquanto o ciclo do mau exemplo não for cortado, enquanto as leis não forem cumpridas com seriedade, o caos sociológico não terá fim.